Toma que o filho é teu

Um dos cuidados indispensáveis no trato com crianças é o momento de deixá-la na escola e buscá-la ao fim do dia.

Quando se matricula um aluno, informamos o nome dos pais e, claro, daquele que será responsável perante a escola, embora não haja mais o “pátrio poder” e sim o “poder familiar”.

Muitas vezes, por conta de uma separação judicial, um dos pais ficou com a guarda do menor e será esse o responsável perante a instituição de ensino.

Contudo, as agitações da vida influem nesses relacionamentos e a verdade é que instalou-se uma bagunça generalizada na porta da escola.

Premido pela agenda, com seus compromissos comerciais ou pessoais, o responsável elege uma incrível lista de ajudantes: tia, avó, vizinho, motorista, pai dos amiguinhos e assim por diante.

Mesmo na porta da escola, quando os meninos já estão lá fora, a mudança de planos e personagens é constante. O menino esperava o pai e é abordado pelo empregado ou motorista, que veio substituí-lo.

Ou o próprio aluno aproveita que o pai do colega já está ali, entra no carro em meio à algazarra própria dos pirralhos, e lá se vai. A escola sequer fica sabendo da mudança de planos.

Tem de rezar para que o menino não seja levado por um sequestrador ou mesmo terceiro mal-intencionado.

A guarda é da mãe, mas como o menino vai saber disso ou tomar conhecimento de um detalhe tão técnico e complicado como esse? Se é o pai que aparece para apanhá-lo, ele vai sem medo.

Ocorrência muito comum é o menor pedir para o vizinho ou motorista ocasional deixá-lo no meio do trajeto. “Pode me deixar aqui na casa de minha tia”.  A “casa da tia” é uma lan-house, a moradia de outro amigo ou até mesmo o ponto de partida para uma excursão ao shopping da cidade.

Nem adiante justificar-se dizendo que já ensinou ao seu filho “não falar com estranhos”. A estatística policial ensina que o violador, o facínora não é “estranho” mas, quase sempre, gente muito, muito conhecida da família e, principalmente, da vítima.

Por tudo isso a escola é responsável, pois a obrigação de zelar pelos alunos prorroga-se mesmo fora dos portões do estabelecimento. Inclusive, o seguro contra acidentes pessoais costuma cobrir o trajeto entre escola e a moradia do aluno.

Infelizmente, como há pais que pensam na escola como um “depósito de crianças”, temos notado que alunos ficam horas sentados na escadaria da escola, esperando os pais relapsos que os esqueceram ali, sujeitos a acidentes, a abordagens daquele pipoqueiro com produtos proibidos para menores ou maiores.

Melhor a escola recolher esses meninos até que os pais se lembrem deles do que responder por uma ação de danos, se coisa pior não acontecer.

Um dos momentos mais angustiantes de todo diretor de escola é quando uma mãe, ao telefone, às 8 da noite, diz que a Ritinha saiu da escola mas não chegou em casa.

Ao invés de delegar a qualquer pessoa a tarefa de buscar o seu filho, melhor investir em um transporte profissional para evitar sustos e tragédias.

 

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