WhatsApp?

A expressão que deu nome ao software de mensagens mais utilizado do momento pegou carona no “What’s up?”, parente próximo do “What’s going on?” e que pode ser traduzido por “o que está acontecendo?” ou “o que há de novo?”.

Na realidade, o jeito mais fácil, moderno e rápido de se mentir em nossos dias.

O celular da mamãe toca. Onze horas da noite. No WhatsApp , a filhinha informa:

– Manhêêê!!! Ainda nem cortaram o bolo! Vou chegar mais tarde.

A mamãe olha aliviada para o pai, que já estava apreensivo, pois ficou de pegar a filha no aniversário da amiguinha.

– É melhor você atrasar um pouco, pois ela ainda não está pronta.

Só que a filha não estava no aniversário desde as 9 horas e sim na baladinha da tchurma.

O executivo, apressado, ainda colocando a gravata, é cobrado pelo staff da empresa, reunido há meia hora esperando por ele. Na mensagem, atira para ganhar tempo:

“- Já estou entrando na garagem do prédio. Mais uns minutinhos e eu chego…”

O fato é que depois da praga do celular, quase nada mais é real. Você pode dizer ao telefone o que quiser, pois, do outro lado, não se tem certeza de nada. A menos que o celular esteja acoplado a um GPS ou a um desses programas localizadores, vale a verdade de quem diz.

Já não é estranho aquele filho que deveria estar em um local aparecer em outro, não-raro uma delegacia de polícia ou até mesmo, em finais menos felizes, no necrotério.

Recuperando o histórico do WhatsApp, mensagens com trajetos e roteiros bastante diferentes do destino final.

Vendo um programa de TV onde mães discutiam a liberdade que davam a seus filhos, dizendo que ficavam bastante tranquilas quando recebiam mensagens de celular dando o destino dos pimpolhos.

Elas acreditam, piamente, que o contato permanente, mesmo através de mensagens, coloca seus filhos sobre vigilância.

Outros pensam que indo buscar o filho ou a filha nos locais badalados ou nas festinhas evitam desvios de roteiro ou inibem o assédio.

A verdade é que qualquer mensagem pode ser criada e encaminhada pelo celular independente de ser verdadeira ou um simples artifício para modular a vigilância paterna.

Estar “almoçando com amigos” vale tanto quanto “estar no motel x com amigas”.

“Estive reunido com uma cliente” é tão verdadeiro quanto “encontrei-me com uma ex-namorada e tomamos um drinque”, com a singela diferença de que as segundas alternativas não vão para o WhatsApp.

Com a tecnologia moderna, a nova linguagem da internet, os magistrais recursos disponíveis aos jovens desde a mais tenra infância o mundo não será o mesmo. E pode escrever: será muito mais inseguro (e não seguro como pensam alguns).

Nem preciso lembrar que há poucos dias alguém leu no celular que havia um interessado em seu carro, anunciado na internet. Acreditou no que leu. Poucos minutos depois, estava morto e enterrado em um poço desativado.

O fato é que, sobre a próxima mensagem de WhatsApp que você ler no celular, será melhor perguntar: será verdade? Em 90% das vezes, será mentira.

Maranhão

Estamos recebendo hordas de bandidos do Maranhão em nosso sistema de turismo penitenciário. 

Não seria algo extraordinário, já que temos um presídio de segurança máxima para isso mesmo, não fosse a cara-de-pau e o estelionato aplicados ao nosso povo pela cínica governadora Roseana Sarney.

Cara-de-pau e estelionato, sim, já que ela recebeu milhões em verbas do BNDES para melhorar seu vergonhoso sistema carcerário, gastou o dinheiro sem fazer nenhuma obra e, de repente, quando a violência fugiu do controle, exportou seus meliantes para outros Estados.

Pior, como virou costume nesse governo do PT, o próprio Ministro da Justiça foi lá, passar a mão na cabeça da governadora e, sem falar uma palavra sobre o desvio do dinheiro, assinar o protocolo de transferência dos presos…

Pois bem, topei com um sermão do Padre António Vieira, pronunciado na ilha de São Luís do Maranhão, no ano de 1654, onde ele já dizia sobre a terra dos Sarney:

“Estes são os dois vícios do Maranhão, estas as duas influências deste clima – ócio e mentira”.

“Não há gente mais mentirosa, nem mais preguiçosa no mundo”.

“Vede se é certa minha verdade, que não há verdade no Maranhão”.

“…mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos, que de todos e por todos os modos aqui se mente”.

(Sermões de Vieira, ano de 1654, Vol. IV, V e VI, p. 165)

Infelizmente, Vieira estava certo e, não tendo vivido até os dias de hoje, não pôde presenciar o acerto de suas palavras com os fatos atuais: a família mais cínica e abastada do Maranhão vive sobre os escombros de um povo miserável e abandonado à sorte, manipulando o poder e sucedendo-se, vergonhosa, cínica, despudoradamente, filhos, genros, netos e o próprio patriarca Sarney no poder, sempre sob as bênçãos do Poder Central.

