Plano de morte

Ancião associado da Cassems passou mal no Rio de Janeiro, com incontinência de todos os tipos e um pique de pressão arterial que o fez vomitar golfadas de sangue em plena Rodoviária carioca.

Desesperado, procurou um posto de atendimento e começou um verdadeiro calvário em busca de assistência. Segundo lhe informaram, a Cassems mantém um convênio com uma tal de GEAP, grupo médico que deveria atender o associado no Rio (ou em todo o território nacional, segundo propaganda publicada no jornal do convênio).

A GEAP disse que o paciente deveria ligar para a Cassems em Mato Grosso do Sul e pedir que ela fizesse a prova de que o interessado era inscrito no plano. Ligando para a Cassems, à beira de uma síncope cardíaca, o velho paciente foi instruído a “procurar nas redondezas de onde estivesse” por um hospital “que atendesse o convênio GEAP”.

Mesmo o ancião tendo narrado seu quadro crítico e falado da impossibilidade (física e emocional) de fazer a pesquisa em busca de um hospital “conveniado”, a exigência parecia ainda mais absurda: mesmo no hospital conveniado, ele deveria procurar uma lista de associados Cassems de que constasse o seu nome!

Depois de horas de busca aflitiva, um hospital era conveniado à GEAP, mas o atendimento não foi realizado, mesmo o paciente demonstrando que estava muito mal. O máximo que fizeram foi abrir “uma ocorrência”, pedindo “autorização” à Cassems. O paciente deveria esperar 48 horas pela resposta e só então, se fosse positiva, o médico iria consultá-lo.

Resumo da ópera: o paciente já retornou a Campo Grande, não conseguiu esperar pelas 48 horas e, de qualquer forma, a famigerada “autorização” nunca chegou.  Se a ceifadeira quisesse teria levado o velho paciente naquele mesmo dia, pois, seu plano de saúde sul-mato-grossense e seus médicos conveniados falharam miseravelmente.

Em contato comigo, disse o paciente que guarda a revista da Cassems desde o primeiro número e sua indignação, agora aumentada pelo péssimo atendimento fora do Estado, aumenta com a quantidade de propaganda enganosa custeada pelas suadas contribuições do funcionalismo público.

Seu alerta é para que não se confie nos convênios de atendimento fora do Estado, pois há tantas dificuldades de acesso que somente um milagre pode salvar o associado.

Ao que parece, o avanço da tecnologia não chega a esses planos, a não ser a parte que lhes garante a arrecadação, essa, sim, sempre on line e em tempo real.  Bastaria entregar ao associado um cartão eletrônico com o logotipo do convênio carioca e uma relação dos postos e hospitais que atendem no Rio, São Paulo e assim por diante.

Esperar que um pobre-diabo, que gastou suas últimas economias para visitar um parente distante, pondo sangue pela boca, tenha condições de sair por uma grande metrópole procurando, aleatoriamente, um hospital conveniado é brincar com a vida humana.

Raramente, o discurso pomposo dos administradores de planos de saúde na TV é compatível com o atendimento real que o associado recebe. Isso vale para praticamente todos os planos, cuja eficiência só é testada, infelizmente, quando o paciente mais precisa de atendimento.

Infelizmente, também, parte da culpa por esse atendimento insensível e desumano é dos próprios associados, que são convidados para assembleias do Plano e não comparecem, que não estudam as letrinhas miúdas dos convênios, que não reclamam no Procon e nas delegacias de polícia contra os responsáveis pela negativa de atendimento.

Limitam-se a pagar (ou serem descontados) pelo Plano e rezam para que Deus os auxilie na hora final, quando o plano será de completa inutilidade.

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