Cidadania

Anatomia do Poder
John Kenneth Galbraith

Introdução

DURANTE UNS QUARENTA ANOS, mais tempo do que gostaria de crer, estive envolvido com o tema do poder – com as idéias e, em parte, com a sua prática. Du¬rante a II Guerra Mundial, quando encar¬regado do controle de preços, julgou-se que eu estava no centro do poder, uma posição que dava a outros uma impressão de maior autoridade que a mim próprio. Outras ve-zes, em outros cargos, estive nas margens, melhor situado para observar do que para exercer influência. Quanto a escrever, meu primeiro livro teve como subtítulo The Concept of Countervailing Power; nele sustentei que um exercício oponente de poder é o principal dissolvente do poder econômico, a defesa básica contra sua ação em assuntos econômicos. O poder retorna como tema central de O Novo Estado Industrial que, numa opinião que não é só minha, considero meu principal trabalho na área econômica. O discurso que proferi como presidente da Associação Econômica Norte-Americana, há uma década, foi so¬bre “O Poder e o Economista Útil”; ali argumentava que a economia divorciada da reflexão sobre o exercício do poder carece de sentido e certamente não tem importância. Retornei ao conceito menos formalmente uma dúzia de vezes, talvez mais. Raramente deixei passar um artigo ou tratado sobre o assunto sem examinar como foi abordado – se, pelo menos, com resultado aproveitável. Este livro – pensei certa vez considerá-lo um exten¬so ensaio – é o que aprendi da experiên¬cia, das leituras, das minhas obras e do esforço conjugado de compreender. Não tenho a pretensão de esgotar o assunto, mas apenas relatar o que sobre ele aprendi.

Ao longo dos anos, fui me conven¬cendo de que existem fatores comuns por detrás das referências usuais ao poder eco¬nômico, político, militar e religioso, bem como ao poder atribuído à imprensa, à televisão e à opinião pública. Essas refe¬rências cotidianas, por não indicarem as constantes subjacentes, geralmente escon¬dem tanto ou mais do que revelam. Preo¬cupei-me em tornar inteiramente visíveis essas constantes – em identificar as fon¬tes do poder na personalidade, na proprie¬dade e na organização, e observar os instru¬mentos pelos quais o poder é exercido e imposto. Espero, como resultado, que meus leitores tenham doravante uma compreen¬são mais clara do que essa palavra abrange e do seu significado na economia, na polí¬tica ou em qualquer outra matéria em discussão.

Como não só escrevi, mas também li sobre o poder, essas leituras tornaram-se parte da bagagem cultural com a qual aqui trabalhei. Creio ser razoavelmente eviden¬te uma parte da minha dívida – para com Max Weber, Bertrand Russell e Adolf A. Berle Jr., o multitalentoso conselheiro e assessor de Roosevelt, diplomata, advoga¬do e escritor sobre assuntos sociais, po¬líticos e econômicos. Foi Berle, mais que qualquer outro, quem estimulou meu in¬teresse por este assunto. Também devo muito ao clássico The Power Elite, de C. Wright Mills, à Politics and Markets, de Charles S. Lindblom, aos diversos traba¬lhos sobre economia do meu amigo Wallace C. Peterson e a livros recentes e tão inte¬ressantes como Authority, de Richard Sen–nett, e Power, de Dennis Wrong. E a mais alguns. A exemplo de outros, não me sinto sempre seguro da origem, às vezes distan¬te, das idéias que acumulei. Tenho um pouco mais de certeza a respeito das idéias que não acho úteis. Suponho, por exem¬plo, que eu tenha sido influenciado por Maquiavel, mas há muito já suspeitava do que Max Lerner sugeriu: que Maquiavel é citado mais freqüentemente por aqueles que não o leram.

Ao falar deste meu longo interesse pelo tema do poder, não quero nem remo¬tamente insinuar que tenha lido tudo quan¬to foi escrito a respeito. Nenhuma vida é tão longa; há alguns livros simplesmente impossíveis de ler; e há muitos, tenho cer¬teza, que deixei escapar. No que tange à. literatura sobre o poder, toda cautela é pouca ao se asseverar qualquer coisa.

