Os caras-de-pau

Além de fraudadores do Tesouro, voam pelo Brasil em campanhas milionárias, nas asas de jatinhos privados, escrevem na mídia (Dirceu tem até blog!) e deitam lições a nós outros, os que produzem enquanto eles gastam.

Essa turma cara-de-pau não tem moral para me ensinar coisa alguma e deveria, sim, ter vergonha, recolher-se para não escarnecer, rir, tripudiar sobre todos nós, os brasileiros de verdade, os que pagam o seu lanche.

O PT lulista propaga pelo país que não há  impunidade no caso do julgamento do STF, mas o exercício do direito a “embargos infringentes” ou, simplesmente, a revisão das penas aplicadas aos bandidos do colarinho branco.

Essa alegação é sofrível, pois o pior de tudo não é o resultado do julgamento ou os corcoveios em busca de uma eventual revisão das penas, mas, sim, o fato de ter existido um mensalão.

A vergonha é um partido, ao assumir o poder central, estruturar um assalto institucional aos cofres públicos para custeio de pilantras entronizados no Congresso.

Esse mesmo partido vociferou contra Collor e PC Farias e, quando chegou a sua vez, não-só repetiu, mas ainda aperfeiçoou o crime.

No caso dos 10% do FGTS, um ardil dos congressistas para burlar uma condenação da União pelo STF. Os depósitos do FGTS foram tungados durante o famigerado Plano Collor. Sob a balela de que a União ia falir se pagasse os 45 bi da condenação, políticos malandros fizeram tramitar, a toque de caixa, a lei que transferiu o a condenação ao setor privado.

Ou seja, condenada Maria, os safados remeteram a pena para João, na maior desfaçatez, impondo um acréscimo de 10% nas verbas rescisórias. Passado o prazo de assalto ao bolso privado, os mesmos pilantras resolveram prorrogar o furto, sob a alegação de transferir o dinheiro para “programas habitacionais”.

Claro que nenhum empresário sério pode deixar barato esse escandaloso golpe.

Sobre os bilhões gastos com o Bolsa Família, o PT mascara a verdade de uma impiedosa drenagem do Tesouro, sem nenhuma contrapartida, com rombos já detectados pelo Brasil afora – até prefeitos sacando dinheiro do programa em benefício próprio! – e com milhões de brasileiros pendurados no bem-bom de uma migalha que desestimula o trabalho produtivo e a ascensão sócio-econômica com trabalho de verdade.

As expressões eufêmicas, senão ridículas, “distribuição de renda” e “divisão do bolo enquanto cresce”, escondem uma triste realidade: milhões querem dividir sem produzir, ou seja, nós todos que trabalhamos cinco meses por ano para pagar tributos fazemos o bolo para os petralhas distribuírem em tenebrosas transações eleitoreiras.

Ultimamente, o governo Dilma Rousseff espalhou uma brisa no deserto cultural em que Lula da Silva (que se vangloriou no exterior de que nunca leu um livro!) lançou o Brasil em seus dois períodos de governo, criando o Pronatec, investindo recursos em educação profissionalizante com auxílio do Sistema S (Senac, Senai, Senar), que, indiscutivelmente, tem mais experiência em educação e em economia de recursos.

Em Mato Grosso do Sul, o SESI encerrará 2013 com pelo menos 40 bibliotecas espalhadas por diversos municípios. Se muito não houvesse de positivo a relatar sobre essas iniciativas, um só fato mereceria destaque: quando se projeta uma obra de 200 mil reais no Sistema S, ela será construída por 200 mil, a conclusão será no prazo previsto, sem dispersão de nenhum prego ou saco de cimento. No setor público, o que custaria 200 vira 800, prolonga-se no tempo, o canteiro de obras vira plantação de capim e ferrugem.

Quando vejo, na mídia, petistas de plumagem variada em sua revoada pelo país, defendendo seus mensaleiros e a salvaguarda de seus privilégios em estatais e cargos públicos bem remunerados e azeitados por mordomias, especialmente, quando Lula ameaça o povo brasileiro (especialmente os que trabalham cinco meses por ano para o governo) com seu retorno ao Planalto, estremeço de pavor.

Não é possível que nós, brasileiros que trabalham e produzem, deixemos o país nas mãos dos mesmos mensaleiros, os Genoínos, os Dirceus, as Rosimary, os João Paulo Cunha da vida.

