Complexo de Jeca

O Brasil é um país condenado ao subdesenvolvimento. República das Bananas, como os americanos nos tratavam durante a Segunda Guerra. Nem mesmo o grande fiasco das Malvinas/Falklands, em que a Argentina desafiou o Império Britânico e invadiu as ilhas britânicas, confiando que a distância eliminaria todo esforço logístico de uma retomada.

Não. Nosso título de campeões do ridículo continua imbatível e, ao que parece com o escândalo da Petrobrás, ainda teremos muito a involuir nesse campo.

Acabo de entrar em um supermercado conhecido, o Extra, saída para T Lagoas, onde não há pacotes normais de Maizena, apenas míni-pacotes, mesmo assim, uns cinco apenas. Não é excesso de demanda, mas uma estratégia burra de tentar empurrar um novo produto. Em volta dos ridículos pacotinhos, seis ou sete marcas de pós e amidos que continuarão desconhecidos, graças aos deuses do consumo.

Os “gênios” pensam que estão promovendo novas marcas, quando na verdade estão colocando a loja na minha lista de “se quer Maizena, procure outro local”.

Passando em uma farmácia, um apelo patético no caixa me incentiva a trazer moedas ao estabelecimento em troca de uma nécessaire como brinde. No supermercado tal, alerta a atendente, tem uma faixa enorme com a mesma “promoção”.

Coisa de país Jeca. No Japão, desde a 1930, moedas acionam inúmeras máquinas de refrigerantes, telefones e até o jogo pachinko. Com um detalhe: a coca-cola sempre foi 70 cents até meados de 1990, quando passou a 1 dólar, igualando com os Estados Unidos.

Em todos os países desenvolvidos, as moedas acionam máquinas de jornais, refrigerantes, transporte coletivo, sopas, aparelhos de barbear e até máquinas de sex-shops.

Isso, caros gênios brasileiros, é para fazer retornar ao mercado as moedas, é uma estratégia dos bancos centrais. Aqui, você tem de fazer uma promoção dando um brinde também Jeca para atrair moedinhas que faltam aos caixas.

Sabe aquela piada do chefe que diz à secretária para adiar uma reunião de terça para sexta? Ela pergunta: sexta é com x ou com s? Ele diz: não sei. Marque para sábado.

Pois os “cérebros” do Município de Campo Grande fixaram uma tarifa de ônibus para 2,99 reais. Só depois de publicado o aumento, deram-se conta do terror que seria arranjar 1 centavo para o troco (além das bolachas que o consumidor aplicaria nos cobradores a cada catracada). Resolveram alterar o preço para… advinhe?… 3 reais! Claro que seria para cima, já que o pobre não tem vez nessa discussão.

Aqui mesmo, ao meu lado, enquanto escrevo, há cinco ou seis dispositivos que alteram os pinos de entrada para computador, celular, ventilador, entre outros.

Os “Professores Pardais” tupiniquins inventaram uma tomada de três pinos e mandaram ver. O Brasil todo teve de se “adaptar” literalmente falando, comprando bugigangas que permitissem aos aparelhos funcionar no jeito antigo. Essa gambiarra toda tem mais um efeito colateral: aumento de energia na conta.

Recentemente, o governo federal inventou de taxar o emplacamento de tratores e outros instrumentos agrícolas, com 3% do valor da máquina (algumas custam perto de milhão).

E um Tribunal mandou que trans-sexuais peçam diretamente ao cartório para mudar o nome na identidade, sem processo judicial, como se isso fosse alterar as demais legislações que permitem à mulher aposentar-se mais cedo, ter ambiente de trabalho diferenciado na gravidez, entre outras. Isso sem lembrar que o Rubens que virou Mônica dificilmente entrará no mesmo banheiro das mulheres. Não pacificamente, ao menos.

Foi por aí que decidi apenas rir do Brasil, pois sempre sou criticado por falar mal dessas invencionices e vinha mantendo essa atitude até minha suspeita ser confirmada nas últimas eleições, quando mantivemos os petralhas no poder. Apesar de tudo!

Jeca não tem cura.

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