Religião, espiritualidade

Como pode Handel fazer chorar o que não crê?

A má notícia: Deus não existe. A boa: o Diabo também não.

A fé das ovelhas e pastores, perdi. Busco outra e não sei por que.

Pastores cegaram-me com sua fé vazia e não quiseram ver o estrago.

Falsos profetas se escondem na TV.

Ovelhas de falsos pastores não dormem.

Alguns milagres precisam de uma mente escura.

Certos milagres só existem de madrugada.

Exatamente por não ter certeza de que Deus existe, não tenho nenhuma autoridade para dizer que está morto.

Fé é saltar no abismo e esperar que alguém o apare no final.

Como duvidar de espíritos depois do wireless?

Se não fôssemos essa plantinha frágil, pra que tanta filosofia e religião?

Quem me segue não andará em trevas. Jesus, pensando no twitter.

Perguntam-me se acredito em espíritos. Depois do wireless não tenho mais razão para duvidar de coisa alguma.

O monopólio cristão sobre a vida eterna morre por falta de competição.

O pecado venceu. Abro uma cerveja.

O pecado venceu: onde está aquele vinho?

Domingo é o único dia em que vacilo entre pecado e redenção.

Comunicação

De manhã, a inteligência é aguada.

A repetição não faz a verdade.

Política

A honra não está com a maioria ou com a minoria, mas com a causa.

Em política, o povo aplaude mesmo quando a orquestra desafina.

Banco, o único assalto tributado e comemorado pelo governo.

Bancos são a atividade mais especulativa e menos produtiva do mundo.

A história, abutre da humanidade, vive de restos do que  já foi notícia.

O Parlamento sempre desafia a inteligência e vence por nocaute.

Votar orçamento no Natal não pode ser coisa honesta.

Não há prótese moral.

Poder não convive com vergonha. Quem tem um não tem outro.

Em Brasília, a virtude usa elevador de serviço.

Corruptos se apossaram de nosso patrimônio em Brasília.

Brasília e metástase combinam.

Se não podemos honestizá-los vamos envergonhá-los.

O homem ainda pode descer muito, muito mais.

Nas eleições, voto consciente e estaca de madeira!

Pigmeus dão problemas de coluna em gigantes.

Dinheiro desonesto é tímido. Sempre se esconde em lugar suspeito.

Latinoamericano pobre não elege, canoniza.

Eleitor é como telefone de rodovia, à espera de alguém que o chame.

Para o cego as imagens não falam.

Direito Constitucional é ficção.

Quando publicitários, jornalistas, twitters, orkutters, internautas, youtubers se organizarem, não precisaremos do Congresso Nacional.

Morre-se menos intensamente aqui que no Haiti.

Comportamento

No final, olhando as sobras, se perguntavam: onde está o Menino Jesus?

Copos e cabeças vazios, um monumento ao Menino desconhecido.

Não há civilização que resista a fim de festa.

Eventos: as conversas têm menos sentido que o barulho dos talheres.

Peça a Papai Noel, mas, por via das dúvidas, renove o Visa.

Milhares de crianças crescidas, transformando chaminés em telinhas iluminadas, fazem pedidos impossíveis.

O melhor do Natal são as coxas de peru.

Farofa e caviar engasgam. A diferença está no plano médico.

Prática de mãe: enfim uma coisa que o Google não tem.

Vida, morte, futuro

É passado.

Viver, maravilhosa viagem só de ida.

Viver, viagem só de ida. Não economize. Vá de primeira classe.

O coração bate 365 dias sem pedir hora extra!

O roteiro da vida não é escrito pela vontade.

O ano findo foi apenas ensaio. O espetáculo está por vir.

Não me dê agendas. Não me prenda nas eras.

Quando a velhice chegar, não estarei aqui.

Impiedosos, os amigos arrancam, pedaço por pedaço, o melhor de nós.

Velhos são jovens cavaleiros vigiando castelos cheios de lembranças.

Ah, essa sensação de 45 minutos do segundo tempo!

O fim do mundo me parece uma boa idéia. O problema é executar.

Deus prendeu o jovem de 30 num corpo de 60. Eu só joguei a chave fora.

Depois do enterro da semente, a chuva. Agora a vida não demora.

A morte tira, não dá tempo.

Só a capacidade do tanque atrapalha minha longa viagem.

Porque a semente morre, a vida se renova.

Nossa vida é uma infinita espera. O jantar, o cinema, o médico, o tempo.

Ah, essa incômoda sensação de que o tempo escapa-me da mão.

No peito, um operário trabalhando há 60 anos, sem férias e salários.

A eternidade não existe, mas vale cada minuto de espera.

No fim, enterrem o corpo exangue, o coração sem ritmo, o cérebro livre de suas angústias, que eram meus. A canção inacabada, o amor ainda em chamas, esses não me pertencem. Plantem-nos em outro coração.

