Dirceu, o inviolável

Supremo determina que Zé Dirceu pode trabalhar no escritório de seu advogado. Ponto final. Embora o relator Barroso tenha se esforçado para combater os argumentos de Joaquim Barbosa, não convenceu.

Em primeiro lugar, permitir que um elemento nocivo e influente como Zé Dirceu exerça, fora da prisão, qualquer atividade privada é liberá-lo para suas costumeiras traficâncias (lobby, acordos políticos, trapaças e relações clandestinas com o submundo de Brasília).

Lembro-me de onde ele exercia essa atividade – um luxuoso hotel da Capital – onde era visitado por deputados, senadores e criminosos de várias plumagens.

Na agenda, Petrobrás, agências de regulação, empresas de telefonia, acordos internacionais, enfim, a mesma teia trapaceira que o levou (mais ou menos) à cadeia.

Agora vai trabalhar com seu advogado. Fica, na prática, liberada a possibilidade de qualquer advogado contratar seu cliente criminoso para azeitar suas relações com o mundo do crime e, evidentemente, uma soberba carteira de clientes.

­Diz o relator que, embora o escritório do advogado seja inviolável, um fiscal do sistema penitenciário poderá entrar e fiscalizar as atividades de Zé Dirceu. A verdade é que não pode. Se ele estiver tratando de arquivos de clientes do escritório, esse material será blindado pelo sigilo e ninguém poderá bisbilhotar.

A verdade é que todos sabemos o que Zé Dirceu fará no escritório do Dr. Grossi. Ninguém vai aparecer por lá fiscalizando coisa alguma.

Nada impede que o preso vá trabalhar em um apartamento de hotel (“organizando arquivos e papelada de clientes”, dirão seus patrões) e, na verdade, esteja traficando influência junto ao governo federal.

De qualquer maneira serviu o julgamento para Gilmar Mendes comentar alguns absurdos atuais. Há um bilhão de reais represados (“contingenciados” como gosta de dizer o governo), no FUNPEN, Fundo Penitenciário engordado com renda da loteria esportiva. Como não há interesse em investir em prisões, o governo gasta o dinheiro com logotipos dos Correios (42 milhões!), em propaganda da Petrobrás e outras marmeladas.

Com quatrocentos milhões, poder-se-iam criar 24 mil vagas no sistema semi-aberto, se isso fosse interessante para o governo. Tudo isso sob silêncio do Ministério Público, onde o emplumado Janot se emera em liberar Zé Dirceu para suas manobras clandestinas.

De qualquer maneira, fica a esperança para nós outros que ainda estamos soltos por aqui, de que o Supremo é um leão que ruge mas não devora. Sempre haverá um jeitinho de escapar da pena.

Uma das consequências dessa impunidade que grassa pelo país foi as negociatas comuns nas convenções partidárias (as do PT, principalmente, sempre ele), onde presos na Papuda, ainda ligados a seus partidos de todos os tamanhos, venderam horário de televisão e postos de comando aos candidatos Dilma e Michel Temer.

O Brasil teria jeito se tivesse vergonha.

Ou seja, anos e anos de processo, saiu a condenação mas o Supremo mesmo coloca o criminoso na rua novamente. Acabou, mesmo, em boa pizza.

 

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O país de Zé Dirceu

O Brasil é um país sem ética. Como disse um conhecido colunista, quando Collor foi expelido do poder o país pareceu despertar para um novo tempo, para uma revisão de costumes éticos e morais. Foi engano.

Ao invés de melhorar o padrão moral, o Brasil elegeu Lula e sua quadrilha, engolfando-se na lama por décadas. A mancha que ficou não será lavada por muitos anos.

O eleitor continua trocando seu voto por dentaduras, bonés, camisetas e promessas de emprego, quando não o vende por cinquenta reais, pura e simplesmente.

As obras são superfaturadas, estabelecendo-se um banquete entre empreiteiras e funcionários públicos desonestos que só piora a cada ano, a cada mandato, a cada ciclo administrativo.

Não estamos caminhando para um mundo melhor, mas, sim, para a esbórnia das obras da Copa e das Olimpíadas.  Desde o momento em que o Brasil conseguiu vencer a disputa por sediar esses eventos as “forças ocultas” começaram a dividir o bolo de projetos.

Um dos mais famintos e mais bem sucedidos foi justamente o ex-senador Luiz Estevão, condenado a 36 anos e meio de prisão e ao pagamento de  3 milhões de reais em multas por patranhas na construção de obras públicas.

