4492%

Ontem, no painel econômico da Globo, a cara simpática e confiável de Gustavo Franco apareceu, juntamente com um item de museu que ele ajudou a enterrar em 1994, aquela famigerada maquineta de remarcar preços.

A pretexto de falar sobre os 20 anos do Plano Real, o programa relembrou o tempo em que os produtos aumentavam duas, três vezes ao dia. O tomate, em março de 1994, chegou a 4.492%, o que hoje provoca risos mas na época fazia chorar.

Fernando Henrique Cardoso, convidado para ser Ministro da Fazenda, recusou dizendo que era neófito em economia. O teimoso Itamar Franco, então presidente, não lhe deu ouvidos e nomeou-o assim mesmo, obrigando um Professor de Sociologia da USP a escolher um time extraordinário para auxiliá-lo na tarefa de liquidar a inflação.

Gustavo Franco, Persio Arida, André Lara Resende, Sérgio Motta, Pedro Malan, Pedro Parente e, algum tempo depois, Armínio Fraga, para citar os mais conhecidos, bolaram a engenhosa saída da URV – Unidade Real de Valor, uma moeda virtual que permitiu à sociedade brasileira, já escaldada com tantos planos mal-sucedidos, ir se acostumando com a nova realidade.

O resto é história que hoje faz vinte anos. Vieram as privatizações, que nos levaram ao que hoje temos em telefonia e tecnologia, informática e comunicações. Os avanços na Educação, conduzidos pelo ministro Paulo Renato, um grande prestígio internacional, pilotados por Pedro Malan e sua equipe.

Enfim, nesses vinte anos, apesar de todos os ataques do PT, que, inclusive, votou no Congresso contra o Plano Real (embora, verdade seja dita, Lula em seu primeiro mandato manteve as linhas gerais do Plano, já que não é bobo), ele sobreviveu até hoje, mostrando que sua solidez estava acima de tais ataques.

Infelizmente, o PT desnaturou algumas linhas principais do Plano, como controle da economia, gastos abusivos da máquina pública sem a correspondente fonte de custeio, controle de preços (coisa que, absolutamente, não fez parte do ideário do Plano Real) que, ao final, quando forem liberados, afetarão pesadamente a economia.

Hoje, altos funcionários gastam o que querem nos cartões corporativos (verbas secretas, em nome da Segurança Nacional!), há uma febre de nomeações em todos os níveis de poder e o Brasil começa a fazer água em seus principais fundamentos de estabilidade há tanto tempo conquistada.

É nesse clima que voltamos a mais uma campanha eleitoral. Desta vez não estamos querendo substituir um presidente por outro, uma questão de nomes. Desta vez queremos, ansiamos, desejamos o nosso verdadeiro Brasil de volta. Queremos o fim da mamata, as safadezas, os mensalões, as traquitanas, as negociatas no Palácio do Planalto.

Queremos o time do Plano Real de volta. Queremos a meritocracia, o critério de desempenho, de eficiência da máquina pública.

Sobretudo, não queremos mais o tomate a 4.492% nas prateleiras, os gastos perdulários, a fome arrecadatória e o desperdício sem controle e impune.  Queremos a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal (aliás, outra criação do time do Plano Real) nessa turma.

Queremos, sim, o nosso pais de volta.

 

 

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