Reta final

Tenho o firme propósito de não votar em candidatos à reeleição nem nos oportunistas, que apenas ocupam espaço para políticos mais espertos. Um deles, saiu candidato a vice-governador para abrir vaga em favor de… sua filha! Ou seja, depois de quarenta anos recebendo sinecuras da Assembleia, vai deixar tudo como está, na família. E eu, aqui, trabalhando para pagar suas mordomias, vencimentos, passagens e salários de cabos eleitorais espalhados pelo Estado.

Nos candidatos à reeleição a questão é outra: não há uma linha de aproveitável sobre o que fizeram no passado, com o mandato que já tiveram. Então, por que voltar?

Há um outro tipo de candidato que nem deveria merecer consideração, mas os incluo na categoria dos espertos. Esses não respeitam a vontade de seus eleitores, pois se elegeram vereadores, não cumpriram ainda o primeiro mandato (quase sempre com atuação apagada e pífia) e já saem atrás do mandato de deputado.

Na verdade, querem mais e mais recursos, espaço para agasalhar seus apaniguados e familiares. Espertos é um termo modesto, ainda, para eles.

Então, vemo-nos em um deserto perguntando em quem votar? Resolvi escolher como federal Tereza Cristina, que foi, para a indústria, uma grande secretária e tem uma boa proposta para o Congresso. Já havia escolhido o Fábio Trad, melhor deputado federal, de longe, na atual legislatura, mas só posso votar em um.

Senadora Simone, pela sua biografia e pelo seu trabalho na Prefeitura de Três Lagoas, que certamente saberá honrar o mandato de seu pai, Rames, quando esteve no Senado. Como vice-governadora foi apagada pelo próprio André, que não deixa crescer lideranças em sua horta.

Como governador, tenho dúvidas pois nenhum dos três cabeças da campanha me inspira confiança.

Deputado estadual, realmente, não vejo mérito em ninguém.

Nacionalmente, com Aécio, torço por derrubar a petralhada do poder. Esse é meu objetivo e se Marina servir para esse fim, que seja, embora o atraso que teremos com ela será altamente prejudicial para o país. Além de, evidentemente, ela continuar refém dos safados do Congresso Nacional.

Um último detalhe observado nesses dias de campanha. O Poder Judiciário, com o Supremo à frente, aproveitou o envolvimento do país com as eleições e garantiram várias mordomias, aumentos salariais, auxílio moradia e outras sinecuras em favor dos próprios interesses.

Mais gente na lista dos espertos. Isso é o Brasil.

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Perguntar não ofende

O exercício da democracia presume um permanente aprendizado de todos os cidadãos, governantes ou governados.

Infelizmente, o retorno de figuras caricatas como Sarney, Renan Calheiros, Michel Temer, José Genoíno, Jader Barbalho e tantos outros traficantes do poder demonstra que o povo, na hora de eleger, de fazer escolhas, ainda tem muito a aprender.

Esses “eleitos” com base numa planilha de interesses – sempre escusos! – ficam quatro, mais quatro e tantos outros quatro anos gozando de mordomias impensadas aos seus próprios eleitores, adquirem fazendas, ilhas, imóveis e guardam dinheiro em paraísos fiscais. E, ano após ano, as amebas e os carneiros que votam neles, os reconduzem aos seus cargos mais do que privilegiados.

Quando saem, por decrepitude ou outra causa, colocam a filha, um parente, a mulher ou um apaniguado, capacho ou títere preparado para a ocasião.

A cada eleição, fazem, religiosa e eficientemente, sua parte: distribuem reles empregos (os melhores vencimentos ficam para eles mesmos e seus mais chegados), camisetas, chaveirinhos, folhinhas de parede e outras quinquilharias.

A verdade é que nunca fizemos determinadas perguntas antes de sairmos casa para depositar o nosso voto nas urnas.

Essas perguntas são, pelo menos, estas:

“Quem pode fazer leis por mim?”