O colunista conclui dizendo que o julgamento do Mensalão também poderia ser um divisor de águas, uma espécie de antes e depois mas que corre o risco de ser diluído em óleo de peroba, tal é a desenvoltura de Lula, Zé Dirceu e outros atores quase presidiários na negociação de grandes projetos nacionais.

Foi assim que o filho de Lula, um pé-rapado no início do governo paterno, se tornou dono da Telemar e de outros mega-projetos financeiros nebulosos e bilionários. Da mesma forma, não há um grande negócio envolvendo Petrobrás, empresas de telecomunicações ou parcerias entre Venezuela e Brasil, ou, ainda, entre o país do horroroso Evo Morales e a gorda viúva chamada Patropi que não tenha o dedo de Zé Dirceu e seus asseclas.

Dilma e seus mais próximos fazem cara de paisagem, assim como Lula quando era o presidente “não sei, não vi, não quero saber”.

Com Mensalão ou sem ele, continuaremos um país sem ética. Cada um que se lucuplete como puder, que aproveite como puder, que a impunidade é certa.

E a sensação de ilicitude, de faz-de-conta é tão incorporada à nossa cultura que a “Veja” sempre traz publicidade disfarçada de matéria, uma prática proibida na Europa e até mesmo nos Estados Unidos, nos jornais e revistas que honram esse nome.

Esta semana, sob o título “Pelo direito de brincar”, a indústria de armas de brinquedo compraram uma “matéria” tentando justificar a produção de “lançadores” de dardos de espuma, dizendo que o artefato “não transforma crianças em bandidos potenciais”. “Ao contrário”, conclui o repórter cara-de-pau.

Os brinquedos “são coloridos, modernosos e foram desenhados para não se parecer em nada com algo bélico, tanto nas formas quanto no conceito”.  Mas… “têm mecanismos de ar comprimido, baterias e podem lançar até três dardos por segundo”.

Nenhum aviso de que é “anúncio”. Assim como a matéria sobre Tufão e Carminha, contratada pela Globo para estimular o público de novelas.

Num país como esse, com órgãos de imprensa que se prestam a esse jogo, não há ética que sobreviva.

Metástase

O que pode esperar do futuro um país que tem um ser abjeto como Zé Dirceu operando nas sombras, liderando um time tão abjeto quanto ele, formado por Renan Calheiros, Zé Sarney, Fernando Collor, Lobão, excrescências como Tiririca ou ratos como Demóstenes, recentemente trazidos à luz?

Zé Dirceu, nas barbas de Lula e de Dilma, opera as maiores trapaças do patropi, sem que sofra qualquer repressão ou inibição.

Não é a primeira vez que “Veja” lança foco sobre as andanças desse ratão, sendo certo nos círculos brasilienses que caravanas de malandros e oportunistas estrangeiros vêm afinar suas agendas com esse personagem das sombras.

Se querem falar com a “presidenta”, têm de passar por ele. Se querem uma agenda com o BNDES, ele arruma. Se querem uma parceria, um negócio escuso, um mapa das brechas na lei brasileira ou um esquema para entrar no PAC, nas obras da Copa ou das Olimpíadas, não percam tempo pelos canais ditos competentes.

Ele é o caminho, a safadeza, a entrada e a saída ao paraíso verde-amarelo.

Como pode um país sobreviver a tanto saque, a tanto descaramento, a tanta pilantragem?  Os ratos se revezam no Congresso, nas fímbrias do Executivo e agora, já se sabe, até em setores parrudos do Judiciário.

Voltei de Brasília esta semana. Vi os seus brilhantes prédios, suas construções faraônicas, seus tribunais e seus anexos, num festival de orgias sem paralelo no mundo.

Pensei que tudo aquilo sai do bolso, do orçamento e da desesperança de milhões de brasileiros.

Entre uma leitura e outra, soube que a Receita Federal nunca arrecadou tanto no país, quebrando recordes sobre nossa esfalfada população. No cano que sai do Tesouro, reúne-se uma quadrilha, à espera dos recordes tributários para iniciar o saque.

Quando o voo de volta me depositou em Campo Grande, ao entrar no táxi e buscar algum alívio daquela sensação de ser um idiota, uma miserável ponta nessa comprida e generosa corda que alimenta as burras de Brasília, não senti conforto, mas desânimo.

Pensei, apenas, que por aqui estamos na mesma farra, por aqui tudo está aparelhado pelos partidos do Poder, barba, cabelo e bigode. Obras caras e misteriosas, desvios nunca suficientemente investigados.