Há uma tendência dos que escrevem a respeito do poder, inclusive de muitos que escrevem com amplo conhecimento e inteligência, de permitirem que o assunto os arraste a uma densa complexidade e profunda subjetividade. Tal tentação é compreensível: complexidade e subjetivi-dade são uma proteção contra aqueles crí¬ticos que se pode dizer não souberam cap¬tar a mensagem; e são ainda mais úteis como uma alternativa à labuta e à frustra¬ção da difícil tarefa de clarificação. Mas são também um disfarce para a verdade – o sucedâneo de uma visão clara e inflexí¬vel das questões essenciais. Esforcei–me por essa visão – procurei manter as fontes e os instrumentos do poder constantemente diante dos olhos do leitor. Em parte por esta razão, e em parte também por falta de competência, deixei à margem algumas questões, principalmente, como direi adian¬te, o papel dos tribunais na regulamentação do poder. Não hesitei, também, em repe¬tir aquilo que julguei útil à argumentação ou explicação. Não gostaria que tais reite¬rações fossem sempre tidas como inadver¬tências. Quis estar seguro de que, retirada a cobertura de carne, a anatomia do poder se revelasse inteiramente.

O assunto não (é). . . remoto, filosófico ou esotérico.
ADOLF A. BERLE, JR. Power

Uma Visão Geral

POUCAS PALAVRAS são usadas tão freqüentemente, com tão pouca necessidade aparente de se refletir sobre seu significa¬do, como poder, e assim tem sido através de todas as épocas da humanidade. Junto com majes¬tade e glória, foi incluída no maior louvor bíblico ao Ser Su¬premo; milhões ainda o ofere¬cem todos os dias. Bertrand Rus¬sell chegou à idéia de que o po¬der, juntamente com a glória, permanece como . a mais alta aspiração e a maior recompensa do gênero humano.

Poucos são os que mantêm uma conversa sem referên¬cia ao poder. Diz-se que presidentes ou primeiros–ministros têm poder ou dele carecem em quantidade suficiente. Supõe-se que outros políticos estão adquirindo ou perdendo poder. Comenta-se que as grandes empresas e os sindicatos são po¬derosos e que as multinacionais são perigosamente podero¬sas. Os diretores de jornais, os chefes de redes de radio¬televisão e os mais loquazes, desinibidos, inteligentes ou no-tórios de seus editores, colunistas e comentaristas exercem um poder efetivo. O Reverendo Billy Sunday é lembrado como uma voz poderosa; o Reverendo Billy Graham atual¬mente também é assim descrito. E o mesmo se diz do Reve¬rendo Jerry Falwell; na realidade, o poder que evidencia como líder moral tem sido tal que alguns acreditam que ele esteja dando à moralidade má reputação.

As referências continuam. Os Estados Unidos são um vasto e importante país; e também a União Soviética. Mas é o seu poder que chama a atenção peral: eles são as grandes potências, as superpotências. A Grã–Bretanha, outrora também uma gran¬de potência, já não é poderosa. Todos sabem que nos últimos tempos os Estados Unidos vêm perdendo parte do seu poder industrial para a Alemanha è o Japão. Ninguém pensa em pedir maior explicação sobre essas e miríades de outras refe¬rências ao poder. Por mais diversamente que a palavra seja usada, supõe-se que o leitor ou ouvinte saiba o que ela significa.

E a maioria, sem dúvida, sabe – até certo ponto. Max Weber, o sociólogo e cientista político alemão (1864-1920), embora profundamente fascinado pela complexidade do tema, satisfez-se com uma definição próxima à compreensão coti¬diana: poder é “a possibilidade de alguém impor a sua vontade sobre o comportamento de outras pessoas” . Esta é, quase certamente, a noção mais comum; alguém ou algum grupo está impondo sua vontade e seu objetivo (ou objetivos) a outros, inclusive aos que se mostram relutantes ou contrários. Quanto maior a capacidade de impor tal vontade e atingir o correspon¬dente objetivo, maior o poder. É pelo fato de possuir o po¬der um significado tão ligado ao senso comum que a palavra é empregada tão freqüentemente sem maior necessidade apa¬rente de definição.