Ah! Essa sensação de que o tempo avançou enquanto eu dormia.

Esvaiu-se o dia por entre os dedos, com enorme dignidade.

Coração, misterioso ser que me mantém ativo mesmo sem me conhecer.

Assusta-me perceber que a estrada não tem fim.

Em finados, mortos ganham visitas, vendedores, renda e eu um feriado.

Sob sete palmos de terra não há desigualdade.

Frases genéricas

O espírito manda dançar, mas o corpo está em greve.

Cantar, dançar ou amar: deliciosa indecisão.

Acordei quase puro. À noite, só a mente pecou.

Sou coração adestrado em alegria.

Para qualquer encontro é preciso ter um ponto. Em comum.

Não revele todos os seus mistérios.

A noite faz perguntas que o dia não responde.

Vida é Alma Viva tinto à noite, Camembert de manhã e Perrier à tarde.

Ofensa na web é pena em ventania. Não dá pra recolher.

Na melancolia, o coração reflete.

Tristeza faz poesia. Aproveite.

Amor não tem backup. Por isso erramos de novo.

Assunto sério, de manhã, só a contragosto.

Com passos de algodão, atravessou-me o peito e se perdeu.

Desconfie quando o coração vem falando outras línguas.

O dia será maravilhoso. Se não for, meu coração dará um jeito.

Espírito livre é tubarão em poça dágua.

A traição é tão definitiva que o motivo se torna irrelevante.

Como explicar que a lágrima, mero colírio de água e sal, venha aos olhos sob comando da emoção?

Não apresse o rio. Ele tem seu ritmo.

Pior do que o erro é a justificativa.

Em sonhos, suguei energia da noite para gastar com o dia.

Somos inseguros. Depois dessa confissão, o mundo nos abre seus tesouros.

Minha mente resiste bravamente a qualquer pensamento sério.

Madrugada, como pude passar tanto tempo sem essa desconhecida?

Tristeza, não insista!

Adrenalina a mil. Quero sorver até a última gota. De tudo.

Pessoas amargas contaminam meu café!

Tristeza acaba. Aproveite.

Minhas fotos antigas não mentem. Ficou alguma coisa pelo caminho.

Não temo tremor de terra e sim de tremor nas mãos.

União estável pra mim é chiclete no cabelo.

União estável, que coisa mais tristemente jurídica…

Neurônios em greve até no jogo de paciência.

Amanheço desconhecido. E me reaprendo.

Tem post que precisa ficar na incubadora pra respirar e fazer sentido.

Quando fiz sentido, perdi o rumo.

Acordo, pego um livro, uma taça de vinho e me comemoro na rede.

Atenda, fielmente, ao coração. A recompensa é para sempre.

Não me conte segredos. Meu coração não tem chave.

O vinho abre a alma. Mas não sabe fechá-la.

O silêncio é o maior tributo para uma bela imagem.

Procuro o ancião que sou e só encontro um menino.

Juízo perfeito é chato.

O vinho torna a mente leve e irresponsável.

Conversei com Baco a noite toda. Nenhum de nós disse a verdade.

O vinho manda saltar e cantar. O corpo, desconfiado, se recusa.

O ano se foi e ainda não fiz sentido.

Viva a sexta antes que cheguem o domingo e suas missas.

A faxineira que some com papéis é sábia.

Peça sempre uma segunda opinião. Médicos não confessam erros.

Médico com certezas me amedronta. O corpo tem seus próprios planos.

Ano novo ou velho é só uma data. Sua vida é que precisa ter sentido.

Impenitente, persigo o fruto proibido da alegria.

Ouço lá fora a tempestade. Meu coração diz que é música.

Mentir não é arte. É desvio de caráter.
Todos mentem uma vez, outra ou sempre.

Nunca vá à lua sem bilhete de volta.

Mentir é apenas um plano b.

Divirta-se. É a única parte grátis no cardápio da vida.

Vou pintar um alvo em meu telhado. Pra poder voltar quando voar.

Ainda não me entendo, mas estou cheio de pistas.

Em dia nublado, acenda o sol interior.

Como se pode dar alta e recomendar repouso absoluto?

O abraço de minha filha… Deus gostaria de ter inventado esse momento!

No Reveillon, balas solitárias procuram companhia.

Não planeje a vida. De qualquer forma, ela andará sozinha.

Por que nos matamos em eventos sociais que nos deveriam dar prazer?

Sentido mesmo só nos meus velhos discos de blues.

Tédio, saguão do inferno.

Você não vale o que pensa. Dê-se um desconto.

Pinga, uísque e cerveja combinam com solidão.

Vinho não se toma sozinho.

O vinho não é culpado, é pretexto.

O vinho abre as coronárias. O coração faz o resto.

