Hermanos y hermanos

Há hermanos e hermanos. Aqui ao lado, na Bolívia, o trapalhão Morales criou o “aguinaldo”, ou um 14º salário imposto aos empregadores bolivianos. Já não chega a ficção do 13º salário, importada do Brasil, que transformou a “gratificação natalina”, um presente, um prêmio dado pelos patrões a seus empregados quando a empresa estava com boa saúde, o desempenho tinha sido bom durante o ano. Um agradecimento, enfim, voluntário e benfazejo.

Com a criatividade burra que sempre nos assola de tempos em tempos, os burocratas travestidos de deputados transformaram a gratificação voluntária em obrigação, fixando em um salário mínimo o que era pago de acordo com a capacidade financeira de cada um.

Assim, o empregador que tem doze meses de faturamento, e, portanto, doze meses de despesas, passou a ter treze meses de obrigações, sem o faturamento correspondente para cobrir esse encargo extra.

Assim, os empresários passaram a fazer ginástica contábil para espremer esse salário extra nos meses normais de faturamento, passando, como sempre, o custo para os consumidores.

Na Bolívia, além do 13º, o presidente Morales mandou pagar, sem explicação e sem nenhuma compensação, mais um 14º salário. Os empresários que se virem.

Da outra fronteira, o Paraguai nos dá um surpreendente exemplo de cidadania e mobilização. Surpreendente, porque sempre se aponta o Paraguai como exemplo de violência, roubo de automóveis, contrabando de cigarros, cerveja e bugigangas. Todavia, ao contrário das mobilizações de junho no Brasil, sem quebradeira, sem pichações, sem danos ao patrimônio público ou cultural, os paraguaios boicotaram os senadores e conseguiram uma impressionante reviravolta na votação de imunidade de um deles.

O senador Victor Bogado foi denunciado por empregar a babá de seus filhos na Itaipu Binacional, mas o Senado negou autorização para processá-lo. Os cidadãos paraguaios passaram a carregar onde iam um rolo de papel higiênico, mostrando o que pensavam de seus políticos.

Restaurantes, shoppings e até hospitais exibiram faixas com o boicote – “senadores não serão atendidos”. O movimento foi crescendo, crescendo, a vida dos políticos foi invibializada e no último fim-de-semana o Senado voltou atrás, cassando a imunidade do parlamentar.

Mais do que isso, o jornal “ABC Color” publicou a foto de todos os políticos, denunciando os parentes que empregam em seus gabinetes (http://www.abc.com.py/especiales/asi-viven-del-estado/).

Um conhecido comentarista do jornal publicou o manifesto abaixo:

“E o que esperamos, sofrido e resistente povo paraguaio? Vamos pedir mais! Victor Bogado é só a ponta do iceberg. Todo este desperdício de dinheiro deveria ir para a saúde, para que o povo tenha pelo menos melhor atenção, educação, para que nossos filhos recebam o que merecem, estradas pavimentadas para circular em todo o tempo até o último confim de nosso país, que está abandonado à corrupção. Vamos, vamos, por mais! O despertar já começou, não o deixemos cair ou parar. Saquemos esses carrapatos, sem-vergonhas, ladrões, corruptos, covardes de onde estão, somos muito mais como povo. Utilizemos a força da união como pessoas e povo que somos. Adiante, Paraguai! (Osvaldo Recalde, comentarista, no jornal ABC Color).

Deputados, senadores, vereadores e todos os políticos brasileiros penduram cunhados, irmãos, esposas, filhos por conta do contribuinte, além dos elevados vencimentos e mordomias que vêm em seus holerites. Só que aqui não conseguimos nos mobilizar e quando pedimos ao Judiciário a abertura desses dados, a sentença é contrária.

Neste mesmo instante, em que o Paraguai nos dá lição de cidadania, Zé Dirceu escarnece de todos os brasileiros, simulando um emprego de 20 mil reais num hotel de “amigo” em Brasília. Nesse providencial “emprego” ele poderá continuar traficando influência, vendendo facilidades nos escaninhos da República e vivendo no mesmo bem-bom de antes de ser processado.

Outro presidiário esperto, José Genoíno, usou sua doença para tentar, num só golpe, suspender o processo de cassação do mandato, pedindo aposentadoria antecipada, e ir para casa “cumprir a pena” com seus familiares e, de quebra, recebendo os mesmos vencimentos de deputado.

Nós somos mesmo idiotas ou apenas parecemos ser?

É o fim da picada.

Diante dessa pouca vergonha, que consolo (e que santa inveja) nos dão os hermanos paraguaios!

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