Quinta Gospel

Gospel é uma redução de God Spell, ou palavra de Deus, significando também boas novas.

Surgida como um canto típico das comunidades negras nos Estados Unidos, dava ritmo aos cultos, incluindo músicas folclóricas (negro spiritual) e com grande influência do blues.

Música gospel é, em resumo, música religiosa de grupos cristãos, não havendo dúvida de que é utilizada para designar as músicas evangélicas.

Portanto, a um evento denominado “Quinta Gospel” só irá aquele evangélico (batista, adventista, sabatista, luterano, pentecostal, etc.) ou um católico ou pertencente a outra vertente cristã dotado de curiosidade ou amante da música religiosa.

Assim como a um evento chamado “Origens do Candomblé” ou “Canto Gregoriano” só comparecerão os simpatizantes ou curiosos sobre esse tipo de música.

Custa-me, pois, entender a polêmica travada nas últimas semanas sobre o evento QUINTA GOSPEL, onde se bateram simpatizantes dos cultos afros, autoridades públicas e até um vereador, que defendia a participação da cantora espírita Rita Ribeiro no projeto “Quinta Gospel”.

Negar sua participação seria, na opinião do vereador e de Joaquim de Angola, presidente da “Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola”, seria intolerância religiosa.

O fato é que a Secretária de Cultura Juliana Zorzo negou a participação da cantora, bem como a divulgação (no evento) de seu CD “Tecnomacumba”.

A emoção não é a melhor das conselheiras ao abordar temas como esses.

Então vamos lá, sem emoção, colocar os pingos nos “ii”.

O primeiro argumento em defesa da cantora Rita é de que a Quinta Gospel realizava-se em um “espaço público”. Como não é um evento tipicamente cultural, o CD “Tecnomacumba” bem pode ser divulgado num evento para os fãs do candomblé e, asseguro, há milhares em Campo Grande.

Aliás, ser evangélico não me impede de registrar que o CD “Tecnomacumba” deve ser muito interessante, pois os ritmos afros têm inspirado grandes páginas musicais brasileiras, não se podendo falar em samba sem lembrar essas raízes.

O “espaço público” pode ser requisitado pelos fãs de Rita Ribeiro ou até para uma reunião de todas as manifestações do cultos africanos ou afro-brasileiros.

Sobretudo, antes de sair ajuizando ações contra este ou aquele movimento, devemos atentar para um fato essencial: o direito do público, tão importante quanto aquele conferido aos promotores do evento. Quem ama a música gospel, vai ao evento para ouvir música gospel. Não irá a uma manifestação multicultural, onde estarão todos juntos umbandistas, evangélicos, carismáticos e tantos outros.

Assim como um amante de música umbandista não vai querer música gospel, blues, jazz ou negro spiritual misturados aos seus cultos africanos.

O público gospel quer ouvir música evangélica. O público afro quer ouvir “Tecnomacumba”. O resto é emoção que a nada leva.

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