Reta final

Tenho o firme propósito de não votar em candidatos à reeleição nem nos oportunistas, que apenas ocupam espaço para políticos mais espertos. Um deles, saiu candidato a vice-governador para abrir vaga em favor de… sua filha! Ou seja, depois de quarenta anos recebendo sinecuras da Assembleia, vai deixar tudo como está, na família. E eu, aqui, trabalhando para pagar suas mordomias, vencimentos, passagens e salários de cabos eleitorais espalhados pelo Estado.

Nos candidatos à reeleição a questão é outra: não há uma linha de aproveitável sobre o que fizeram no passado, com o mandato que já tiveram. Então, por que voltar?

Há um outro tipo de candidato que nem deveria merecer consideração, mas os incluo na categoria dos espertos. Esses não respeitam a vontade de seus eleitores, pois se elegeram vereadores, não cumpriram ainda o primeiro mandato (quase sempre com atuação apagada e pífia) e já saem atrás do mandato de deputado.

Na verdade, querem mais e mais recursos, espaço para agasalhar seus apaniguados e familiares. Espertos é um termo modesto, ainda, para eles.

Então, vemo-nos em um deserto perguntando em quem votar? Resolvi escolher como federal Tereza Cristina, que foi, para a indústria, uma grande secretária e tem uma boa proposta para o Congresso. Já havia escolhido o Fábio Trad, melhor deputado federal, de longe, na atual legislatura, mas só posso votar em um.

Senadora Simone, pela sua biografia e pelo seu trabalho na Prefeitura de Três Lagoas, que certamente saberá honrar o mandato de seu pai, Rames, quando esteve no Senado. Como vice-governadora foi apagada pelo próprio André, que não deixa crescer lideranças em sua horta.

Como governador, tenho dúvidas pois nenhum dos três cabeças da campanha me inspira confiança.

Deputado estadual, realmente, não vejo mérito em ninguém.

Nacionalmente, com Aécio, torço por derrubar a petralhada do poder. Esse é meu objetivo e se Marina servir para esse fim, que seja, embora o atraso que teremos com ela será altamente prejudicial para o país. Além de, evidentemente, ela continuar refém dos safados do Congresso Nacional.

Um último detalhe observado nesses dias de campanha. O Poder Judiciário, com o Supremo à frente, aproveitou o envolvimento do país com as eleições e garantiram várias mordomias, aumentos salariais, auxílio moradia e outras sinecuras em favor dos próprios interesses.

Mais gente na lista dos espertos. Isso é o Brasil.

Anúncios

Atrás do osso

Não quero ser pessimista, num belo domingo como este, mas um ser político por natureza, tenho de fazer alguns comentários, ainda que seja para registro histórico.

Causam-me enjoo algumas figuras carimbadas fazendo o jogo sujo da busca insana pelo poder, vale dizer, pelo salário de vereador, sob o falso argumento de que “estão ajudando o partido” ou de que “estão a serviço do povo”.

A exemplo do que digo, vejam Zeca do PT, tentando uma vaga na Câmara Municipal após ser todo poderoso governador do Estado e, certamente, se estivesse com o prestígio em alta, poderia prestar serviços ao governo Dilma, sem se misturar na política chinfrim de um Legislativo Municipal.

Vi, também, Antônio Cruz, o deputado federal que em 2004 (constatei pelos registros exibidos pela Câmara Federal)  menos fez projetos de importância para o Estado. Não discuto seu trabalho à frente do seu hospital, mas questiono, firmemente, o fato de o povo ter bancado esse trabalho pagando seus vencimentos em Brasília.

Em Dourados, o ex-deputado Djalma Barros tenta voltar à Câmara. No cenário nacional, Waldir Pires, que governou a Bahia e foi ministro da Defesa, está em campanha para vereador.

Ou seja, não largam o osso de jeito nenhum. É triste porque não são pessoas que deixaram um legado de trabalho ou de serviço prestado, mas sim de apego ao poder pelo poder. Querem mandar, querem continuar na mídia, querem fazer política partidária.

Todos estão à procura de um emprego que lhes garanta a sobrevivência, em valores que nenhum trabalhador terá mesmo que trabalhe a vida inteira!

E nós pagaremos a conta, claro.

É de doer, também, a candidatura a reeleição de algumas figurinhas conhecidas, não pelo que fizeram pela população, mas pelo não fizeram durante tanto tempo.  E continuam atrás do “osso”, gastando na campanha um dinheiro que não recuperarão com os vencimentos, mas com negócios e com seus votos em favor, quase sempre, do  Executivo Municipal.