Todavia, pouco mais sobre o poder é tão simples. Assim, nas referências que a ele se fazem raramente se menciona a questão altamente interessante de como a vontade é imposta, de como é alcançada a aquiescência alheia. Será a ameaça de castigo físico, a promessa de recompensa pecuniária, o exer¬cício de persuasão, ou alguma outra força mais profunda que leva a pessoa ou as pessoas sujeitas ao exercício do poder a abandonarem suas próprias preferências e aceitarem as de outros? Em qualquer alusão significativa ao poder, isso pre¬cisa ser esclarecido. E também é preciso conhecer as fontes do poder – o que é que diferencia os que o exercem daqueles que estão submetidos, à autoridade de outros. Mediante qual autorização têm alguns o direito de governar, de ditar normas, seja em assuntos importantes ou corriqueiros? E o que leva outros a serem governados? A estas questões – como o poder é exercido, o que permite acesso aos métodos de exercê-lo – é que este livro se dedica.

Os instrumentos pelos quais o poder é exercido e as fontes do direito para esse exercício estão inter–relacionados de maneira complexa. Alguns usos do poder dependem de estar ele oculto, de não ser evidente a submissão dos que capitulam a ele. Na sociedade industrial moderna, tanto os instrumentos para su¬bordinar algumas pessoas à vontade de outras como as fontes dessa capacidade estão sujeitos a mudanças rápidas. Muito do que se acreditava sobre o exercício do poder, decorrente do que era verdadeiro no passado, é obsoleto ou obsolescente no presente.

Não obstante, como observou Adolf Berle, o poder não é algo remoto ou esotérico. Ninguém deveria aventurar-se nesse assunto com a impressão de que é um mistério que só os privilegiados podem penetrar. Há uma forma de estudo aca¬dêmico que procura, não ampliar o conhecimento, mas excluir o desconhecido. Não se deve ceder a tal orientação, principal¬mente num assunto de importância prática tão grande como este. Todas as conclusões sobre o poder podem ser testadas face à evidência histórica geralmente aceita e a maior parte delas face à observação do dia-a-dia e ao simples bom senso. No entanto, será útil ter em mente, desde o início, os fatos básicos do poder para então prosseguir com uma visão clara do seu caráter essencial – sua anatomia.

O poder cumpre, há séculos, uma regra de tríade,. Há três instrumentos para manejá-lo ou exercê-lo. E há três institui¬ções ou atributos que outorgam o direito de usá-lo.

Uma medida da superficialidade com que tem sido ana¬lisado o tema do poder é o fato de os três instrumentos rela¬tivamente óbvios de seu exercício não terem nomes geralmente aceitos. Estes nomes precisam ser estabelecidos: falarei do poder condigno, compensatório e condicionado.

O poder condigno obtém submissão pela capacidade de impor às preferências do indivíduo ou do grupo uma.alterna¬tiva suficientemente desagradável ou dolorosa para levá-lo a abandonar essas suas preferências. Há uma ênfase de punição no termo “condigno” que transmite a impressão adequada.

O escravo das galés indubitavelmente preferia esquivar-se do seu árduo trabalho, mas a perspectiva do sofrimento de ser açoitado caso fingisse doença junto aos remos era suficiente-mente desagradável para assegurar o necessário esforço, mesmo que penoso. Num nível menos terrífico, o indivíduo deixa de expor sua idéia e aceita o ponto de vista de outro porque uma eventual reprimenda seria muito áspera.

O poder condigno obtém submissão infligindo ou amea¬çando conseqüências adequadamente adversas. O poder com¬pensatório, em contraste, conquista submissão oferecendo uma recompensa positiva – proporcionando algo de valor ao indi¬víduo que assim se submete. Em um estágio anterior do de¬senvolvimento econômico, como ainda hoje em economias ru¬rais elementares, a compensação assume diversas formas, inclusive pagamentos em espécie e o direito de lavrar um pedaço de terra ou dividir o produto das terras do senhorio. E, da mes¬ma forma como uma repreensão pessoal ou pública é uma for¬ma de poder condigno, o elogio é uma forma de poder com¬pensatório. Entretanto, na economia moderna, a mais impor¬tante expressão do poder compensatório é, sem dúvida, a re¬compensa pecuniária – o pagamento em dinheiro por serviços prestados, o que vale dizer, pela submissão aos objetivos econômicos ou pessoais de outros. Quando transmitir um significado mais adequado, usaremos a expressão pagamento pecuniário.