Se estou votando para deputado ou vereador, no mínimo, o candidato deve ter alguma intimidade com a atividade parlamentar, com o múnus legislativo. Não precisa ser advogado, mas, ao menos, deve ter conhecimentos da Lei Orgânica (tem vereador que nunca e leu!) e, se não sabe diretamente fazer leis, que contrate bons assessores.

“Quem pode ordenar a ocupação do solo urbano?”

O que o candidato sabe sobre isso, sobre ocupações dos sem-teto, sem-terras, sem isso e sem aquilo. O que sabe sobre desafetação (mudança de destinação de uma área pública), planejamento urbano e assim por diante?

“Quem pode cuidar do meio ambiente?”

As decisões sobre mananciais, sobre recursos hídricos, sobre coleta, seleção e tratamento do lixo, sobre destinação dos resíduos urbanos da construção civil, dos restaurantes, dos hospitais serão tomadas pelo parlamentar. Mas… o que ele sabe sobre isso?

“Quem pode decidir matéria tributária?”

Se meu candidato vai decidir por mim a coleta, partilha e destinação dos tributos, quero saber se ele tem alguma ideia da importância do tema. Tem vereador que não sabe o que é fato gerador.

“Quem pode legislar sobre educação?”

Projetar os investimentos em educação significa a sobrevivência de uma cidade! Os parlamentares, não-raramente, querem saber apenas quanto ganharão de propina se os uniformes das escolas públicas forem fabricadas em Minas Gerais ou São Paulo. Basta ver o recente escândalo da merenda escolar, ocorrido sob as barbas dos parlamentares.

“Quem pode cuidar do Tesouro por mim?”

Quem pode administrar a fortuna arrecadada em impostos, com honestidade, seriedade, em meu nome e a meu favor? O governo federal faz trapaças com o cartão corporativo, o Senado faz lambanças com os cargos de confiança e todos, sem exceção, querem mamar nas tetas generosas da República.

“Quem vai fiscalizar o Executivo por mim?”

Não falo de trocar torpedinhos pelo Facebook sobre a administração municipal. Falo de fiscalização séria, com conhecimento de causa. Ao contrário, é a própria Câmara que chama o Tribunal de Contas para “fiscalizar” o prefeito! Atualmente, como se fosse um parquinho de diversões, a Câmara se dedica a “cassar” o prefeito (versão oficial) e a trocar favores e cargos com ele pelo voto no processo (versão subterrânea).

Há quatro ou cinco vereadores com seus mandatos por um fio, frequentando a Câmara sob liminares. Basta ao prefeito alegar inidoneidade e suspeição desses vereadores e o processo se alongará pelos próximos dez anos.

Assim, perguntar “quem vai cuidar da cidade enquanto eu trabalho”, “quem vai ordenar o trânsito”, quem “cuidará da saúde” ou quem vai “economizar recursos” por mim me dará uma boa pista de quem vai merecer meu voto. Não será qualquer pé-rapado, empurrado por acordos partidários, que há de me representar nas Câmaras ou na Assembleia.

Vamos aprender com os filósofos, para quem, cada povo tem o governo que merece.

 

O balcão

Não, não falarei de teatro nem da famosa peça homônima de Jean Genet.

Quero falar do grande balcão que se estabelece a cada período eleitoral e que, ao contrário do que muitos pensam, embora seja mais ativo nesse período, continua montado ao longo dos mandatos.

Os sinais estão por todo lado. Nesse balcão vendem-se votos por gasolina e compram-se espaços em automóveis, pretensos admiradores vendem “churrascos familiares” para arrecadação de fundos.

É uma festa entre candidatos, políticos eleitos e cabos eleitorais. O comércio continua. Vereadores eleitos concedem, mediante projetos demagógicos, gratuidade em transporte coletivo a estudantes, líderes comunitários, carteiros, policiais, oficiais de justiça e toda uma gama de baba-ovos que lhes garantem a eleição a cada ano.