Meu amigo Vieira, nada mudou por ali. A verdade continua passando ao largo da ilha de São Luís, o ócio ainda é a ocupação principal de Roseana e seu clã e o ônus é nosso, como sempre.

O fato é que o Maranhão é, em si, uma cruel mentira contada por todos os brasileiros.

A mentira de toga

Vi um depoimento no Youtube, contundente, direto, sobre a grande mentira do STF, de que há uma “grande controvérsia” sobre o cabimento dos embargos infringentes naquela Corte.

A dica veio do meu amigo Cid Castelo, atendendo a uma indagação do jornalista Sérgio Cruz, e quem quiser conferir vá ao link http://www.youtube.com/watch?v=cEyejHsoJMQ.

O assunto vale mais este artigo, pois trata-se da maior Corte de Justiça do País, onde dúvidas desse jaez não podem (ou não deveriam) subsistir, tal é o grau de experiência de cada um dos Ministros (exceção feita, por minha conta e risco, a Dias Toffolli, um mero cavalo de tróia nomeado pelo PT) na análise de textos legais.

A lei 8.038/90, que trata da tramitação processual nas cortes superiores não tratou do recurso de embargos infringentes e, pior, ao final, revogou as disposições em contrário (como, aliás, todas as leis o fazem).

Com isso, deitou por terra o regimento interno do Supremo, que ainda agasalhava esse recurso.

Assim, como diz o vídeo acima citado, é uma grande falácia, um falso dilema, uma mentira afirmar que existe uma controvérsia jurídica sobre o cabimento dos embargos infringentes.

Esse recurso visava um novo julgamento quando havia uma decisão não unânime, sendo, exatamente, o argumento do voto vencido a espinha dorsal do recurso.  Só que o julgamento de uma turma de 3 desembargadores, decidido por 2 x 1, seria revisto por um colegiado maior, vale dizer, outra corte, outros julgadores.  Esse é o espírito do recurso, pois, de que vale pedir que os juízes julguem novamente um processo logo após proferirem seu veredicto? É claro que, salvo milagre, irão repetir seu entendimento!

No caso em tela, o chamado julgamento do mensalão, montou-se uma barricada de advogados e juízes em favor dos mensaleiros, visando rever, reconsiderar os votos dados contra eles.

Mas aí é que reside o problema ou, na minha opinião, a ausência de problema! Não há nenhuma corte maior do que o plenário do Supremo! Quem vai julgar de novo os embargos infringentes?

Os mesmos juízes!  O score será o mesmo: 5 x 4! Salvo se a minoria migrar para a maioria ou vice-versa, o que, convenhamos, é possibilidade remota.

Ah, dizem os mensaleiros, agora temos mais dois juízes e o quórum é de 11, não mais de 9 ministros. Outra balela. Os dois juízes – Barroso e Zavaski – não votaram da primeira vez, ainda não estavam na Corte, e não podem “rever” o que não viram, “reconsiderar” o que não consideraram!

O voto de ambos será absolutamente nulo e imoral.

Não vou repisar hipóteses – todas prováveis – de que Lula visitou ministros que nomeou, cobrando a fatura em forma da minoração da pena dos mensaleiros.

Deixo essa divagação para a história. Mas não vou passar batido acolhendo a tese – de todo mentirosa e falsa – de que persiste uma controvérsia jurídica sobre esse recurso que já não existe em nenhum outro tribunal.

O Ministro Melo pode até inovar, acolhendo agora os embargos e aliviando a situação de Dirceu, Delúbio e companhia. Seria uma pena e uma surpresa. Mas terá de responder às gerações futuras por essa gambiarra no maior Tribunal brasileiro, provavelmente, a mentira mais desmoralizante de todos os tempos.

Primeiro de maio ou abril?

Neste primeiro de maio, com 66 anos, reflito em meio a fogos e comícios ao longe, que trabalhei desde os sete anos, tendo minha primeira carteira assinada aos 14.

Ao longo de uma vida que não foi refresco, patrões e governo, sempre contra minha vontade, descontaram parte de meus salários para recolher ao INPS e depois ao INSS.

Diziam que era para eu ter assistência médica e social e, quando chegasse à idade certa, no fim dos meus tempos, me aposentasse.

No quesito assistência médica atravessei um primeiro de abril constante entre filas, postos de saúde sem médicos e hospitais malaparelhados e falta de dinheiro para medicamentos.

De qualquer forma, nunca deixei de trabalhar um só dia nesses anos, “doando” os primeiros quatro meses de salário para pagar tributos e tentando sobreviver com o restante.

Nunca me conformei em pensar que meus recolhimentos estavam lá, sendo “administrados” pelo governo federal em benefício de milhares de políticos e gordos funcionários públicos que não precisavam me roubar para ter os melhores hospitais do país.

Ao atingir a marca de mais quatro anos além do período de contribuições, fui convencido pela minha filha que era bobagem não me aposentar e continuar aquela “doação” ao fisco. Pedi os cálculos à Previdência e começou o último de meus calvários.