Um traço comum aos poderes condigno e compensatório é que o indivíduo que se submete está ciente de sua submissão – num caso, compelido e no outro, por recompensa. O poder condicionado, por sua vez, é exercido mediante a mudança de uma convicção, de uma crença. A persuasão, a educação ou o compromisso social com o que parece natural, apropriado ou correto leva o indivíduo a se submeter à vontade alheia. A submissão reflete o rumo preferido; o fato da submissão não é reconhecido. O poder condicionado, mais que o poder con¬digno ou o compensatório, é fundamental, como veremos, para o funcionamento da economia e do governo nos tempos atuais, tanto nos países capitalistas como nos socialistas.

Por detrás destes três instrumentos para o exercício do poder estão as três fontes do poder – os atributos ou instituições que distinguem os que detêm o poder daqueles que se submetem a ele. Estas três fontes são a personalidade, a propriedade (a qual, naturalmente, inclui a renda disponível) e a organização.

A personalidade – liderança, na linguagem comum – é a qualidade do físico, da mente, de oratória, de firmeza moral ou de qualquer outra característica pessoal que dá acesso a um ou mais instrumentos do poder. Nas sociedades primitivas, este acesso era aberto através da força física para o poder, condigno; permanece ainda hoje uma fonte de poder em algu¬mas famílias ou comunidades de jovens para o homem mais forte e musculoso. Entretanto, nos tempos modernos a perso¬nalidade está primordialmente associada ao poder condiciona¬do – à aptidão em persuadir ou gerar crenças.

A propriedade ou riqueza confere um aspecto de autori¬dade, uma firmeza de propósito, e isto pode induzir à submis¬são condicionada. Mas sua principal associação, obviamente, é com o poder compensatório. A propriedade – a renda – proporciona os meios para comprar submissão.

A organização, a fonte de poder mais importante nas sociedades modernas, está primordialmente ligada ao poder condicionado. Admite-se que a organização seja indispensável quando se busca o poder ou se necessita dele. É, portanto, da organização que provém a persuasão necessária e a conse¬qüente submissão aos seus propósitos. Mas a organização, como no caso do Estado, também tem acesso ao poder condig¬no – a diversas formas de punição. E os grupos organizados têm maior ou menor acesso ao poder compensatório, de acordo com a propriedade que possuem.

Isto leva a uma consideração final. Assim como há uma associação primária, mas não exclusiva, entre cada um dos três instrumentos pelos quais o poder é exercido e uma das fontes, também há numerosas combinações entre as fontes do poder e os instrumentos correlatos. Personalidade, propriedade e organização se combinam em diversos graus. Daí surge uma combinação variável de instrumentos para a imposição do poder. Isolar e desemaranhar as fontes e os instrumentos em um determinado exercício do poder, avaliar a sua importância relativa e analisar as mudanças dessa importância relativa ao longo do tempo são o objetivo deste livro.

Nos primórdios do Cristianismo, o poder se originava da personalidade arrebatadora do Salvador. Quase imediatamente surgiu uma organização, os Apóstolos. E com o tempo a Igreja tornou-se, como organização, a mais influente e duradoura em todo o mundo. A propriedade e a renda de que dispunha certamente não foram as suas mais insignificantes fontes de poder. Da combinação de personalidade (a da Presença Divina e a da longa linha de líderes religiosos), propriedade e, acima de tudo, sua singular organização, advieram a crença condi¬cionada, as prebendas ou a compensação, e a ameaça de puni¬ção condigna neste ou no outro mundo – o que, no conjunto, constituiu o poder religioso. Tal é o complexo de fatores incor¬porados e, em grande medida, ocultos por essa expressão. Poder político, poder econômico, poder empresarial, poder militar e outras expressões escondem, profunda e analogamente, uma inter-relação igualmente diversa. Quando mencionados, o âmago desses termos não é atingido. Minha atenção neste trabalho é voltada para isso que é tão frequentemente mantido oculto.

