A ficção do BRICS

Brics, Rics, Ics… Você coloca o B, tira o R da Rússia, acresce o S de South Africa, puxa o C da China para cá e vai elaborando suas sopa de letrinhas ao sabor das conveniências.

Na verdade, não estamos falando de um bloco econômico, um conceito que nem deveria existir, pois trata-se de uma completa impossibilidade, uma quimera, uma ficção.

Vejamos um bloco bastante conhecido, o NAFTA, formado por Canadá, Estados Unidos e México, que reza em seus princípios que haverá livre circulação de bens, pessoas, serviços nas fronteiras dos países membros.

Pura mentira. Americanos e canadenses entram e saem por suas respectivas fronteiras sem nenhuma formalidade, enquanto mexicanos se afogam no Rio Grande, na fronteira mexicana, tentando atravessar para os Estados Unidos.

O que vale para o Canadá não vale para o México, o mesmo se podendo dizer dos salários pagos nos Estados Unidos e no México, para realização e produção dos mesmos serviços e produtos.

No Mercosul, outro bloco formado por Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil (com inclusões espúrias de Venezuela e alguns outros países convidados), onde se vê uma tremenda desigualdade de tratamento entre habitantes regionais, na tributação de bens e, sobretudo, na criação de barreiras alfandegárias.

A primeira ficção na formação de um bloco é a questão da soberania, de que nenhum país abre mão e, em alguns casos, vai até a guerra para manter seu status sobre os vizinhos. Soberania, de super omnia, em tradução livre, sobre tudo e sobre todos, presume que minha bandeira, minha moeda, minhas fronteiras estão acima de quaisquer outros interesses. Ponto final.

Todos querem vender para o Brasil, praticamente nenhum país quer comprar e, comprando, não querem pagar o preço justo de nossos produtos. Compram o que vier na bacia das almas.

Aliás, quando alguém nos chama de “parceiro”, cuidado, pois isso quer dizer que teremos esse status enquanto formos bonzinhos, generosos, cordatos. Qualquer dificuldade levantada, modificará o status de parceiro para vizinho hostil.

Nesse caso dos BRICS, podem criar bancos, podem escrever tratados, podem falar o que quiserem, a verdade nua e crua é que China, Rússia e mesmo o Brasil só agirão na direção de seus próprios interesses.

Só a presidente Dilma e alguns petralhas desinformados de seu entorno acreditam que haverá vantagem para o Brasil nesse acordo de conveniências – e não bloco, repito. Para ser bloco, os quatro ou cinco membros falariam com União Europeia como se falassem uma só língua. E isso não acontece, nem acontecerá.

Basta, mais uma vez, olhar o Mercosul. A Argentina está comendo o pão que o diabo amassou nas negociações de sua dívida externa. Brasil, Uruguai e Paraguai estão caladinhos. Que o circo pegue fogo, mas eles nada farão. O Uruguai está recebendo de Guantánamo os terroristas da Al Qaeda sem nenhuma consulta aos membros do Mercosul.

Bloco é balela. Só existe interesses privados e particulares. O resto é conversa fiada para consumo da mídia e para encher espaço em blogs e jornais de TV.

Vou tirar uma soneca. Quando mexicanos tiverem o mesmo tratamento de fronteira que os canadenses, nos Estados Unidos, acordem-me e passarei a acreditar.

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Mercosul está morto

Numa palestra sobre o Mercosul, causei constrangimento numa platéia de supermercadistas, ao dizer que o Brasil era uma generosa mãe, com três crianças choronas, nariz escorrendo, puxando a sua saia para chamar a atenção.

Nem preciso dizer que a imagem de Uruguai, Argentina e Paraguai como crianças choronas foi a razão do imediato desconforto.

Estávamos em 2000 e a idéia central de minha palestra era que o Mercosul se inviabilizaria pelo desequilíbrio evidente de três de seus membros diante do Brasil.

Uruguai, pequenino, voltado para o próprio umbigo, quase sem renovação populacional (há décadas os jovens uruguaios migram para o mundo em busca de oportunidades), parece um país de velhinhos em suas praças, jogando xadrez e damas aos domingos.

Literalmente, quem já esteve lá sabe, essa é a imagem de Montevidéu aos domingos.

Limita-se hoje a produzir, e pouco, laticínios de ótima qualidade mas é só.

Paraguai, um dos maiores shopping centers da região, nada produz e tudo exporta, num dos maiores mistérios desse bloco econômico.

Nos encontros entre presidentes brasileiro e paraguaio só se fala em contrabando, roubo de veículos, pirataria e tráfico de entorpecentes.

Apenas para ilustrar, o último encontro entre Lugo e Lula durou duas horas, gastou 250 mil dólares e não produziu uma linha de matéria importante para os dois países.

Nem mesmo Itaipu, que seria um tema interessante face à enormidade da parceria entre os dois países, foi arranhado na ocasião, perdendo-se os jornais que cobriram o evento em piadas sobre a testosterona do paraguaio e a incontinência verbal do brasileiro.

Argentina, um caso à parte, ostenta um orgulho à Maradona que não se justifica em exemplos práticos. Tem dificuldades financeiras e políticas e acaba de colocar uma pedra na tumba do Mercosul ao anunciar a proibição de importação de produtos já produzidos no país.

Tudo o que se combinou no Mercosul, livre trânsito de mercadorias, união aduaneira, quebra de barreiras e toda a lenga-lenga que se costuma desfiar nessas ocasiões é letra morta.

Em resumo, a única vantagem para o Brasil, que era ter um quintal para suas mercadorias e suas experiências de dominação continental, sonho do megalômano presidente Lula, já não existe.

Outro ensaio de burrice no bloco foi o aliciamento de Hugo Chávez, como salvador da lavoura, ideia que foi esposada pelos quatro parceiros e gostosamente aceita pelo boquirroto venezuelano.

Nenhuma vantagem e muitos problemas em um só golpe.

Há poucos dias, um grande empresário sulmatogrossense reclamou da burocracia do Mercosul, pois, levado a montar uma fábrica em Assunção, meses depois de gestões, construções, registros de marcas, etc., o projeto não sai das gavetas da burocracia.

América Latina não tem jeito. É um celeiro de perdedores.

Naquela época, fui criticado pela minha imagem dessa implausível família. Agora, o ex-embaixador Rubens Barbosa, em seu livro “Mercosul e a Integração Regional”, confirma: as choronas estão órfãs e o Mercosul está morto.

Já morre tarde.