A verdade é que Zé Dirceu, Lula e seus asseclas não só tomaram conta do Brasil como contaminaram toda a estrutura nacional. É uma aterradora metástase.

Ao fechar o meu portão sobre minha desesperança, só consegui balbuciar uma frase: o povo está só.\

Mais dezesseis anos com ZD

Cansei de debater sobre pesquisa eleitoral. Registre-se, no entanto, que nunca fui assediado por nenhuma pesquisadora, a não ser o excelente serviço da GM que me consulta sobre o serviço da concessionária ou se tenho alguma reclamação. Nota dez.

No twitter, a patrulha petista atira sem piedade em quem duvida da unanimidade que é Lula da Silva, fato notório que nunca neguei.

Minha tese sempre foi a de que Lula é fruto da incompetência do PSDB e de sua assessoria horrorosa, que não conseguem passar para o povo brasileiro algumas enormes verdades que justificam o próprio sucesso de Luiz Inácio Lula da Silva.

A primeira é que o Plano Real foi uma bolação do PSDB, de Itamar Franco e de seu Ministro da Fazenda Fernando Henrique, passando pela genial invenção da URV, creditada a Gustavo Franco, Persio Arida e mais alguns gênios sem os quais ainda estaríamos nas trevas econômicas em que os trapalhões Collor e Sarney nos lançaram.

Depois, o programa de privatização, iniciado por Sérgio Motta nas telecomunicações, que nos deu computador, notebook, IPod, celulares e telefonia barata e universalizada. Pergunte se o povo quer a volta dos dinossauros estatais e seus telefones pretos!

“Até o fim do meu mandato, todo mundo terá seu telefone”, dizia Sergião no programa Roda Viva. Eu mesmo achei que era bazófia. Hoje minha querida Isabel, simples empregada doméstica, tem dois celulares e qualquer menino de 10 anos já vai à escola com seu celular dotado de Bluetooth e outras traquinagens.

Pelo PT, ainda estaríamos espalhado orelhões pelo país em extensas, atrasadas e superfaturadas redes, para enriquecer Lulinha Gamecorp Telemar, Zé Dirceu e sua tropa.

Paulo Renato, Ministro da Educação, revolucionou o ensino em todos os sentidos, especialmente, na área de avaliação (ENEM, ENADE, Ideb, entre outros). Dele foi também, pasme-se, o bolsa-família, só que vinculado à frequência escolar.

Lula da Silva, pouca gente sabe, aproveitou o benefício para fazer populismo e ainda retirou sua melhor virtude, a frequência à escola, sem o que a distribuição de dinheiro hoje é apenas uma esmola, responsável pelo enorme sucesso nas pesquisas!

Nem estou falando das bem-sucedidas lutas de Serra contra os cartéis dos medicamentos em busca dos
coquetéis anti-aids que vêm salvando milhões no Brasil e na África, além de uma gestão fenomenal à frente do Ministério da Saúde, setor onde o PT só fez trapalhadas e enriqueceu sanguessugas e pilantras das licitações.

O sistema de meritocracia posto em prática por Aécio Neves em Minas Gerais inovou a administração pública para sempre, além de implantar com sucesso as PPPs, parcerias público-privadas que tanto desenvolvimento trazem para aquele Estado.

Diga-se, en passant, que num governo do PSDB, Aécio tiraria o PAC do papel e cobriria o país de ferrovias modernas com dinheiro da iniciativa privada, sem falar nas obras de infra-estrutura da Copa e das Olimpíadas, que já estão enriquecendo os safados de sempre Brasil afora.

Guido Mantega, Paulo Bernardo e Meirelles seriam apenas limpadores de picadeiro se não fossem Malan e Armínio Fraga no Ministério da Fazenda e no Banco Central peessedebistas.

O problema é que esses pernas-de-pau do PSDB não conseguiram divulgar o óbvio, ficaram colecionando apoios podres (Roberto Jefferson, Orestes Quércia, para citar apenas os mais notórios) e deixaram essas pérolas fora do horário eleitoral.

A patrulha petista me condena por dizer que ante a iminência de um governo petista dirigido com mãos de ferro por José Dirceu, acho melhor desempoeirar o Código Penal, lustrar as algemas e manter o passaporte em dia e não me perdoa por dizer que só criminalistas, banqueiros e escroques torcem por um governo da Pacdilma, boneca de pau do ventríloquo Zé Dirceu. Sempre se louva a patrulha petista nos “80% de popularidade” de Lula.