Velhos políticos, que se perpetuam nas alegrias do poder, espalham ao longo de seus mandatos vitalícios, cargos em órgãos de trânsito, coletorias de impostos, assessorias de confiança em Tribunais, Câmaras Municipais, Assembleia. Quando a eleição se aproxima, basta mandar um recado à rede de cabos eleitorais e apadrinhados: “O chefe está em campanha”.

Na verdade, essa é a mensagem que sai do gabinete, mas a que chega na ponta é “chegou a hora de defender o emprego”. A partir desse sinistro aviso, o cabo eleitoral mata e morre para aliciar famílias, grupos, sindicatos, numa extensa e bem azeitada (pelos nossos recursos de contribuinte) rede de apoio que, quase sempre, garante um novo mandato ao político profissional.

Os chefes do Executivo que assumem o pode não ousam demitir um daqueles cabos eleitorais, ou parasitas pendurados na folha pública de pagamento.

É uma luta perdida para nós, contribuintes. Não há como desfazer essa rede, que se transfere para a mulher, para a filha ou filho ou para um iluminado assessor-sucessor.

Ao longo de todo o ano, o balcão fica ativíssimo. Mas quando se aproxima o período eleitoral as trocas, compras e vendas se tornam mais intensas.

Os chamados “líderes” (ou donos do poder, em linguagem popular) negociam os cargos de maior destaque, sem nenhum pudor e, afirmo eu, sem nenhum respeito para com a vontade do eleitor.

O governo estadual será de Delcídio, diz um grupo. Será de  Nelsinho, diz outro. O Senado vai para Azambuja, grita um partido. Quem vai para o Senado é Girotto… É André… É Simone… Ou seja, o Senado, o Governo, a Prefeitura é sempre de alguém deste ou daquele grupo. Nunca a escolha dependerá do povo, mera massa de manobra nesse balcão de negócios.

Bilhões em polpudos orçamentos são colocados nas mãos desses “abnegados” servidores do povo. Não me iludo, pois sei que empresas e grandes grupos econômicos alimentam esse balcão e compram a preço de banana, para eles, e a preço de ouro, se considerarmos o prejuízo para o contribuinte, as almas políticas disponíveis.

Não há um só partido que não passe por esse balcão. Todos estão comprometidos.

Essa luta está perdida. Mas, com este alerta, ao menos poderíamos registrar na mente, para uso no dia das eleições, os preços e as almas compradas, os nossos cargos que foram negociados.

Quem sabe ainda possamos ganhar um round nessa batalha!

 

Ameaça vazia

Ser eleitor no Brasil não é nenhum privilégio, não traz honra nem dignidade e manter um Congresso como o nosso causa grandes prejuízos ao País.

Então, por que votar ou não votar é tão importante para a Justiça Eleitoral?

Nos últimos dias, a mídia foi inundada com advertências ao eleitor que não votou nas últimas eleições, não pagou a multa nem justificou. São como as penas do inferno e estão todas no Código Eleitoral, art. 7º, § 1º:

“O eleitor que deixar de votar e não   justificar perante o juiz eleitoral até trinta dias após a realização da eleição, incorrerá na multa de três a 10 dez por cento sobre o salário-mínimo da região”.

Assim, o eleitor relapso não poderá inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-se ou empossar-se neles.

Mas, considerando aquele eleitor comum, o homem simples, do bairro distante, em que cargo ou função pública ele poderá se inscrever se todos estão tomados e ocupados pelos políticos que ele elegeu no passado, quando ainda votava?

O mesmo se diga de “receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou paraestatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição”.

Ele não-só está fora do emprego público, tem de ralar o dia inteiro para ganhar a vida com seus minguados bicos, como ficou esperando aquela “boquinha” prometida pelo candidato e, ao que parece, vai morrer sem ver cumprida a promessa.

Alguns, como os famosos garçons e copeiros do Senado, são recompensados com altos salários (segundo o noticiário, salários de 15 mil para servir cafezinho aos senadores), mas esses votam religiosamente ao comando do chefe. Se não votarem, perdem a mamata.

