Não servirás a dois senhores

Não desligue a TV no horário eleitoral. É uma verdadeira escola de cidadania.

Você que é dono do voto precisa analisar bem o que está acontecendo na telinha.

Procure separar o que é promessa do que é exemplo. Diante do candidato, examine o que ele fez quando esteve na Câmara, no Executivo ou na Câmara Federal. O passado diz muito sobre o seu caráter.

PChamou-me a atenção o fato de nenhum dos candidatos a vereador estar comprometido com o povo, infelizmente. Todos estão vinculados a um determinado candidato a prefeito.

En passant, veja como os olhos do candidato caminham para um lado e para outro. Está lendo um discurso, um texto, feito pela assessoria de imprensa ou pelo partido.

Voltando ao vínculo, a campanha é delineada pelo partido, que decide como será feita a mensagem.

Quando alguém diz “vote em Zé da Silva” e acrescenta “com Pedro Xis prefeito”, está dizendo que o povo que dará o voto, o bilhete de ingresso na Câmara Municipal, não será ouvido ou consultado.

Aquele vereador faz parte da “base parlamentar” do prefeito, ou seja, cantará, saltará e dançará a música do prefeito que estiver no comando.

Não digo que isso seja irregular, pois a legislação assim prevê.  Embora o governador apareça dizendo que o vereador representa você na Câmara, na verdade ele “representa o prefeito”, faz parte, repito, da chamada “base de sustentação” do Executivo.

Lamentavelmente, o Executivo tem “líder” no legislativo municipal, estadual e federal, ou seja, o que a Constituição prevê, independência entre Executivo, Legislativo e Judiciário, não ocorre na prática, tal é o grau de dependência entre o vereador e o prefeito.

Vejam o que ocorreu com a licitação do lixo e do transporte coletivo urbano: o prefeito fez o que quis, entregou a concessão por 25, 35 anos e o que fizeram os vereadores? Nada. Ficaram em silêncio ou, quando se manifestaram, elogiaram o prefeito e sua ação nociva aos interesses da população.

Por que o vereador é dependente?

Porque o prefeito só “executa” obras na base do vereador se ele for “companheiro”, fizer o dever de casa, votar os assuntos de interesse do comandante.

Agora, ouça atentamente a propaganda eleitoral e veja se não tenho razão. Essa frase “com Girotto prefeito”, “com Reinaldo prefeito”, com fulano ou com cicrano, indica que o povo estará só.  Ou seja, servirá para votar e levar o vereador à Câmara, mas não terá garantia de fidelidade.

Finalmente, preste atenção: mais da metade dos candidatos não têm ideia do que é ser um vereador, são estreantes. Por isso, seus planos incluem promessas que não são realizáveis no Município.

Um terço, pelo menos, é de gente conhecida, que já esteve lá (Antônio Cruz, por exemplo, foi vereador, foi deputado federal; Zeca foi vereador, deputado estadual e governador; agora ambos voltam ao osso) ou que pleiteia a reeleição. Se olhar o que fizeram até agora, com o mandato recebido, você terá um deserto sem fim.

Na Constituição, o vereador deve fiscalizar e controlar os atos do prefeito, não “estar com ele”.  Não há como servir a dois senhores sem desagradar a um deles, já diz a Escritura Sagrada.

Quem se apresenta como vinculado a um determinado prefeito não servirá a você, que tem o voto e deveria ser o senhor do mandato.

Há exceções? É possível. Estamos procurando, precisamente, essa mosca branca.

Procure alguém que “esteja com você”.

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