Veremos primeiro os instrumentos pelos quais o poder é exercido e, a seguir, suas fontes. Depois, examinaremos a maneira pela qual o poder se desenvolveu ao longo do tempo e sua realidade em nossos dias. Antes disso, porém, é necessária uma palavra sobre os objetivos daqueles que buscam o poder e sobre a disposição de espírito com que se aborda o assunto.

A exemplo de muitos outros aspectos do poder, os propósitos pelos quais ele é procurado são amplamente sentidos, mas raramente enunciados. Indivíduos e grupos buscam o poder para promover seus próprios interesses, inclusive, e talvez principalmente, seus próprios interesses pecuniários. E para estender a outros os seus valores pessoais, religiosos e sociais. E também a fim de obter apoio para a sua visão econômica ou alguma outra visão social do bem público. O homem de negócios compra a submissão dos seus trabalhadores para que estes sirvam aos seus objetivos econômicos – ganhar dinheiro. O líder religioso persuade seus fiéis ou sua audiência de rádio e televisão porque entende que suas crenças devem ser as deles. O político procura o apoio, vale dizer a submissão, dos eleitores para que possa permanecer no cargo. O ecologista, por preferir o ar limpo ao poluído, pretende obrigar aqueles que fabricam automóveis ou possuem indústrias a respeitarem a sua preferência. Estes últimos buscam submissão ao seu pró¬prio desejo de custos menores e menos regulamentação legal. Os conservadores empenham-se em obter submissão à sua visão da ordem econômica e social, bem como às ações corres¬pondentes; os liberais e os socialistas procuram submissão equivalente aos seus pontos de vista. Em todos os casos, como será suficientemente observado nos próximos capítulos, a orga¬nização – a união daqueles que partilham interesses, valores ou idéias semelhantes – é essencial para a conquista de tal submissão, para a busca do poder.

A linguagem cotidiana costuma lembrar as razões pelas quais se procura o poder. Se houver um vínculo estreito com os interesses de um indivíduo ou grupo, diz-se que o poder está sendo buscado para fins egoístas; se refletir o interesse ou as idéias de um número maior de pessoas, os envolvidos são considerados líderes ou estadistas inspirados.

Reconhece-se também que os propósitos pelos quais o poder está sendo perseguido serão muitas vezes ampla e deli¬beradamente ocultos por falsas e engenhosas colocações. O político que almeja um cargo para defender os interesses pe¬cuniários de patrocinadores ricos será especialmente eloqüente ao se descrever como um benfeitor público e até como um diligente e devotado amigo dos pobres. O homem de negócios de razoável instrução não mais emprega trabalhadores para aumentar o seu lucro; seu objetivo mais profundo é propor¬cionar empregos, fomentar o bem-estar da comunidade e asse¬gurar o êxito do sistema da livre iniciativa. O mais fervoroso pregador mostra-se ostensivamente preocupado com a salva¬ção dos pecadores, trazendo os iníquos à graça divina; outro¬ra ele era bem conhecido por manter o olhar atento ao prato de coletas. Um cinismo profundamente enraizado e extrema¬mente valioso é a réplica apropriada e usual a todas as de-clarações abertas dos objetivos do poder; exprime-se na oni¬presente pergunta “O que ele realmente pretende?”

Muito menos estudado é até que ponto a finalidade do poder é o exercício do próprio poder. Em todas as sociedades, das mais primitivas às ostensivamente mais civilizadas, o exer¬cício do poder é profundamente apreciado. Rituais de obediên¬cia cuidadosamente elaborados – multidões admiradoras, dis¬cursos aplaudidos, precedência em jantares e banquetes, um lugar especial nos desfiles, uso do jatinho executivo, a conti¬nência dos militares – celebram a posse do poder. Estes rituais são altamente gratificantes, como também o são as súplicas e intercessões daqueles que procuram influenciar outros no exer¬cício do poder; e, naturalmente, as atividades do exercício do poder, tais como as instruções aos subordinados, as ordens de comando dos militares, as decisões de um tribunal, a declara¬ção ao final das reuniões, quando o responsável diz “Bem, então é isto o que vamos fazer”. Um senso de mérito auto-estimulado deriva tanto do contexto como do exercício do poder. Em nenhum outro aspecto da existência humana está a vaidade exposta a tanto risco; nas palavras de William Hazlitt, “o amor ao poder é o amor a nós mesmos”. Segue-se que o poder é buscado não só em virtude do serviço que presta aos interesses e valores pessoais ou às idéias sociais, mas também por consi¬deração a ele próprio, pelas recompensas emocionais e mate¬riais inerentes à sua posse e ao seu exercício.

