O MELHOR ARTISTA NÃO É AQUELE QUE CANTA BEM

O MELHOR ARTISTA NÃO É AQUELE QUE CANTA BEM

Bruna Campos*

 

O melhor artista é aquele que valoriza o compositor. Isso mesmo. Já começo dizendo que cantar bem não é mais pré-requisito para se alcançar o sucesso. Muitos lerão isso e dirão “mas quem é essa mulher pra dizer uma bobagem dessas?”

Portanto, para tirar qualquer dúvida sobre minha credibilidade, apresento-me dizendo que venho de um berço onde se escutava Beethoven, Vivaldi, Frank Sinatra, Paul Anka, Fred Mercury, Beatles, Mercedes Sosa, Eydie Gormé, Linda Ronstadt, Willie Nelson, Nelson Gonçalves, Noel Rosa, Dolores Duran, Vinícius de Moraes, Maysa, Eagles e todos os nomes relevantes da música mundial.

Depois que cresci, cantei por dez anos em bares da cidade de Campo Grande, quatro horas por noite, sem intervalo, anos antes da capital sulmatogrossense se tornar o berço do rotulado “sertanejo universitário”.

Apaixonada por música, hoje represento mais de 400 compositores de todo o Brasil, ouvindo suas obras e enviando aos artistas que preparam novos trabalhos a serem lançados no mercado, o que me faz ser parte desse sonho de transformar uma música num grande sucesso cantando por milhares de pessoas.

Quando o compositor alcança esse tão desejado sonho, ele não é a estrela. O grande público não quer saber quem fez a música, quer saber apenas de se divertir, ou chorar, ou se emocionar ao som da voz do artista. A valorização do autor deveria ser incitada por este artista, que não o faz.

Sonho com o dia que um cantor dirá em todos os seus shows “agradeço por esta música do grande compositor X, que contribuiu para que minha voz tocasse em todas as estações de rádio do Brasil e o meu show fosse o mais procurado pelos contratantes do país, a valores superiores a R$ 120.000,00”.

No projeto chamado “artista de sucesso”, a planilha é feita com as seguintes prioridades: produtor musical, cabelo, roupas, fotos, site, “aquisição de espaços musicais” em rádios, divulgador e, por último, o repertório. No item repertório, existem dois objetivos a serem considerados: “encontre um sucesso” e “não demore, tempo é dinheiro”. “Pagar todos os compositores” não é prioridade.

Direitos autorais são um ponto que o empresário decide por último se vai pagar. Veja bem que estou falando da maioria, baseada em minha experiência diária, onde a equipe do artista vê o sucesso da obra, mas acha que a liberação pela gravação dela não vale, sequer, R$ 1.000,00. Há exceções? Pouquíssimas.

Eu visualizo a situação de uma maneira desanimadora. Todos os profissionais envolvidos merecem receber pelo trabalho, menos o compositor. Têm seu cachê garantido o produtor musical, o empresário, o artista, os arranjadores, os músicos da banda, o estúdio, o fotógrafo, o figurinista, o webmaster, mas a maioria dos artistas ainda acha que o compositor não tem que ganhar dinheiro.

Você vai dizer “mas Bruna Campos, de onde você tirou uma besteira dessas”? Tirei das diversas autorizações mensais que fazemos na Rede Pura, com a denominação “sem ônus, com consentimento do compositor”, porque o artista pede ao compositor uma liberação gratuita de música com a promessa do sucesso que nem ele mesmo pode assegurar que virá.

E nessa onda vão os compositores, esperançosos, liberando suas músicas de graça, convencidos de que esse é o caminho para se chegar lá. O que ele não entende é que no final, todo mundo que vai trabalhar vai receber, menos ele. Logo ele, que é a peça chave nesse lance todo.

Fico triste com o caminho que a música brasileira vem tomando. Empresários enriquecendo, artistas enriquecendo, produtores musicais enriquecendo e compositores cada vez mais desestimulados a produzirem novos sucessos. Chegará o dia que ninguém mais verá vantagem em escrever músicas e que será preciso grandes concursos com a chamada “à procura do grande compositor” ou “procuramos um sucesso”.