Espero, sinceramente, que o povo olhe essas manobras e perceba que, sendo o patrão desse povo, pode cassar o seu “emprego”, pode negar essa vaga no Legislativo e pode escolher alguém comprometido com os destinos da população.

No futuro distante, não sei se ainda verei esse milagre, não haverá “líder do Prefeito” ou “vereador da base de sustentação do prefeito” na Câmara Municipal, mas apenas membros do Legislativo, encarregados de fiscalizar os atos do Prefeito e não de beijar a sua mão a cada projeto.

Até lá, a verdade é que pagamos altos vencimentos e mordomias a vereadores que “sustentam” a vontade do Prefeito, o que é uma aberração em si mesma.

Espero, também, que o povo negue seu voto e mande esses ociosos para casa, de uma vez por todas.

 

Como ser deputado por 30 anos

Devo este artigo a meus filhos, a meus amigos, a minha empregada Isabel Oviedo, a minha mãe, anciã que está em campanha contra a reeleição.

Sempre me perguntam a razão por que um deputado como Londres Machado, Ary Rigo, Jerson Domingos, Akira Otsubo, entre os mais antigos, continuam se reelegando apesar de se saber muito pouco sobre o seu trabalho na Assembléia.

Na verdade, essa observação ainda fiz nos mandatos de Walter Carneiro, Totó Câmara, Jesus Gaeta e outros. Mas ainda vale a reflexão para os mais longevos.

Ano após ano, eleição após eleição, eles têm legenda garantida pelos Partidos, vale dizer, a vaga é deles e o resto é o resto. E o povão, ao vê-los disputando, costuma espalhar, de primeira, “já estão eleitos”.

Será prestígio? Trabalho? Benfeitorias ao povo? Por que se reelegem sempre? Por que divulgam em suas peças de propaganda que têm “sete”, “nove” mandatos?

De fato, devo essa pesquisa e esse artigo aos que me perguntam. Não é uma pesquisa científica, apenas a observação de quem já viu esse filme desde o cinema mudo, passando pelo branco e preto e chegando às pirotecnias de Avatar.

Se estiver errado, aceito correção.

Em primeiro lugar, desfaço a primeira impressão: não é prestígio, certamente. Um deputado com essa longevidade, aliás, quanto mais antigo no cargo, menos visibilidade tem, não é sequer conhecido pessoalmente pelos seus “eleitores”, que mais se parecem com peões de um jogo de xadrez do que com eleitores conscientes.

É uma transação entre cabos eleitorais, processada em listas de telefones, contatos, benefícios concedidos e que não são esquecidos porque sempre lembrados. O deputado nem aparece mais nas bases, a não ser para receber títulos de cidadão municipal e ganhar medalhas de clubes do laço.

Nos primeiros mandatos, o deputado vai empregando gente. Um funcionário de Posto de Saúde aqui, um empregado do Detran ali, um fiscal do ICMS acolá, fora os servidores que coloca na própria Assembléia, quando passam por lá na condição de presidente, primeiro secretário, corregedor e outros cargos importantes.

Depois, ao votar naquele privilegiado para o Tribunal de Contas, emplaca um assessor, um procurador, um
secretário executivo, uma chefia de gabinete.

No Poder Judiciário, emplaca um filho ou uma nora que “terminaram brilhantemente o curso de Direito”, para terem a honra de um estágio com este ou aquele juiz.

De quebra, no chamado nepotismo cruzado, oferece uma vaga de funcionário da Assembléia ao juiz, para empregar aquele filho, aquela nora, aquele genro que, também brilhantes e também recém-formados, “vão enriquecer o Parlamento” com suas luzes.

Dois ou três mandatos e já estão aparelhando as prefeituras. Aquele prefeito que precisa de uma mãozinha para obter uma estrada vicinal, uma obra qualquer, oferece um emprego, um chamado cargo de confiança, bem remunerado, à família do deputado. Ele emplaca lá aquela comadre faladeira, bem articulada, que passa a defender com unhas e dentes o emprego e, claro, os votos para o deputado.

Aquele vereador, presidente da Câmara do interior, precisa de uma agenda do governador? Ok. O deputado arranja e depois pede gentilmente para o vereador arranjar uma vaguinha para um companheiro que está desempregado no momento.

Quando aquele prefeitinho enrolado nas próprias trapaças precisa de um relatório amigo no Tribunal de Contas, a assessoria do deputado liga para a conexão do TCE (lembra-se daquele emprego trocado pelo voto ao Conselheiro?) e está feita a ponte.

