Leitura atrapalhada

Apontei aqui que o Conselho Nacional de Educação, aparelhado pelos “companheiros” e, sobretudo, seguindo a onda das quotas para negros, para índios, para minorias nas universidades, meteu os pés pelas mãos há algumas semanas e resolveu recomendar censura ao livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato.

Segundo o “Conselho de Sábios” da aldeia brasileira, o livro é racista porque, a certa altura, Monteiro Lobato diz “Tia Anastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.

Resolveram, canhestramente, colocar “notas explicativas”, ou, segundo os sabichões, “contextualizar” a obra. Assim, sabe-se lá por que método, na obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, uma nota dirá que o título não se refere aos participantes do bolsa-família, nem aos sem-teto, nem aos descamisados da vida.

Se Victor Hugo pudesse falar, diria que é exatamente a esses que o livro se refere e não há nada de politicamente incorreto dizer que a pobreza extrema existe.

Obras de Machado de Assis terá nota explicativa para que os estudantes entendam que quando ele se referia a mulato não queria dizer, exatamente, mulato… mas…

Fora isso, como esse povo em Brasília não trabalha e dedica-se a pensar bobagens e, pior, fazer bobagens, por um respeitável jeton, as obras irão sendo revisadas, uma a uma. O próprio livro que gerou a polêmica, “Caçadas de Pedrinho”, receberá mais e mais notas explicativas. “A caçada é proibida pelo IBAMA”. Ou “a onça é um animal em extinção”. Ou, ainda, “quando Tia Anastácia trepa na árvore como uma macaca de carvão o verbo não tem conotação sexual” e assim por diante.

Nas revistas infantis os Sabios de Brasília farão uma festa! “Meninos, o fato de todos os personagens de Disney serem tios e sobrinhos não quer dizer que eles não tenham pais nem sejam filhos ilegítimos”. “Meninos, pronunciar a palavra Shazam pode provocar efeitos indesejados”.  “A leitura de Batman nos condomínios verticais é perigoso para crianças”.

O que farão com o personagem Cascão? “Meninos, gibis de Bolinha não devem servir a bullying contra garotos obesos”.

Mostrei, antes, que o assunto não é novo, embora nos dias de hoje a tentativa dos sábios do Planalto beirar o ridículo.

A edição de Os Lusíadas, de 1572, já trazia advertência do Santo Ofício, a famigerada Inquisição que mandava livros e bruxos para a fogueira, dizendo que ficava ressalvada a “verdade de nossa sancta fe, que todos os Deoses dos Gentios sam Demonios”.

Um obscuro e irresponsável Frei Bertholameu Ferreira assinava o parecer, esquecido de que Camões nunca teve intenção de transformar seus “deoses” em deuses de verdade ou, menos ainda, em demônios. Era só literatura, afinal.

É nisso que resulta manter, em tão importante conselho, um bando de desocupados cuidando de política e não de cultura. Dali saem as idéias malucas de quotas para negros, para índios, para esta ou para aquela minoria. Eles não lêem um livro. Quando lêem, não entendem. Quando entendem, dão viés político ao seu entendimento.

 É preciso reciclar esse povo ou tirá-lo do Conselho de Educação e Cultura, antes que viremos piada internacional.

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