Não terminarei sem mencionar os que acham que o público não entende de música e que as canções ficarão cada vez piores com o passar dos anos. Você está nesse grupo? Então deixo um recado pra você: essa fase vai passar, como várias outras passaram. E quando a época das grandes músicas voltar, você vai precisar de um grande compositor. Valorize-os hoje.

 

*Bruna Campos é formada em direito e jornalismo, sócia-proprietária da Rede Pura Editora e representante regional da Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais (Socinpro).

Uma noite especial

Ou de como Campo Grande, Itumbiara e Cuiabá se reuniram para fazer amor.

Só nos domínios do amor a eternidade pode caber em um segundo, ousei provocar um dia.

E o amor reinou intensamente durante seis ou sete horas, tempo cuja exatidão não tem nenhuma importância, porque à eternidade não importam as horas, segundos ou minutos.

Nenhum empresário, por mais poderoso e abastado que seja, ainda que dotado da maior ousadia, conseguirá reunir, no pequeno e aconchegante paraíso de Rosinha e Bartô,  as vozes de Robson, Allan, Fred, Gustavo, Bruna e Marco Aurélio.

Ali, naquele abençoado pedacinho de chão, regidos pela mão invisível de Apolo, deus da beleza e da música, cantaram músicas mágicas, maravilhosas, inesquecíveis.

Qual é o segredo dessa magia? A Lira de Apolo? Não. Decididamente, não está tão distante a resposta. Prefiro pensar, ouvindo aqueles duetos que se alternavam como se montassem uma escada que ia de nossa insignificância até as ruas enluaradas do paraíso, que ali estavam pessoas que cantam porque a alma tem sede de cantar.

Artistas consagrados nesse mundão de Deus, capazes de arrastar 10, 20 mil pessoas numa noite como essa nossa noite, ali estavam cantando para nós, Edu, Aurélio Livramento, Thais, Beatriz, embevecidos e privilegiados passantes desse caminho onde o dia não termina.

Nestes últimos dias, reunidos sob a inspirada galáxia de Marco Aurélio, produziram música, poesia e canto como poucas vezes se viu e ouviu.

Um time de alegria, mostrando que quando Deus quer beleza em seu mundo, exagera em sua generosidade.

Aproveitei esse momento imortal, onde pude estar mais uma vez sob a luz inextinguível de minha filhinha Bruna, motivo do canto que me conduziu até aqui, para pedir a Deus que continue abençoando esses cantores em suas carreiras e em sua jornada.

Fred, Gustavo, Robson, Allan, Marco e Bruna: continuem abençoados em seu mister de tornar o mundo melhor com suas notas e melodias.

Elvis Presley disse em um de seus raros momentos em que parou de cantar para falar: sem música o dia não termina. Sem música a estrada não tem curvas. Sem música, o homem não tem amigos.

Paulo Simões também disse cantando:

“Velhos Amigos, quando se encontram, trocam notícias e recordações. Bebem cerveja no bar de costume e cantam em voz rouca
antigas canções”.

“Os velhos amigos, quase nunca se perdem. Se guardam para certas ocasiões. Velhos amigos só rejuvenescem lembrando loucuras de outros verões”.

“E brindam alegres, seus vivos e mortos e acabam a noite com novas canções. Conhecem o perigo mas fazem de conta que o tempo não ronda mais seus corações”.

Eu garanto, simplesmente, fechando os olhos e relembrando aqueles momentos de sonho, que Deus e Apolo existem, cada um com seu canto.

 

E que todos os milagres do amor são possíveis no cantinho de Marco e Rosinha.

Brasileiro não acha crime baixar música

Apontados pelas gravadoras e estúdios como as principais fontes de prejuízo para a indústria audiovisual, os downloads gratuitos são sinônimo de economia para muitos brasileiros.

Segundo pesquisa da TNS Research com 601 pessoas – encomendada pela Nokia-, 56% dos entrevistados são totalmente a favor de baixar arquivos de música e vídeo pela internet.

Ao mesmo tempo, 50% dos pesquisados não consideram criminosa a troca on-line de arquivos, enquanto 73% afirmam questões financeiras para a prática.

Segundo a amostra, se os preços dos arquivos fossem mais baixos, haveria motivação para comprar.