Assim, fica registrado aqui que Lula seria apenas um obscuro operário, movido a 51, farofa, macarrão domingueiro e jogos do Corinthians se não seguisse, fiel e inteligentemente, a cartilha do PSDB em seu governo.

Só a inépcia dos tucanos permitiu que o presidente boquirroto se aproveitasse das melhores bandeiras políticas de que se tem notícia nos últimos anos e nos legasse mais 16 anos de Zé Dirceu (oito de Pacdilma, oito de Lula, o retorno) e sua matilha.

Com uma oposição inútil dessas não precisamos de inimigos.

Vem lama aí

Tenho minha opinião formada sobre a dona Dilma. Ganhando ou perdendo, o país será coberto de lama nos próximos anos. Se ganhar, o PT estará no governo e terá de pagar a conta das mazelas eleitorais. Se perder, ficará na oposição nacional mas terá alguns Estados governados pelos acólitos de Lula e esses terão de amamentar os devedores da campanha.

Vale dizer, não temos saída.  Como o Poder Judiciário é moroso em punir os desmandos – há processos ainda da campanha anterior que não se encerraram e os do mensalão dormem para todo sempre em gavetas do STF – não tenho esperança em reaver um tostão que seja dos desvios que se avizinham.

Centro-me, agora, no mau exemplo flagrante dado pelo presidente boquirroto para aumentar o prestígio de sua corujinha de estimação. Conforme se sabe, há dias Lula enfiou no Orçamento da União, a ferro e fogo, obras que tinham recursos bloqueados pelo TCU por irregularidades comprovadas.

Desde superfaturamento, sobrepreço, critérios inadequados de medição e gestão temerária, entre vários outros indícios de patranhas federais dos honestos petistas.

Assim, começaram a andar mesmo sob suspeita as bilionárias refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Presidente Getúlio Vargas, no Paraná; o Terminal de Granéis Líquidos do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo e as unidades do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.

O TCU sequer pedia que fossem paralisadas as obras, mas que fossem corrigidos os desvios, mas como estancar a sangria de propinas que representam essas obras do PAC, uma vez abertas as torneiras?

Na Abreu e Lima há indícios de superfaturamento de 96 milhões e sobrepreço de 121 milhões nos serviços de terraplanagem. O complexo petroquímico do Rio foi superfaturado em 1.490% no pagamento de verbas indenizatórias!

Lula, aliás, já havia pedido “menos rigor” nas licitações, uma das expressões mais inusitadas da história brasileira, vindas d eum Presidente da República! Menos rigor na fiscalização das obras públicas!

Sob o argumento simplista de “salvar 25 mil empregos”, caso as máquinas parassem, gastar-se-ão os tubos para honrar o propinoduto representado pelas obras tocadas ao sabor da safadeza e da rapina.

Fica, na verdade, marcada a desfaçatez, a falta de respeito, o descaso com a ética, com a decência, com o decoro no trato da coisa pública. O exemplo vem do Presidente da República. O fato de ser nordestino, de ser retirante, de não ter cultura e, ainda que tenha aprovação de toda a multidão de beneficiados pelo bolsa-família não deveria servir de pretexto para tão abusiva lição de crime administrativo.

Um amigo, que trafega profissionalmente pelo Tribunal de Contas da União, disse que não há uma obra sequer da Copa do Mundo que não esteja contaminada pela corrupção, sendo certo que o Brasil foi loteado por Paulo Otávio (o vice-governador de Arruda, aquele, aquele dos panetones) e seus amigos, entre eles, Ricardo Teixeira.

E é certíssimo (a Veja desta semana dá a dica) que Lula tem conversado e muito com Zé Dirceu, sim, ele mesmo, o Czar do Mensalão.  O PMDB, é claro, está a reboque dessa matilha, sendo sintomático o beija-mão de Sarney e Dilma em recente solenidade no Palácio do Planalto.

Cabe ao povo brasileiro, que não é bobo como o PT pensa, ler as linhas e entrelinhas do Jornal Estadão e de outras mídias e fazer sua análise: se queremos esse povo no governo, nutrindo-se de nossos tributos em suas tenebrosas transações, parafraseando Chico, ou se queremos um outro Brasil.

O Brasil de Lula, Dilma, Zé Dirceu, Genoíno e alcatéia está desenhado.

O futuro dirá. De certo, mesmo, até agora, é que seremos enlameados por essa corja durante a campanha e no governo, se, por infelicidade, vencerem as eleições. O aviso dado pelo presidente de Garanhuns é muito claro.