As vítimas de sempre

Sempre que posso, retorno a esse tema, greve de professores, pois os erros da história se repetem, dizem os entendidos.

O que é uma greve? É um movimento de cessação do trabalho (pelos trabalhadores) para obrigar o patrão a fazer determinadas concessões (aumento de salário, pagamento de salário atrasado, condições de higiene e segurança do trabalho, etc.).

De um lado, há que ter algum direito a reivindicar e, do outro, alguma resistência da parte patronal, para se obter sucesso em um movimento grevista.

O insucesso, além da negação dos direitos reclamados, impõe aos grevistas multas e desconto de dias de paralisação, pois a greve não pressupõe o pagamento de salário.

Na verdade, uma greve que mereça esse nome, pressupõe a negação do trabalho, independentemente do pagamento dos salários. Os grevistas visam impor um prejuízo ao patrão, normalmente, na linha de produção.

Daí meu inconformismo quando o grevista impõe um prejuízo a terceiros, sejam eles alunos ou usuários do serviço de transporte, as vítimas de sempre dos últimos movimentos paredistas que assolaram o Brasil.

No caso dos professores, é muito fácil decretar uma greve pois o patrão (no caso, o Poder Público) nada sofre, nada perde. Ao contrário, normalmente, o patrão-Estado é muito generoso, paga os salários e vantagens mesmo durante a greve.

Se o Estado conceder o chamado “piso salarial” que os professores reivindicam, a conta será paga pelo contribuinte, a vítima da vez. Se não conceder, pagam os alunos, que terão de repor aulas em sábados, domingos, feriados, já que os professores nem estão aí para os seus direitos.

Então, essa greve não tem razão de ser, pois não força o patrão a fazer nada, mas, sim, terceiros, os alunos, que não participam das assembleias, não estão com a chave do cofre, não têm poder de barganha em nenhuma negociação e estão destinados apenas a sofrer os efeitos da paralisação.

Todos os dirigentes sindicais de hoje são irresponsáveis em relação a essa relação patrão-empregado-cliente. Todos iniciam seus movimentos grevistas sem pensar nos alunos e já sabendo que o Estado não avançará nas negociações.

E, a exemplo do que ocorre em outros movimentos, o povo está só.

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