Rescaldo

Os movimentos perderam a força inicial e espalham-se pelo Brasil “soluços” retardatários, com menor número de participantes mas ainda com acompanhamento da mídia.

Estradas bloqueadas, um maior grau de violência e atitude complacente das autoridades, que ficaram intimidadas com as grandes manifestações dos primeiros dias e não conseguem agir com firmeza nos últimos conflitos.

Os políticos e administradores safados, mesmo com o sinal inequívoco de reprovação vindo das ruas, não interromperam suas trapaças. Na decisão da Copa das Confederações, no Maracanã, o próprio presidente da Câmara, Henrique Alves, trouxe cunhada, enteados e parentes de carona no avião oficial, sendo constrangido a devolver cerca de 10 mil reais em passagens aos cofres públicos.

Em outro front, enquanto todos os demais brasileiros reclamam da péssima qualidade dos telefones celulares, as operadoras anunciaram que vão investir 200 milhões para instalação de 4G nos estádios recém-construídos. Só pode ser uma grande ironia que aeroportos e grandes capitais não tenham telefonia de qualidade e traficantes nos presídios e desocupados nos estádios tenham tecnologia de ponta!

Câmaras (mordomias e assessorias), Senado (cargos de confiança), Poder Executivo (cartões corporativos) e tantos outros ralos escoam nossos impostos na calada da noite, indiferentes ao propalado clamor das ruas. É a certeza da impunidade.

De qualquer maneira, nos bastidores, por trás da imensa massa disseminada pelas redes sociais, há um outro Brasil que deixou bem claros alguns princípios: não se sente representado pelos políticos, nem os que estão no poder, nem os que estão nos partidos buscando o poder; não quer mais gastos de tributos em mordomias e desperdício; quer um país totalmente novo.

Disso decorre que estamos sem lideranças, já que foram varridas das ruas centrais sindicais, partidos, candidatos, órgãos da mídia e, de modo geral, a toda autoridade constituída.

Pior ainda: pairando sobre os gritos da turba, sobre a fumaça do gás e o farfalhar das bandeiras, a perigosa sensação de que tudo pode ser conquistado com uma passeata, com o bloqueio de uma rodovia, com a invasão e depredação de órgãos públicos. Ou seja, não precisamos de instituições públicas e sim de um grande número de agitadores.

Preocupação adicional, o povo sinalizou o tipo de liderança que deseja – Joaquim Barbosa, Marina Silva – um pelos rompantes de autoritarismo com que aparece nas entrevistas, outra pelo populismo lulo-chavista que assola o país ultimamente, com seus plebiscitos que perpetuam a governança, o poder pelo poder, e a promessa demagógica de resolver todas as carências do povo sem cobrar tributos, sem pagar o lanche.

Tanto assim é que, emergindo ao lado da péssima ideia de plebiscito já vem a principal bandeira: financiamento público de campanha!

Esse é o quadro que vislumbramos sobre os escombros de um país que despertou desorientado coma própria força.

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Uma resposta

  1. Apesar de ser amargo que nem giló, este texto é de uma verdade cristalina….

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