Está  na hora de reagir.

O país de Zé Dirceu

O Brasil é um país sem ética. Como disse um conhecido colunista, quando Collor foi expelido do poder o país pareceu despertar para um novo tempo, para uma revisão de costumes éticos e morais. Foi engano.

Ao invés de melhorar o padrão moral, o Brasil elegeu Lula e sua quadrilha, engolfando-se na lama por décadas. A mancha que ficou não será lavada por muitos anos.

O eleitor continua trocando seu voto por dentaduras, bonés, camisetas e promessas de emprego, quando não o vende por cinquenta reais, pura e simplesmente.

As obras são superfaturadas, estabelecendo-se um banquete entre empreiteiras e funcionários públicos desonestos que só piora a cada ano, a cada mandato, a cada ciclo administrativo.

Não estamos caminhando para um mundo melhor, mas, sim, para a esbórnia das obras da Copa e das Olimpíadas.  Desde o momento em que o Brasil conseguiu vencer a disputa por sediar esses eventos as “forças ocultas” começaram a dividir o bolo de projetos.

Um dos mais famintos e mais bem sucedidos foi justamente o ex-senador Luiz Estevão, condenado a 36 anos e meio de prisão e ao pagamento de  3 milhões de reais em multas por patranhas na construção de obras públicas.

O colunista conclui dizendo que o julgamento do Mensalão também poderia ser um divisor de águas, uma espécie de antes e depois mas que corre o risco de ser diluído em óleo de peroba, tal é a desenvoltura de Lula, Zé Dirceu e outros atores quase presidiários na negociação de grandes projetos nacionais.

Foi assim que o filho de Lula, um pé-rapado no início do governo paterno, se tornou dono da Telemar e de outros mega-projetos financeiros nebulosos e bilionários. Da mesma forma, não há um grande negócio envolvendo Petrobrás, empresas de telecomunicações ou parcerias entre Venezuela e Brasil, ou, ainda, entre o país do horroroso Evo Morales e a gorda viúva chamada Patropi que não tenha o dedo de Zé Dirceu e seus asseclas.

Dilma e seus mais próximos fazem cara de paisagem, assim como Lula quando era o presidente “não sei, não vi, não quero saber”.

Com Mensalão ou sem ele, continuaremos um país sem ética. Cada um que se lucuplete como puder, que aproveite como puder, que a impunidade é certa.

E a sensação de ilicitude, de faz-de-conta é tão incorporada à nossa cultura que a “Veja” sempre traz publicidade disfarçada de matéria, uma prática proibida na Europa e até mesmo nos Estados Unidos, nos jornais e revistas que honram esse nome.

Esta semana, sob o título “Pelo direito de brincar”, a indústria de armas de brinquedo compraram uma “matéria” tentando justificar a produção de “lançadores” de dardos de espuma, dizendo que o artefato “não transforma crianças em bandidos potenciais”. “Ao contrário”, conclui o repórter cara-de-pau.

Os brinquedos “são coloridos, modernosos e foram desenhados para não se parecer em nada com algo bélico, tanto nas formas quanto no conceito”.  Mas… “têm mecanismos de ar comprimido, baterias e podem lançar até três dardos por segundo”.

Nenhum aviso de que é “anúncio”. Assim como a matéria sobre Tufão e Carminha, contratada pela Globo para estimular o público de novelas.

Num país como esse, com órgãos de imprensa que se prestam a esse jogo, não há ética que sobreviva.

A Lula do que é de Lula

Em princípio, devo agradecer a Lula por ter sido um bom mordomo, aquele que cuida da casa quando os donos viajam. Pegando um governo bem azeitado, com inflação controlada, com nossas autoridades monetárias respeitadas no exterior, nada mais tinha de fazer senão continuar fazendo o arroz com feijão, controlando a moeda, o Banco Central  e intervindo pouco na economia para deixar o empresariado trabalhar.

Depois da genial transição via URV e da criação do Plano Real, por Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e seu fenomenal garoto-prodígio Gustavo Franco, parodiando o próprio Lula, até mesmo um poste governaria o Brasil.

Nisso foi exemplar. Mesmo quando teve Palocci no Ministério, depois Paulo Bernardo e, sobretudo, Meirelles, não abriu mão de manter a casa como achou. Beneficiou-se e ainda se beneficia o Brasil do ótimo trabalho desenvolvido por Pedro Malan e Armínio Fraga à frente do Ministério da Fazenda e do Banco Central, respectivamente. Por eles somos respeitados no exterior e não porque Lula é presidente.