Nas contas da Previdência, o que você recolhe em dobro fica para o governo. Durante muitos anos, quando servi à Assembleia Legislativa como assessor parlamentar, recolhi pelo órgão, como advogado e como sócio de empresa privada.

Os cara-de-pau cortaram todos os recolhimentos da Assembleia e os que fiz como sócio, acolhendo apenas os de advogado. Assim fizeram com recolhimentos de jornalista, em que trabalhei para a Abril (revista Veja, Placar, etc.) e para a Folha de S. Paulo, como revisor freelance. A tesoura do governo “reconheceu” apenas uma das empresas.

Para encurtar, o processo de cálculo e concessão da aposentadoria demorou mais de dois anos, contas pra lá e pra cá, despachos, pedidos de documentos, tesouradas neste ou naquele recolhimento e acabei atingindo a idade máxima para aposentar por idade.

Foi o que fizeram. Um dia fui surpreendido pela notícia de que iriam, após quase quarenta anos de contribuições, algumas em dobro, e 65 anos de idade, me pagar uma aposentadoria de 890 reais, insuficiente para comprar os remédios controlados de que preciso.

Recorri ao Judiciário. No início, também fiado na promessa de que a Constituição me garante alguns direitos, tive até a sensação de que o magistrado estava atento aos meus direitos. Em seu despacho inicial disse que o processo deveria ter rito especial, por ter eu mais de 65 anos.

Quase dois anos de tramitação, com as contestações mais desonestas da Previdência, tentando justificar o injustificável, ou por que, após tantos anos de recolhimento e verdadeiro roubo em meus salários, iriam me pagar aquela esmola, o processo acumula papel.

Foi mais uma promessa vazia, uma intenção generosa mas falsa.

Não tenho esperança de que esse processo termine antes de cinco, seis anos e para conferir, preciso sobreviver.

O fato é que, em meio a fogos de artifício e discursos pomposos, sejam na av. Paulista ou na Fernando Correa da Costa, seja no INSS, na propaganda oficial ou no Poder Judiciário, o primeiro de maio continua sendo um tremendo estelionato de 1º de abril.

Asterisco

Asterisco, de acordo com a definição do Dicionário Aurélio, é o sinal gráfico em forma de estrela. Mas em comunicação, especialmente, na propaganda comercial, é a estrelinha que esconde a pegada, a mentira, aquilo que o consumidor “não pode saber”. Se ele souber o que está atrás da estrelinha não vai comprar, não vai contratar, não vai aderir ao contrato.

Um carro de determinada marca, pelo preço promocional de 20.000 reais, tem um asterisco. Atrás do asterisco, informa-se que ele não tem ar condicionado, não tem vidro elétrico, não tem direção hidráulica, não tem garantia e assim por diante.

A passagem de avião de 60 reais traz asterisco que esconde as pegadinhas: não tem serviço de bordo, não tem horário certo para sair, o passageiro é obrigado a viajar em determinada época, sob pena de perder a promoção.

O cliente pode usar aquele cartão da seguradora em caso de acidente na estrada. O asterisco esconde que o acidente tem de ser com perda total, com vítimas fatais (acima de quatro mortos, senão a promoção não vale) e a batida tem de ser no Estado do Rio de Janeiro…

Agora mesmo, nos cruzamentos de Campo Grande, uma propaganda volante diz que você pode adquirir seu primeiro apartamento por “apenas 3.400,00 de entrada”. Asterisco. Na pegadinha, “… e mais condições do contrato”. Ou seja, tem de ter renda mínima, fiador, certidão de confessionário, não ter hepatite, contar com emprego na Petrobrás…

Afirmo que atrás do asterisco (salvo nos casos em que a informação tinha muito texto e sobrou alguma coisa para o rodapé) há sempre algo que o consumidor não vai gostar, uma mensagem restritiva, um pé atrás.

E isso é óbvio. As coisas positivas (“pague dois e leve três”) são entregues de bandeja para que atrair o consumidor. As mazelas, as restrições ficam atrás daquela estrelinha esperta. “Cure a calvície em cinco aplicações” terá sempre uma estrelinha explicando que “se a calvície persistir, procure um médico”.

“Problemas de impotência nunca mais” tem uma estrelinha com o sinistro aviso de que “problemas cardíacos não estão descartados”. Atrás do asterisco você fica sabendo que pode morrer em pleno ato sexual.

O asterisco institucional, aqueles avisos ilegíveis que aparecem na TV, logo depois do anúncio principal, servem apenas para “cumprir a legislação”. Como em 30 segundos não dá para ler aquele monte de informação, os avisos restritivos (normalmente sobre anúncios de veículos, o que é mais grave) rolam na telinha rapidamente, em letras embaçadas e absolutamente misteriosas.

Na verdade, ninguém está cumprindo a legislação nesse quesito. Então, espertamente, o consumidor interpreta: a mentira principal vem à frente e atrás do asterisco se esconde a mentira secundária, provando que, enfim, nada no anúncio é verdade.