Nem se diga que haverá prejuízo ao Zé da Silva se ele não “participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos Estados, dos Territórios, do Distrito Federal ou dos Municípios, ou das respectivas autarquias”. Se um dia ele comparecer a alguma concorrência ou licitação, com seu chinelo havaiano, sua calça puída, sua camiseta do Banco do Brasil, será expulso da sala.

“Obter empréstimos nas autarquias, sociedades de economia mista, caixas econômicas federais ou estaduais, nos institutos e caixas de previdência social, bem como em qualquer estabelecimento de crédito mantido pelo governo, ou de cuja administração este participe, e com essas entidades celebrar contratos” seria possível se o pobre-diabo não estivesse no SPC por uma prestação das Casas Bahia que deixou de pagar quando ficou desempregado.

Empréstimo da Caixa Econômica sem avalista? Ou com empenho de sua bicicleta velha? Até aqui, nada mais grave poderá ser imputado ao eleitor relapso além de seu próprio dia-a-dia miserável.

Empréstimos do BNDES e do Banco do Brasil são para Eike Batista ou Júnior do FRIBOI ou, ainda, para países africanos falidos amigos de Lula. Eleitor matusquela verá o Juízo Final e não terá acesso a essa grana. Dinheiro do Banco do Brasil ou de cofres oficiais são para shows de Zezé di Camargo ou Ivete Sangalo e não para o bico do descamisado.

O que é uma multa a mais ou a menos para quem não consegue uma simples senha no Posto de Saúde do bairro mais remoto ou não tem dinheiro para comprar remédios quando lhe são receitados?

Para que, também, “obter passaporte” se a última viagem que ele fez foi a Terenos para visitar a sogra doente? Não vai a Las Vegas, e à Disney só vão os filhos do deputado em quem ele “não votou” nas últimas eleições.

Deputado, aliás, acompanha Dilma em seu Air Force 51 ou em missões “oficiais” pelo mundo todo, com passaporte diplomático (como o filho de Lula) e ainda pode trazer muamba sem apresenta-la na alfândega.

O eleitor comum nasce, vive e morre sem ver a capa de um passaporte.

Já ficar “sem identidade” é rematada tolice pois se ele era eleitor, já era identificado.

Ameaçar o Zé Mané com a proibição de “renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo” é inútil, pois isso ele já sofre todo ano, tendo votado ou não, nas filas de espera das escolas oficiais.

Seus filhos estão engraxando, trampando como flanelinhas, vendendo limão ou jujubas nas esquinas, fazendo bicos ou, se for mais esperto, assaltando velhinhas em estacionamentos de supermercados ou fazendo sequestros-relâmpago em Caixas Automáticos.

A multa é a outra parte da piada, já que ameaçar alguém que já ganha menos do que isso normalmente, com pena de 3 a 10 por cento sobre o salário-mínimo, ou vive de uma aposentadoria mixuruca, garfada pelo governo na época dos recolhimentos, é praticamente inútil.

E, diz a lei, esse valor pode ser aumentado até dez vezes, se o juiz, ou Tribunal considerar que, em virtude da situação econômica do infrator, seria ineficaz a cobrança de inexpressivo valor.

Ou seja, se pode ser aumentada a multa, o que fazer quando o juiz descobrir que o Zé não tem sequer o passe de ônibus para voltar pra casa? Vai, nesse caso, diminuir em dez vezes a multa?

Melhor papel faria a Justiça Eleitoral se fiscalizasse o trabalho dos eleitos, que passam a fazer trapaças no Congresso em nome da democracia, da cidadania e de outras utopias correntes e não há como o eleitor cassar a “procuração” que lhes dá na urna eletrônica.

Ameaçar um Zé Ninguém com a privação de coisas que ele já não tem no dia-a-dia é brincar com o destino, é uma tremenda ironia oficial. E pensar que a obrigação do voto nos torna escravos de tanto lixo parlamentar…

 

Debate pífio

Pífio. Não há outra definição para o debate dos candidatos. Nenhum deles mostrou entusiasmo e, para dizer a verdade, a fórmula arrumadinha adotada pela emissora leva a esse marasmo.