“Prefeito, o deputado disse que aquele negócio no TCE está arrumado. Pode ficar tranquilo e não se esqueça de apoiar nossa campanha que se aproxima”.

Quatro, cinco mandatos, são tantos os favores, tantos os empregos obtidos, tantos os arranjos de nepotismo cruzado, que os votos são paridos naturalmente, não porque o deputado seja conhecido e bem-amado, mas porque todo mundo (mulheres, filhos, genros, noras, amigos mais próximos, pastores de igreja) precisa fazer sua parte para manter a teia de empregos.

Na campanha ele pouco aparece e nem precisa. Basta colocar o time de cabos eleitorais no telefone e na estrada, com a única mensagem: “o deputado precisa ser eleito senão o emprego roda!”

Precisa mensagem mais forte?

De quebra, uma camiseta, um boné, o status de ‘amigo do deputado´ são bônus indispensáveis ao cabo eleitoral.

E por isso, também, há chuvas e trovoadas quando o deputado ameaça sair para um cargo na Câmara Federal. “Como vamos ficar? Seremos abandonados? Os empregos serão mantidos?”. Não é difícil imaginar por que os velhos deputados são “convencidos” a disputar mais uma “honrosa” indicação.

Pode ser que esses deputados antigos não se enquadrem na situação acima. Podem ser, apenas, bons corinthianos, bons gremistas, bons gaúchos, mineiros, bons amigos de churrascadas. Podem ter feito alguns projetos importantes que desconheço.

Por isso eu disse, alhures, que aceito correções.

Enquanto isso, considerando que esses deputados não gastam um centavo de seu patrimônio para manter essa teia de empregos e influências, mas só dinheiro público, que nos pertence, não vote em candidatos a reeleição!

Vergonha tardia

Envergonhado, vejo desfilando pela cidade veículos com propaganda de velhos políticos em busca de reeleição. Para citar alguns, Londres Machado, Ary Rigo, Jerson Domingos, Akira Otsubo, entre outros.

Envergonhado não por eles, já que esse é um hábito adquirido em anos de passividade e comodismo de nossa parte, da chamada maioria silenciosa (e põe silêncio nisso!), que lhes permitiu voltar à Assembléia Legislativa por vinte, trinta anos.

Envergonhado por minha passividade. Por nunca falar contra isso. Por esse “deixar rolar”, por esse “nada posso fazer”, por um “se dependesse de mim…”.

O que esses ilustres senhores fizeram até hoje, a não ser montar um enorme painel de benefícios, empregos, honrarias, prelazias, beija-mãos por todo o Estado.

Esses empregados no serviço público, por sua vez, a cada eleição, se engajam bravamente na campanha das velhas raposas para manutenção dos privilégios. Não há quem ganhe a eleição deles, pois os votos se derramam sobre os espertos, que sabem o grau de dependência criado entre seu nome e os empregos espalhados por aí.

Eles nem precisam sair por aí, suando a camisa, fazendo campanha. Basta avisar que “estão na luta novamente” e os escravos saem a batalhar o voto de outros incautos. Estes, por sua vez, pensam que aquela pessoa que lhes pede o voto tem um canal direto com o Dr. Fulano. Pelo sim, pelo não, fica valendo o “um dia eu posso precisar”.

Tenho vergonha desses políticos, sim. Tenho mais vergonha, ainda, de mim e de minha atuação política que permite essa bandalheira. No fim, quando um deles resolve que é hora de sair, coloca um filho no seu lugar e pedem uma sinecura no Tribunal de Contas.

Lá, por toda uma vida sabidamente medíocre, continuam mamando nas generosas tetas do Tesouro, vale dizer, nas tetas que eu mantenho com os tributos pagos até no palito de dentes.

É por essas e outras que, timidamente, este ano, estou seguindo uma campanha de minha mãe, anciã de 83 anos, que resolveu, pura e simplesmente, pegar no telefone e convencer suas amigas e irmãs de igreja a não votarem em candidatos a reeleição.

Já virou centenas de votos e me estimulou a ajudá-la.

Sei que milhares de empregados no serviço público, que nenhuma utilidade têm para mim e cujo único trabalho é servir de cabo eleitoral para esses velhos aproveitadores, perderão a boquinha.

Mas, afinal, estou eu no ramo de manter boquinhas? Não e não!  Que esses bagrinhos levantem o rabinho das poltronas, saiam do ar condicionado e entrem nas filas das agências de emprego honesto, como qualquer brasileiro.

Desmontando esse escabroso sistema de mandatos automáticos e empregos perpétuos estarei fazendo alguma coisa e menos envergonhado.