O Ministro Sérgio Motta havia iniciado a privatização dos dinossauros estatais – Embratel, Vale, Eletrobrás e tantas outras monstruosidades – que só drenavam nossos recursos em folhas de pagamento de servidores inúteis, sem capacidade de investimento. Numa entrevista histórica, Motta disse que todo mundo teria um telefone ao fim do seu mandato, o que me pareceu bazófia na época, tal era o estado de atraso em que nos encontrávamos.

Um telefone custava dois a três mil dólares, tornando esse benefício um bem distante do brasileiro comum. Hoje, minha empregada Isabel tem dois celulares, minha mãe, anciã de 84 anos, chama-me ao celular para buscá-la na fisioterapia e estudantes de bem tenra idade têm seus celulares sofisticados e cheios de recursos.

Lula tem aí mais um mérito. Se governasse apenas para seu PT rançoso, ao invés da universalização do telefone, estaríamos afundados em orelhões do Oiapoque ao Chuí, única tecnologia que os vermelhos conhecem.

Paulo Renato, Ministro da Educação, convencido de que sem avaliação do ensino existente não se poderia avançar em programas de melhoria que nos tirassem do atraso atávico e nos levassem ao primeiro mundo, deixou nas mãos de Lula o mais revolucionário sistema de avaliação das estruturas de ensino – o ENEM, que permite a um estudante entrar na Universidade sem precisar do anacrônico vestibular. Além disso, podem-se avaliar professores e universidades, iniciativa que permitiu fechar vários cursos improdutivos e caça-níqueis no país.

Embora Lula tenha prosseguido nessa avaliação, chegando até a aperfeiçoá-la criando o IDEB, um índice mensurável sobre qualidade e evolução do ensino, a turma do PT começou a escorregar na maionese com suas teses de atraso, criando as tais cotas para negros, índios e outras minorias, abolindo o sistema meritocrático usado em todo o mundo.

Isso faz com que pessoas trazidas à universidade pelas cotas avancem penosamente pelo aprendizado e pelos exercícios, vale dizer, pelo conteúdo programático escolar, sendo barrados lá adiante quando chegam ao mercado de trabalho. Coisa do PT, sonhar que um motorista de ônibus possa pilotar um jato de última geração.

O Ministro da Saúde Serra, hoje candidato, enfrentou forças poderosíssimas nas instâncias internacionais para quebrar patentes de medicamentos essenciais ao combate à AIDS e à criação dos genéricos. Em consequência, pessoas pobres podem comprar medicamentos pela metade do preço, com o mesmo princípio ativo das marcas mais famosas.

Isso Lula aproveitou e, espertamente, como bom mordomo, deu sequência.

Finalmente, para não ficar recordando feitos do PSDB, a própria bolsa-alimentação criada por Fernando Henrique Cardoso, por inspiração de seu Ministro da Educação Paulo Renato, foi transformada por Lula e seus panfletários petistas em bolsa-família, uma esmola para fins eleitoreiros. A diferença fundamental é que Paulo Renato queria que as famílias recebessem o benefício como incentivo à escolarização dos filhos. Lula apenas entrega o dinheiro.

O efeito foi que prefeitos e funcionários corruptos passaram a receber o bolsa-família para seus cabos eleitorais e apaniguados, mantendo extensos currais eleitoreiros, especialmente nos maiores bolsões de pobreza nordestinos.

Aí, infelizmente, falou mais alto o passado sindicalista do velho Lula e ele deixou-se levar por seus petistas aloprados e mensaleiros. Passou a seguir a cartilha tenebrosa de José Dirceu, manipulador das sombras, com aliados oportunistas como Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros, Collor de Melo e governar por manchetes sensacionalistas.

Fez muita besteira internacional, levado por intelectualóides de ocasião, apoiando Fidel Castro, Chávez, Abdinahjad, Evo Morales e Lugo, presidentes que só saíram do sarcófago para ouvir “o cara”, apelido irônico dado por Obama e que foi incorporado pelo vaidoso sapo barbudo dali em diante.

Mas, apesar de todos os méritos, de bom mordomo, capaz de manter o excelente governo que lhe deixou o PSDB daqueles heróis acima citados, meu puxão de orelha vai para o aparelhamento do Estado, por deixar o Tesouro na mão de Erenices, Genoínos, sanguessugas, aloprados e puxa-sacos que fizeram Lula criar e acreditar em balelas como PAC e Pré-Sal.

