Quem ouvir favor avisar

Olhaí, São Pedro, Juca Ganso está chegando por essas paragens.

Utilizando seu bordão famoso, quem ouvir, favor avisar por aí que ele partiu daqui bem cedinho, sem avisar a gente que gosta dele.

Carlos Achucarro, 84 anos, o Juca Ganso, fez o maior e mais prestigiado programa de rádio de Mato Grosso (só depois convertido em Mato Grosso do Sul), “A hora do fazendeiro”.

Já escrevi sobre ele antes, mas vale a pena relembrar alguns detalhes dessa preciosa vida que perdemos. Com sua linguagem matuta, que falava diretamente aos fazendeiros e peões desse imenso Pantanal, ali pelo meio-dia, ele fazia o anúncio:

– Dona Maria do Socorro avisa que saiu do hospital e vai esperar na Pontinha da Coruja, às 4 horas da tarde. Quem ouvir favor avisar…

Por mais de 20 anos esse foi o canal de comunicação do povo simples do sertão.

Faço um paralelo, de maior merecimento, entre Juca e o âncora americano Walter Cronkite, que foi o jornalista de TV mais prestigiado do mundo. O lema de seu programa era “não saia de casa sem vê-lo”.

Walter ficou por mais de quarenta anos ancorando o seu programa. Respeitado e admirado, quando se aposentou, recusou-se a fazer um programa de tv sobre o Vietnam. Sua posição era definitiva: “Estou aposentado. Definitivamente”.

A rádio e a tv são concessões públicas. Supostamente, devem prestar serviço de utilidade pública. Infelizmente, por desvios e desvãos que só o Brasil conhece, essas concessões viram grandes empreendimentos lucrativos, onde só entra utilidade pública se alguma autoridade requisitar o horário.

Na rádio de Juca Ganso, a Educação Rural, não.

O seu programa era todo utilidade pública, num tempo em que não havia estradas nesse mundão de Deus.

Certa vez presenciei numa fazenda, onde passava minhas férias, a chegada de peões a cavalo, a canoa, a pé, para, em volta de um velho aparelho de rádio Semp, ouvirem a Hora do Fazendeiro.

Enquanto rolava o chimarrão, ouviam-se as modas de viola e os recados do velho Juca.

Não tinha uma câmera, mas dificilmente a foto, que estaria hoje amarelada, expressaria a imagem que conservo na mente e agora divido com você.

No momento em que vive o Brasil, sacudido por imensas multidões que vão às ruas atendendo a um “quem ouvir, favor avisar” do twiter e do facebook, Juca merece ser lembrado como personagem de um enorme fenômeno chamado rádio, e, dentro desse fenômeno, um acontecimento ainda maior, chamado A hora do fazendeiro.

Como jornalista aposentado, estudioso dos fenômenos de comunicação de massa em moda no país, rendo minhas homenagens a Juca Ganso, um comunicador não só de seu tempo, mas dos tempos de agora, da internet e do onipresente rádio.

Tenho dito. Quem ouvir, favor avisar.

Google e Facebook estudam blecaute contra censura digital

Google e Facebook, dois dos gigantes da internet, estudam tirar os serviços do ar por 24 horas. O objetivo, segundo o site da Fox News, seria protestar contra uma lei apelidada “Pare com a pirataria on-line” (Sopa, na sigla em inglês), que avança no senado americano graças ao apoio de grandes estúdios de Hollywood. A proposta prevê o bloqueio de sites que infringirem direitos autorais e até a prisão dos proprietários. Os críticos consideram a lei tão rigorosa que mudaria por completo a internet como a conhecemos, devido às restrições generalizadas para compartilhamento de conteúdos.
Na prática, a Sopa responsabiliza os sites caso um usuário qualquer hospede uma mídia protegida por direitos autorais. Assim, os grandes portais seriam obrigados a criar mecanismos internos para combater a pirataria. Markham Erickson, diretor executivo da NetCoalition, uma associação que inclui empresas como Google, PayPal, Yahoo e Twitter, afirmou que as companhias estudam fazer uma espécie de blecaute, organizado em conjunto por alguns dos principais portais americanos. Durante 24 horas, ninguém conseguiria realizar buscas no Google nem atualizar o Facebook ou o Twitter e fazer compras on-line na Amazon.

Ao acessar esses portais, os internautas encontrariam mensagem contra a censura na internet e sugestões para entrarem em contato com os políticos americanos. Na avaliação do perito em crimes digitais e autor do livro Manual do Detetive Virtual, Wanderson Castilho, do ponto de vista técnico, não há como os grandes portais se esquivarem da responsabilidade pela quebra de direitos autorais. O motivo é que ninguém consegue postar um conteúdo a não ser usando o serviço de algum provedor. Assim, os responsáveis pelo site tornam-se coautores da pirataria.

“É justo que os sites sejam responsabilizados, porque no fim eles acabam lucrando com a pirataria”, argumentou Wanderson Castilho. Apesar disso, uma corrente considerável de internautas é contra a Sopa por considerar impossível controlar a internet sem destruí-la. “Pode-se encontrar um meio-termo, talvez com uma discussão maior que envolva toda a sociedade”, sugeriu Castilho.

Gustavo Henrique Braga (CORREIO BRAZILIENSE – BRASIL)