Gazeteiros

Políticos não batem ponto. Por isso mesmo há tanta gazeta.

Vejo uma foto de jornal com uma vereadora, um deputado estadual, um senador e um ex-prefeito que é funcionário estadual com salário e função no governo Puccinelli. A foto é de reunião para tratar de sucessão partidária ao Estado de Mato Grosso do Sul.

No Brasil, o cenário é o mesmo. A começar com a dona Dilma, o Sr. Temer, figuras emplumadas que gastam nosso dinheiro voando pelos céus do país em busca de apoio à candidatura de 2014!

No Nordeste, Eduardo Campos larga o governo de Pernambuco para viajar em busca de apoio à sua candidatura ao cargo da dona Dilma.

São Paulo, idem. Paraná, idem. Santa Catarina, idem. Não há um Estado onde os funcionários públicos, com seus altos vencimentos, esteja trabalhando em sua função.

Há muitos anos, tento descobrir para que serve um deputado estadual. Não consegui ainda e fico cada dia mais intrigado com essa dúvida.

A vereadora da foto deveria estar “vereando”, cuidando dos interesses legislativos da cidade. Do meu interesse. Há muitos assuntos municipais que deveriam ser triados, investigados, cuidados. Mas ela está ali cuidando dos interesses partidários e… do próprio umbigo.

A foto deve ser de uma reunião feita na segunda –feira. Um senador da república está aqui, “nas bases”, escarafunchando, planejando, articulando uma oposição ao futuro candidato Delcídio. Se perguntar ele dirá a clássica frase: o trabalho de um senador não se restringe a ficar em Brasília…

Pode ser verdade, mas, decididamente, ele não está aqui tratando de meus interesses de eleitor, de cidadão campo-grandense. Em pauta está o seu futuro político, suas mordomias, seus vencimentos, seus empregos e subempregos espalhados pelo Estado.

Quando chegar a época das eleições, aquele pequeno funcionário do Detran, aquela professora de uma escola de bairro, aquele funcionário do estacionamento de uma prefeitura, aquela cantineira do Tribunal de Contas receberá um aviso do “cabo eleitoral” dizendo “o chefe está em campanha”.

É o sinal para ativar toda a rede de “apoios” ao candidato seja lá ao que for. Esse sinal não-só quer dizer “ele precisa de votos para continuar senador, deputado” como “se você quer continuar no seu empreguinho, levante o traseiro da poltrona e vá caçar votos”. Por isso vemos candidatos “eternos” como Sarney, Temer, Londres Machado e tantos outros que são verdadeiras “santidades” em suas bases eleitorais, em seus feudos.

A verdade nua e crua é que pagamos os vencimentos de todos eles, vencimentos centenas de vezes maiores do que os salários e aposentadorias mixurucas do populacho, para que em intermináveis reuniões, regadas a cafezinhos e biscoitos que também pagamos, eles discutam o futuro político de Dagoberto, Nelsinho, Delcídio e outros menos vistosos.

Não está certo. Não é ético. Não é honesto. Não é direito. Não é aceitável.

Mas, em todas as fotos que você vê funcionários públicos custeados pelos seus impostos, tratando da própria vida, cuidando da manutenção da imensa rede de empregados também no serviço público, nos pequenos empregos, que dependem da eleição dos chefes.

É deixando de lado, permitindo, ficando em silêncio que contribuímos com a existência desses parasitas, dessas figuras carimbadas, que entra governo, sai governo, sempre ocupam os mesmos cargos, sempre são reeleitos, sempre vão para o Tribunal de Contas, em agradecimento pelos “serviços prestados” ao governante do dia ou aos partidos mais fortes.

De qualquer forma, o que vamos fazer? Apenas registrar daqui, de quando em vez, que dentre todos os inocentes úteis que eleição após eleição retornam às urnas para votar e manter o status quo dos poderosos, alguns já sabem que estão sendo enganados miseravelmente.

Miseravelmente.