Debate não houve, sendo “…como bem disse fulano” a frase mais ouvida.

Vander ficou marcado pelos 25 centavos salvadores do transporte público. Incrível!  Como alguém pode, com a experiência de palco ou de palanque, como queiram, usar um argumento desses?  Na saúde, de repente, falando sobre a Santa Casa, disse que é preciso devolver o hospital aos donos e, a seguir, saiu com uma “administração tripartite”!  Como se pode ser dono em uma administração desse tipo?

Girotto será lembrado pela lamentável referência ao infarto de Bernal. Essa nota foi triste e não fez jus à sua experiência como deputado federal. Marcou sua presença no bate-papo pela confusão de reduzir o IPTU fazendo “justiça fiscal” e, ao mesmo tempo, negando-se a “congelar” o tributo municipal. Muito esquisito.

Reinaldo foi protocolar. Poderia, por exemplo, dizer que é o único no grupo que já foi prefeito, anotação importante demais para ser irrelevada.

Bluma falou mas não explorou a mística do PV. Mesmo tendo um gancho sobre o lixão, não soube aproveitar. A certo tempo, disse que vai implantar um sistema de coleta seletiva de lixo. Esqueceu-se que, se vier a ser prefeito, Nelsinho Trad já deixou a cama pronta para os empreiteiros. Não há espaço para nenhum projeto novo pelos próximos 30 anos.

Ninguém disse que lixo e transporte coletivo urbano já estão negociados por 20, 30, 35 anos, sem nenhum espaço para o novo prefeito.

O candidato Sydnei, que chegou sem compromisso, amparado por uma decisão judicial, deitou e rolou. Bem articulado, franco-atirador, acabou aproveitando melhor o bate-papo. Pegou bem a deixa sobre educação e falou de emprego e renda.  Apertou Bluma, que ainda é vereador, sobre os vazios urbanos.

Bernal falou ao seu eleitorado. Fugiu das armadilhas técnicas lançadas por Girotto – falando sobre orçamento, por exemplo – mas perdeu a chance de falar sobre a dinastia Trad, que ele conhece bem, não lembrou o confronto funcionalismo com André Puccinelli e tantos outros temas.

Enfim, achei lamentável. Salvo algumas tentativas de agressão, mesmo assim, tímidas, o evento, o não-debate, só começou a esquentar no final. Mas aí, a vaca já tinha ido para o pântano.

Uma interessantíssima pergunta foi de Azambuja para Vander, atirando em Nelsinho Trad, que, segundo o candidato, teria um cunhado ganhando todas as licitações de saúde.  Mas a parte irônica da pergunta é que, querendo falar sobre ética pública, foi dirigida ao candidato de Lula, que anda com o pescoço na forca com o julgamento do mensalão.

Quando perguntou  “ou será que o senhor é dos que acham que cunhado não é parente?” a situação foi hilária, já que Vander, primo de Zeca do PT, primo do Senador Moka, não era o interlocutor mais indicado para esse quesito.  Foi engraçado.

A verdade, essa triste, é que todos ali (exceção a Sydnei, que é gente nova), já estão ou estiveram no poder, ou ligados umbilicalmente a grandes figuras do poder. Três deputados federais, um  estadual e um vereador não podem falar tanto sobre gestão municipal sem explicar o que fizeram quando estavam com a caneta na mão.

O grande momento do debate ficou por conta do novato Sydnei, quando interpelou Girotto sobre o fato (verdadeiro) de os seus dois maiores apoiadores (Trad e Puccinelli) serem médicos e não terem melhorado a saúde pública. Girotto se irritou e afirmou não ser pau-mandado de ninguém, para depois dizer que se orgulhava de sua participação no governo de ambos.

Em sua tréplica, Mello disse que apenas citara seus apoiadores.

Nas suas considerações finais, o novato surpreendeu, citando sua vice e dizendo que não precisou escondê-la e tocando no ponto nevrálgico dessas eleições: os vices escondidos.

Foi um bom momento, para não dizer que perdi minha noite.