Nisso falhou o operário-presidente. Mas não desnatura o seu maior mérito: manter o Brasil no mesmo trilho sonhado e planejado por FHC, Motta, Paulo Renato, Armínio e Malan.

Neste 31 de outubro de 2010, vamos enterrar os erros de Lula e retomar o caminho iniciado pelo PSDB e seus craques.

Governo anti-Robin Hood

Quando vejo o Brasil tirando dinheiro de nosso povo, deixando faltar moradias, saneamento básico e saúde pública de boa qualidade, para entregar a banqueiros (que lucram 800% ao ano ou, contados em moeda, 4 bi um ou dois trimestres) ou, absurdo dos absurdos, ao FMI!

Tenho defendido uma mudança de rumo na campanha do PSDB, embora critique as conexões do partido com Roberto Jefferson, Orestes Quércia e outros próceres do atraso e das trevas.

Defendo que ao invés de ficar batendo em Lula e no seu governo, Serra passe a reconhecer o que todo o Brasil sabe: não foi um mau governo e por isso Lula navega em um mar de popularidade.

Ou seja: é preciso, é inteligente, ajusta-se ao bom senso continuar no rumo que o Brasil tomou com o presidente operário.

Dito isto, o centro da questão é que Dilma não é a pessoa certa para continuar esse processo. Serra pode não ser o melhor, mas é o único com capacidade técnica e política para a missão de… prosseguir governando o país sem grandes alterações.

Serra enfrentou laboratórios, criou grandes novidades e benefícios na área da saúde, governou muito bem São Paulo, o maior Estado do país, o que, em certo sentido, é tão complexo e difícil quanto governar o Brasil.

Não teríamos o cenário de desgoverno que se acena com Dilma (um governo completamente aparelhado e voltado aos interesses de Zé Dirceu, Temer, Sarney e sua turma) nem o cenário cataclísmico de Marina, onde o país passaria a ser um cartório de proibições e algemas ao desenvolvimento.

Então, perguntam-me os mais próximos, o governo de Lula não tem nada para a oposição bater? Há. Contesto o fato de um país cheio de desigualdades, pobreza, fome, desemprego e saúde precária, para ficar em alguns itens, emprestar dinheiro ao FMI apenas para mostrar que tem reservas cambiais!

Contesto o fato de beneficiários do bolsa família não serem estimulados ao trabalho produtivo, não terem interesse em contribuir com seu trabalho para reposição do bolo tributário que consomem em mensalidades e carnês.

Mas isso é pouco para desfigurar o bom desempenho da economia e a satisfação dos mais pobres com o presidente.

Desafortunadamente, falta um pouco de luz aos tucanos.

Honestidade tucana

Tenho visto as propagandas políticas e assistido a entrevistas dos principais candidatos. Fora as bobagens que vejo em santinhos e material publicitário em geral, onde a tônica é uma impressionante ausência de criatividade, o que me intriga é a falta de honestidade dos candidatos.

Lula, que não acredita na capacidade de Dilma para continuar seu trabalho, obriga-se a elogiá-la, estimulá-la, mas, a verdade é que a candidata é um enorme elefante, difícil de carregar.

Sem carisma, claudicante, olhos inexpressivos, frases desconexas, tartamudeando sandices na TV, é difícil acreditar que um cara experiente como Lula nas lides de campanhas e captação de votos pôde escolher candidata tão ruim.

Marina, coitada, gasta o parco dinheiro do Partido Verde em uma campanha onde o máximo que ela conseguirá é ser deputada, vereadora ou talvez prefeita nas próximas eleições.

Já Serra está cometendo um grave erro. Está tentando não cair da corda bamba, perdido entre elogiar ou condenar o governo Lula. Não conseguindo fazer nem uma coisa nem outra, sua campanha é pífia, descaracterizada e vem perdendo terreno.

A campanha pela TV será decisiva, sim, mas para a candidata-laranja de Zé Dirceu e Lula, pois este entrará na campanha, com seu grande prestígio e liquidará a fatura.

Assim a menos que Serra formate sua campanha com inteligência, auxiliado por um bom marqueteiro, que, a meu ver, ainda não desembarcou na assessoria do tucano, a vitória será do presidente-operário e seu comandante das trevas Zé Dirceu.

