Lições de 2012

Essas eleições, cujo resultado já sabemos, deixarão algumas lições necessárias. Só não percebe aquele que se fossilizou no tempo.

Não se deve deixar o eleitor órfão durante muito tempo como o fazem políticos que, eleitos, abandonam o eleitor à própria sorte, na planície. Durante quatro anos o eleitor sofre todo tipo de violência, filas e ineficiência nos postos de saúde, ônibus sujos, atrasados, aumento de tarifas (IPVA, IPTU, ISS), enquanto o político eleito desfila seus momentos de glória e notoriedade nas mesas de solenidades.

De quatro em quatro anos, voltam para buscar o voto daquele eleitor abandonado, tentando seduzi-lo com novas promessas e o velho chavão “desta vez vamos atender”

Um candidato que já foi majoritário, diante do bordão adversário de que vai atender gente dessa vez, adotou no segundo turno a promessa de “aumentar o acesso à população”, como se isso fosse uma enorme novidade. Pior: como se fossem adotar algo que não fizeram ao longo de 20 anos de indiferença e desmando.

Eis, por que já sabemos, mais uma vez, que o povo é perceptivo e esperto. Todos os “grandes líderes”, os poderosos da vez, aqueles que buscaram, usaram e abusaram do voto sem lembrar de quem os elegeu, anos e anos, estão amargando merecida derrota.

Cabe agora ao que for eleito ler e aprender, sob pena de passar pelo mesmo drama.

A segunda e preciosa lição é que não adianta o candidato que “quase foi eleito” vir à televisão e dizer que está com este ou com aquele lado. Não vai transferir votos, não vai “vender” o espólio a ninguém. Os votos de Azambuja migraram para o lado contrário do que o escolhido pelo “guru” ao fim do primeiro do turno.

O mesmo aconteceu com Russomano em São Paulo. Para quem foram os seus votos? Para ninguém, especificamente, e para todos!  Essa é uma verdade incontestável em 2012.

Um outro fator a ser apreendido é que o eleitor sabe fazer contas e analisar as perspectivas de algumas promessas. Russomano disse que iria criar uma tarifa proporcional à distância percorrida pelo passageiro. Ora, quem mora mais longe passou a excecrar essa proposta, que se revelou suicida para o candidato.

Em Campo Grande, o povo já descobriu que sucessivos mandatos de prefeitos-médicos não melhoraram a saúde, embora o festival de verbas e patranhas tenha servido para eleger deputados federais e senadores médicos (Resende, Moka, Mandetta) e até alguns vereadores como Paulo Siufi.

Os mandatários infiéis, que se julgavam elegíveis para sempre, aprenderam a dura lição de que o povo também se cansa. E, quando cansa, enterra seus ídolos.

A conta está fechada. O pleito servirá, no entanto, para registrar um fato histórico e irreversível: o povo sabe a hora de mudar, embora nem sempre mude para melhor. Sobretudo, povo não gosta de ser órfão por muito tempo.

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Uma resposta

  1. Parabéns pelo texto! Falou tudo aquilo que penso.

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