Povo educado

A Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, ganhou manchetes com sua mensagem aos jovens, incentivando-os a participar da política, mesmo ante as condenações dos crápulas do Mensalão.

A política, disse a Ministra, é a alternativa para a guerra. Bonito, mas sem nenhum efeito, diante do imenso rombo na confiança popular.

A educação, requisito essencial a um País que se respeite, foi relegada ao último degrau pelos governos petistas e, para não ficar citando os barracos de lata de Suplicy, recorro a apenas três exemplos acachapantes.

O primeiro, o mais escandaloso, foi o presidente operário dizer, com “orgulho”, ao mundo todo (a entrevista era no exterior) que nunca leu um livro!

Depois vimos o Ministério da Educação ser entregue a Mercadante e Fernando Haddad, que inaugurou a era das trapalhadas no Enem.

Para fechar a lista, constatamos que ao invés de estimular nossos jovens nas olimpíadas de Matemática e na robótica, os educadores xiitas enfurnados nas benesses do Ministério da Educação e na Cultura dedicam-se a censurar Monteiro Lobato.

Um povo educado é capaz de fazer suas análises, sejam elas econômicas ou políticas. Um povo educado sabe que um candidato que gasta milhões de reais em uma campanha não vai recuperar seu “investimento” a não ser com negociações subterrâneas.

Jovens educados sabem que a montagem da “máquina” de governo, tornando um partido hegemônico no Executivo Estadual, na Prefeitura, na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal não poderia resultar em coisa honesta.

O estrago já está feito, Ministra. Não há o que fazer para recuperar a confiança em políticos. E é a atuação dos políticos que torna muito difícil separar o que é Política da nefasta “política partidária”.

Veja o que é educação: perguntei a um guia em Tóquio, diante de uma fileira de bicicletas onde a maioria não tinha cadeado, se não havia roubo. Ele ficou pasmado. “Por que alguém iria roubar uma coisa que não lhe pertence?”. Insisti, explicando que no Brasil já não haveria uma bicicleta quando os donos voltassem. Ele continuou sem entender porque alguém roubaria o que não é seu…

Na Coréia do Sul, querendo saber se no ônibus, onde todos pagavam a viagem com moedas, voluntariamente, sem fiscalização, alguém sairia o coletivo sem pagar, recebi merecida resposta: “aqui o povo se considera dono do ônibus e não há sentido em roubar a si mesmo…”

Mais adiante, já na rodovia entre o aeroporto e Seul, eu disse que no Brasil usava-se asfalto “sonrisal”, aquele que se desmancha com a primeira chuva. Aí foi a vez do guia me perguntar: mas qual é a razão de se deixar buracos na rodovia e a saúde pública cuidar dos acidentados? “Economiza-se” (para roubar na verba superfaturada) e gasta-se com o acidente?

Perguntam-me quanto tempo ainda levaremos para sermos um país educado. Pensando nos Ministros de Educação que temos e nas notícias que lemos na mídia, ainda consigo responder com otimismo: uns dois séculos.

O fato é que não votarei no partido “majoritário”, o manda-chuva, nem no falido PT que tantas mazelas trouxe ao povo brasileiro. Vou aproveitar a oportunidade e repetir o desafio que fiz no meu livro “Cidadão de Festim”:

“Políticos de meu país, renunciem! Antes que tudo vire escombro, saiam do Congresso para que possamos escrever, também, uma nova história” (Cidadão de Festim, “A CPI e a mulher adúltera”, página 79).

Candidatos conjugados

Desde 1989, venho repetindo, reeditando, remendando mas sempre divulgando um artigo escrito naquele ano, com o nome “Cândidos candidatos, conjugados em três tempos”.

Na verdade, a idéia é muito simples. Trata-se de analisar os candidatos que aparecem na TV em três tempos, passado, presente e futuro.

Afinal, como diz o Tribunal Regional Eleitoral, em propaganda muito oportuna, não se pode esperar quatro anos para corrigir uma escolha política equivocada. É muito tempo e o efeito nefasto poderá ser irreparável.