Na TV, a única campanha inteligente será assumir que o governo Lula precisa ter continuidade e, a partir do ano 2011, melhorar em alguns aspectos. Aí, entrar com a conclusão, absolutamente, verdadeira: só José Serra está preparado para continuar esse governo e dar-lhe novo alento.

Seria uma prova de honestidade, transparência e atrairia milhões de eleitores que admiram Lula, sim, mas que não querem continuísmo com Dilma.

Em resumo: o que é bom, deve prosseguir; o que ainda falta fazer, será feito. O mais capacitado é Serra. Nada mais.

Esse seria uma prova de honestidade e também de respeito para com o povo brasileiro.

Falso brilho

A mídia amiga de Lula anunciou o prêmio Chattam House, conferido ao presidente em Londres. De acordo com o site da organização promotora Lula é reconhecido como peça chave na estabilidade da América Latina e por seu papel de líder na solução de crises regionais.

Holofotes, discursos, olhos brilhando, o presidente estava alegre, altaneiro, falante, o que, aliás, não é novidade alguma.

Só que a verdade por trás das luzes era outra. O prêmio é uma promoção cara, bancada por entidades internacionais e nacionais do mundo dos negócios.

A cerimônia de entrega é um daqueles eventos em que se paga o olho da cara para sentar-se a uma mesa e ouvir o discurso do presidente. Dizem que não ficou por menos de 25 mil euros a cabeça.

Gigantes como HSBC, Petrobrás, Rolls-Royce, Santander, Bradesco, Itaú e estatais como o Banco do Brasil e o BNDES pagaram a conta da festa.

Explica-se a participação dos bancos, que lucraram assustadoramente nos últimos anos – só o Bradesco anunciou lucro de 8,6 bilhões em 2009, imaginando-se que os outros bancos estejam perto dessa cifra.

Participantes curiosos como a British American Tobacco, com seus charutos e cigarros, e a Chivas Brothers, certamente não com a 51, deram sua contribuiçãozinha para o rega-bofes.

Até a TAM e a Telefônica (imagine!) compraram seu lugar à mesa.

Fico a pensar na validade de um prêmio desses, pago com dinheiro privado e estatal, para simular um prestígio inexistente. O que se sabe ao certo é que todas essas empresas tiraram ou tirarão algum lucro desse investimento, digamos assim, institucional.

Os bancos já tiraram, a Telefônica, a TAM, etc., já receberam seu quinhão e nenhum que ali compareceu o fez sem interesse. Alguns, até, foram “gentilmente convidados” a colaborar.

No histórico de Lula, há poucos meses, figura um jantar onde os participantes morreram com 5 000 a cabeça. Coisa de louco. E, pasme, leitor, muitos petistas novos ricos na fila de “cumprimentos”.

Está virando moda.

Lembro-me de uns diplomas que os restaurantes penduravam na parede, como se fossem prêmios ou condecorações conferidas por uma entidade qualquer, de nome pomposo. Eu ficava impressionado. Primeiro lugar em 1977, primeiro lugar em 1978, e assim por diante.

Hoje sei que aqueles diplomas de honra ao mérito eram comprados e empulhados à clientela.

No fim da noite, vi um pedaço do Grammy Latino, outra empulhação que veio a propósito, como a me recomendar a comparação.

Sérgio Reis, um dos ganhadores, já começou a entregar o jogo logo de saída, na entrevista à Band. A medalha, a foto no saguão do teatro e tudo o que mais esteja ligado ao prêmio é pago. O jantar na noite de véspera, quando se confraternizam os “que ainda não sabem” se ganharam, é 500 dólares por cabeça.

Nessa noite já se sabe, nos bastidores, que os patrocinados de sempre, pelas maiores gravadoras e produtoras já estão com a mão no prêmio, comprado a peso de ouro pelos conglomerados.

É um investimento brutal em imagem. É business, não é mérito.

O coquetel de recepção no dia da premiação é 250 dólares a cabeça. O jantar de comemoração é pra morrer com outros 500 dólares.

No prêmio de Lula foi um jantar de agradecimento pelo que tem feito pelos bancos e grandes empresas instaladas no país. No caso do Grammy, uma grande vitrine de produtos das gravadoras.

O de Lula, ao menos, anuncia os patrocinadores.  É honesto. E não temos de ouvir Caetano Veloso.