“O desafio é encontrar um modelo viável que consiga concorrer especialmente com os serviços grátis e ilegais”, diz Eduardo Rajo, da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos).

Estima-se que os downloads ilegais ultrapassem 3 milhões de faixas no Brasil.

Modelos baseados em publicidade, em que o usuário poderia baixar a faixa grátis após ouvir propagandas, seria uma alternativa, já que os anunciantes poderiam arcar com os direitos autorais.

LEI FRÁGIL

As leis de direitos autorais não têm surtido efeito, mesmo com todas as restrições. Pelo texto, é crime transferir as faixas de um CD original para um tocador de MP3 sem notificar o autor.

“Temos uma lei ruim ao mesmo tempo em que há uma tecnologia habilitadora”, diz Carlos Affonso de Souza, da FGV-Rio.

A fragilidade da lei é evidenciada pelos números: 92% dos que identificam crime nos downloads ilegais não o denunciariam.

“Se, perante a lei, boa parte do que se faz é ilícita, o crime fica banalizado”, diz Luiz Henrique Souza, do escritório PPP Advogados.

A questão cultural também é apontada. “Não se reconhece o valor do criador intelectual e das empresas produtoras de cultura”, afirma Ivana Crivelli, presidente da Associação Paulista de Propriedade Intelectual.

MÚSICA NO CELULAR

Ouvir música pelo celular é a segunda atividade mais frequente de quem possui o aparelho móvel – citada por 77% da amostra-, atrás apenas da câmera fotográfica.

“O papel dos fabricantes é desenvolver um ecossistema, a partir da negociação com as gravadoras, por exemplo, em que ele possa ter acesso legal às músicas”, diz Daniela Roma, gerente de inteligência da Nokia.

Segundo a ABPD, músicas baixadas pelo celular somaram R$ 18 milhões das vendas de músicas digitais em 2009, de R$ 42,7 milhões. (Fonte: Camila Fusco, Folha de S. Paulo, Mercado, 31.10.2010)

Criação de estatal é criticada por entidades arrecadadoras

Mesmo antes de apresentado, o conteúdo do projeto de lei que reforma as regras de direitos autorais no país já suscita críticas da classe artística e editorial. As principais queixas são dirigidas à criação de um novo órgão estatal, que aumentaria a ingerência sobre a arrecadação dos direitos privados, e à flexibilização das normas, o que reduziria a receita dos autores e, por consequência, o estímulo à criação de obras.

Para Eduardo Dinelli Costa Santa Cecília, advogado do Azevedo Sette que atende algumas empresas, é o direito patrimonial que estimula autores e investidores a criar. “Se liberar uso sem necessidade de consulta prévia, haverá desestímulo às novas obras”.

Segundo Santa Cecília, mesmo o autor de livros didáticos faz a obra, em geral, visando receber direitos sobre ela. “Para quem quer criar música sem cobrar por direitos, hoje a internet oferece essa possibilidade, em que muitos conseguiram se destacar.”

Foi criado nas últimas semanas por entidades de classe o Conselho Nacional de Cultura e Direitos Autorais. Roberto Mello, presidente da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), que criou o comitê, afirmou em nota que a o Instituto Brasileiro do Direito Autoral (IBDA) significa “o Estado interferindo naquilo que é um direito claramente privado”.

Para o comitê, a lei de 1998 é “novíssima” e até contempla o mundo digital. Também para o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), a lei atual não precisa de revisão. “Para nós, hoje a lei vai bem”, diz Glória Braga, superintendente-executiva do Ecad, órgão que tem monopólio da arrecadação e distribuição de direitos musicais. Em 2009, o Ecad arrecadou R$ 374 milhões, tendo distribuído R$ 317 milhões entre 81.250 titulares de direitos autorais.

Para Glória, só o dono do direito pode dizer quanto ele vale, segundo o artigo 5º da Constituição Federal e, portanto, uma instituição estatal não poderia ter controle sobre essa atividade. Dentro do governo, porém, a visão é de que o Ecad não atua de forma transparente na arrecadação e na distribuição. Mas, segundo a superintendente, o órgão é fiscalizado pela Receita Federal e publica balanços periódicos. ((Fonte: VE, DF)