No painel da propaganda eleitoral aparecem candidatos novos, sem passado, cheios de idéias. Alguns, embora novos no trecho, trazem idéias ultrapassadas, senão estapafúrdias. O já não tão desconhecido Suel pretende corrigir falhas que só o mágico Merlin poderá fazê-lo. Ataca em seu horário a inflação “que corrói o poder aquisitivo” do trabalhador, a exploração da burguesia, seja lá o que isso quiser dizer.

O eleitor deve olhar os novos, os sem passado, e ver o que fazem no presente. Muitos são professores, balconistas, funcionários públicos, todos querendo um emprego melhor, o de vereador.

Projetos futuros? Todos querem corrigir o “que aí está”. Nada de novo. Querem combater os efeitos da violência, sem nenhuma idéia de como conseguir essa mágica.

Aí vêm os mais experientes. Olhe o seu passado, veja com quem eles andaram, o que fizeram até hoje, quais são suas realizações, se já ocuparam postos de mando, se foram executivos bem sucedidos. Devem ter um passado político!

Se foram políticos, que projetos apresentaram, o que realizaram? Muitos deles se esquecem do que fizeram e pensam que o povo também esqueceu. Todo mau político acha que o povo tem memória curta. Infelizmente, essa conclusão é verdadeira. Tanto assim que quase ninguém sabe em quem votou no último pleito.

Teruel, por exemplo, foi vereador. Então, quando fala em transporte coletivo mais caro do Brasil, deve saber que votou a tarifa cobrada, teve poder para fiscalizar o processo licitatório. Qual foi sua posição? O que fez para se contrapor à “tarifa mais cara do país”?

Como deputado, quais foram seus projetos para diminuir a violência no Estado? Quais foram suas iniciativas na área de incentivos fiscais de atração de indústrias para o Estado? Como prefeito ele será cópia do que foi como político.

Como político do PT, Teruel tem um passado ligado a Zeca do PT, para o bem e para o mal. Conta-se que ele está evitando a aparição de Zeca em seu programa político. O que haverá de contradição entre os dois? Qual foi o papel do candidato a prefeito quando era quadro de Zeca do PT?

Qual foi o empenho do candidato a prefeito petista no cabuloso e nebuloso episódio da verba para combate às erosões do Rio Taquari e de investimentos na preservação do Pantanal? No governo Zeca, do qual Teruel participava, o Estado perdeu por ineficiência total a verba que viria do BID, em torno de 200 milhões de dólares.

Sem responder a esses questionamentos sobre passado e presente, Teruel ou qualquer outro candidato não pode se candidatar a prefeito de uma cidade tão complexa e dinâmica como Campo Grande.

O seu projeto futuro fala em combate à violência, em transporte melhor e mais barato, em saúde de qualidade. Mas tudo isso esteve sobre o seu foco parlamentar no passado e no presente. Como será o futuro?

No que tange ao partido, foi um desastre. Nada do que se planejou em termos de orçamento participativo foi executado! E a máquina de governo foi transformada em cabide de empregos. Como atuará Teruel diante de um mau exemplo como esse?

Nelsinho tem se saído melhor nessa conjugação, por ter um passado parlamentar participativo e, especialmente, porque foi prefeito de uma das melhores administrações à frente da Capital.

Mesmo esforçado, há queixas nos postos de saúde, há assaltos nos ônibus municipais, há problemas ambientais graves. Há muito a fazer no futuro próximo.

Portanto, mesmo tendo sido um bom prefeito, para o próximo mandato o eleitor deve analisá-lo sob os tempos passado, presente e futuro. Só assim se pode vislumbrar o que será sua administração. Pense na cidade, pense na complexidade de uma capital, no transporte, nos postos de saúde, no trânsito.

Seja qual for a roupagem da mídia, da assessoria de comunicação do seu candidato, muito eficientes em vestir as propostas de colorido e sonoridade, conjugue-o nesses três tempos.

E, na hora certa, vote bem.