Vai mal

Disse uma juíza sobre certos advogados:

“Insta ser salientado que os advogados que assinaram as contra-razões necessitam com urgência adquirir livros de português de modo a evitar as expressões que podem ser consideradas como injuriosas ao vernáculo, tais como “em fasse” (no lugar de “em face”), “não aciste razão” (assiste), “cliteriosamente” (criteriosamente), “doutros julgadores” (doutos), “estranhesa” (estranheza), “discusão” (discussão), “inedoneos” (inidôneos)… Acrescenta-se, ainda, que devem os causídicos adquirir também livros de direito, à medida que nas contra-razões constam “pedidos” como se apelação fosse, o que não tem o menor cabimento”.

É grave a denúncia, ainda mais quando se discute nacionalmente se a OAB deve manter ou não o Exame de Ordem, assunto, aliás, já pacificado com a decisão do Supremo Tribunal favorável ao citado exame.

Certamente, esses advogados foram declarados “habilitados” ao exercício da advocacia, pela própria Ordem, declaração que não  reflete a verdade, já se vê.

Não há como separar o conhecimento da língua portuguesa do conhecimento jurídico, pois as duas coisas são essenciais ao advogado. A língua é o veículo por onde trafega a expressão do Direito, isso está fora de dúvida.

A agressão à língua portuguesa está cada dia mais frequente e piorando com o advento de MSN, Facebook, twitter e pela internet em geral, que privilegia a quantidade de texto em detrimento da qualidade. Há uma falsa justificativa de que vale qualquer tipo de expressão, desde que atinja o seu fim, o leitor.

Vê-se, pela expressão “insta ser salientado” da própria juíza, que ela mesma deve seguir à risca o  seu utilíssimo conselho.

O ensino está precário em todo o país. Professores e alunos se equivalem nas lambanças linguísticas e os que chegam à Universidade, nas generosas costas do ENEM, na política de quotas e, de modo geral, na péssima qualidade de todas as faculdades de esquina espalhadas pelo Brasil, são os profissionais refletidos na decisão da ilustre magistrada.

O Exame de Ordem não vai resolver as falhas do ensino em geral. Mas, ao menos, imporá um filtro a essa malta de pernetas que chegam ao mercado de trabalho.

Fica registrado o alerta da juíza, para nosso espanto.

 

 

 

 

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