Free alongside ship

O importador está feliz. O fim do ano se aproxima e ele aguarda a mercadoria já anunciada (brinquedos chineses) para incrementar as vendas de Natal em suas lojas.

Para economizar, o empresário contratou um agente de negócios no exterior que pechinchou e conseguiu um “ótimo” acordo, uma “galinha morta”, pelo menos em termos financeiros.

O fax ou e-mail recebido naquela semana trazia uma observação de que sua mercadoria pronta em Hong Kong “free alongside ship – FAS”. O agente de negócios até informou em inglês que “the price invoiced or quoted by a seller includes all charges only up to the ship at the port of departure. The buyer is responsible for loading and all subsequent charges” mas o comerciante nem deu bola, já que estava pagando para que o agente cuidasse de tudo.

O problema é que “free alongside ship” é um Incoterm (“international commercial term”) e define que o vendedor paga para o transporte das mercadorias até o porto de embarque. O comprador paga os custos de carregamento, transporte, seguro, descarga e custos de transporte a partir do porto de destino para sua fábrica.

Ou seja, a transferência do risco ocorre quando as mercadorias forem entregues no cais no porto de embarque.

Na prática, o despacho da mercadoria e sua longa travessia até o Brasil dependerá de uma série de medidas burocráticas e de logística (desembaraço, embarque, seguros) praticamente intransponíveis. Em suma, suas vendas  e expectativas para o Natal estão liquidadas.

Se o investimento foi alto, o empresário estará envolvido em faturas e duplicatas no início do ano sem ter vendido um brinquedo encomendado.

O conhecimento de determinados termos, a pesquisa de mercado, a análise do parceiro econômico, sua honestidade, sua idoneidade, sua experiência anterior em negociações com o Brasil, a verificação da legislação local, tudo isso demanda uma assessoria sólida e confiável.

Outra experiência atroz enfrentada pelos empresários brasileiros que se aventuram a negociar com o exterior é a de ficar sabendo, muito tempo depois de ter enviado altas somas para determinado país, é descobrir que o parceiro é um grande estelionatário, já envolvido em trapaças milionárias em todo o mundo.

Um outro exportador, recentemente, descobriu que seu parceiro de negócios em Angola era um “general” muito corrupto, que não-só exigia uma polpuda participação nos lucros do empresário brasileiro como criava inúmeras dificuldades burocráticas para vender facilidades aos incautos que caíam em sua rede.

Um exportador vendeu açúcar para o Oriente Médio e depois de despachar a mercadoria descobriu que o país em questão estava sob embargo econômico dos Estados Unidos e seu açúcar foi parar na Jamaica, em uma negociação pra lá de nebulosa.

Foi pensando nisso que nosso escritório se associou a um respeitado escritório internacional – Noronha Advogados – que tem escritórios em Buenos Aires, Londres, África do Sul, Lisboa, Miami, Beijing e Shanghai.

Os exportadores de Mato Grosso do Sul poderão fazer consultas confidenciais e confiáveis não-só a respeito de seus parceiros comerciais estrangeiros nessas praças, como das principais normas de comércio locais.

Na mão inversa, o mesmo grupo poderá divulgar o produto brasileiro entre grandes empresas importadoras naqueles países, recomendando a idoneidade dos empresários brasileiros.

Informação bem utilizada é o segredo de um bom negócio.

 

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