Discreta, digna e preguiçosa, foge a tarde.

Domingo, a tarde se disfarça de segunda.

Pela manhã, dominado pelo vinho, o tédio deitou-se em meu jardim.

O tédio oferece encontro pessoal com Lúcifer.

Dúvida agrícola: comer ou enterrar a primeira semente?

Sou dois minutos de humor, um de reflexão, outro de confusão.

Há descompasso entre a mente que dança e o corpo que cansa.

Persistente, amanheço juntando meus pedaços.

A noite, a contragosto, afrouxou o abraço e libertou o dia.

Somos barcos na calmaria. De repente, o vento nos leva pra outro mar.

No final, embriagados e convencidos de nossas piedosas mentiras, só nos lembramos do futuro.

Antes de cortar o pulso, informe o seu tipo de sangue.

Quando a noite invade o homem, melhor acender algumas luzes.

Perdemos parte do futuro tentando entender o passado.

Adoro tentação.

Confissão: toda sexta, atraio impuros sentimentos.

De vez em quando, sou moleque.

Há pessoas ruidosas. Outras, iluminam em silêncio.

Nada entendo de ventos. Meu barco volta sempre ao mesmo porto.

Rio calmo. Não adianta remar. Contemple a paisagem.

Solidão, o mundo é muito pequeno pra nós dois.

Silêncio! Não reclame. A chuva quer dizer alguma coisa.

A chuva fala. A chuva canta. A chuva chove.

Amanheci boteco traduzindo torpedos de lua minguante

O ensaio findou, a peça foi encenada, a cortina desceu, nessa ordem.

Mozart sempre teve grande poder de convencimento sobre minha inquietude.

As mulheres que conheço me fazem entender e perdoar os polígamos.

No teatro, como na vida, a cortina é sempre a última imagem que fica.

O domingo, pela TV, é tão feio que o adultério com a segunda-feira é perdoável.

Vingue-se do tédio: espalhe sua solidão pela cidade.

Mulher, delicioso mistério. Consegue estar ao meu lado numa lembrança, num perfume, num sonho.

A vida é seu último script. Veja lá o que escreve.

Como a mente se recusa a pensar em amor depois do almoço e consegue pensar na teoria das Mônadas?

Coração e razão dividem, amigavelmemte, o mesmo peito.

Pelo menos para um, a traição é doce.

Poesia e literatura

Após o email, carta, selo e caixa postal têm um problema existencial.

Provoco o domingo com poesia.

Poema alegre é coisa de poeta ajuizado.

O poeta é folha onde a dor escreve, dá sentido, pausa e ponto final.

Poesia boa é quando o verso resiste fora do corpo.

Amanheci preso em cordéis de poesia.

Velhos poetas acenderam meu fogo. Depois, tomamos vinho e embriagamos a noite.

Poetas rasgam o próprio peito com palavras.

Cercado de poesia, rendo-me.

Bem fez Manuel de Barros, que virou jabuti.

Quando o poeta começa a cantar o coração baixa a cortina.

O poeta mistura tristeza e loucura.

Quando o poeta começa a cantar o coração baixa a cortina.

A dor escreve fácil na alma do poeta.

Tenho poesia, ciência, angústia, amor, amizade e alegria a partilhar.

Se aparecer entre parêntesis, desconfie. Não gosto de prisões.

Jornalistas vão da versão ao fato. Advogados vão do fato à versão. Aos políticos basta a versão.

Editorial sem coragem é receita de bolo.

Sua vida é texto sem pontuação. Faça sentido.

Até missa de sétimo dia tem mais conteúdo que editorial vendido.

Twitter, praça onde todos se comemoram.

Twitter é congresso de idéias, não maratona de seguidores.

Twitter: dedos mais rápidos que a mente.

Twitter: dedos ágeis, língua obesa.

Twitter é supermercado de idéias. O melhor produto está nas gôndolas do fundo.

Twitter, mar de solidão e autocontentamento.

Twitter: dedos ágeis, língua preguiçosa.

A língua se fez para o sabor. A fala foi dano colateral.

Nada substitui a alma original.

O vinho estimula as idéias mas desorienta a expressão.

Desconfundi a noite. Tudo está claro em mim.

Cabeça a mil, lotação esgotada e muita idéia na fila.

Não me sigam. Talvez eu esteja perdido.

Caminhantes da mesma estrada, não somos seguidores ou seguidos.

A verdade não precisa de muitos decibéis ou toques ao teclado.

Sou um texto inédito, com versões alternativas.

Vida é texto corrido. A pontuação é sua. Faça sentido.

Esmago a tristeza e o tédio numa folha de papel. Inofensivos, são poesia.

Meu espírito vagueia entre poemas e verdades seculares.

Diante de mim, página inteira disponível, mas os dedos estão mudos.