Entretanto, por uma questão de elementar decoro, não se deve admitir tão abertamente que o poder é assim requestado por amor ao próprio poder. Aceita-se que o indivíduo aspire ao poder para impor seus valores morais sobre outros, ou para dar impulso a um ideal de virtude social, ou para ganhar dinheiro. E, como dissemos, é permissível disfarçar um objetivo com outro – o auto-enriquecimento pode ser escondido por detrás de grandes serviços à comunidade, inten¬ções políticas sórdidas por detrás de uma apaixonada declara¬ção de devoção ao bem público. Mas não se permite buscar o poder meramente pelo extraordinário prazer que proporciona.

Embora a perseguição do poder por causa do poder não possa ser admitida, a consciência pública, como sempre, per¬cebe a realidade. Políticos são freqüentemente descritos como “sedentos de poder”; a implicação óbvia é que buscam o poder para satisfazer um apetite. Empresas assumem o controle de outras não em busca de lucros, mas do poder que advém da direção de um negócio ainda maior. Isto também é reconhecido. Políticos norte–americanos – senadores, deputados, ministros e presidentes – comumente sacrificam riqueza, lazer e muito mais aos rigores do serviço público. Torna-se razoa¬velmente evidente que o exercício não específico do poder e o acesso aos seus ritos fazem parte da motivação. Talvez só para os que são assim recompensados é que os prazeres do poder pelo poder sejam largamente ocultos.

Uma referência ao poder raramente é neutra; há poucas pala¬vras que produzem tanta admiração ou, mais freqüentemente, tanta indignação. Um político pode ser considerado por alguns como um líder poderoso e, portanto, eficiente; por outros, como alguém perigosamente desumano. O poder burocrático é mau, mas os funcionários com poder para tornar eficaz o serviço público são muito bons. O poder dos grandes conglomerados é perigoso; também o é, no entanto, uma empresa fracamente administrada. Os sindicatos, em seu exercício do poder, são indispensáveis na defesa dos direitos dos trabalhadores; vistos de outro ângulo, estão profundamente em conflito com a liber¬dade de seus membros, com o bem-estar dos empregadores e com o público em geral.

Muita coisa, obviamente, depende do ponto de vista – das diferentes reações daqueles cuja submissão se pretende, daqueles cujo boi está sendo sangrado. O político que conse¬gue aprovar uma reforma tributária desejada por alguém empe¬nhou-se num douto exercício do poder; para aqueles que devem pagar, ela é ou pode ser arbitrária, até mesmo irracional. A admiração pelo exercício do poder que consegue a construção de um novo aeroporto não é partilhada por aqueles que têm propriedades adjacentes à pista.

A reação ao poder também é, em grande parte, um legado do seu passado. Nossa memória ainda guarda que os trabalha¬dores negros nos Estados Unidos e os servos brancos na Rússia Imperial eram compelidos a chibatadas a executar a vontade do feitor, proprietário ou senhorio. Poder significava poder condigno de um tipo particularmente cruel e sanguinário. O mundo também tem sofrido milhares de anos com a penosa experiência de coerção condigna imposta pela organização militar, uma experiência que ainda não chegou ao fim. Este passado e algo mais é que deram, ao poder, seu significado atemorizante.

Além disso, como veremos adiante em pormenores, boa parte do exercício do poder depende de um condicionamento social que procura ocultá-lo. Aos jovens ensina-se que numa democracia todo poder emana do povo. E que num sistema de livre iniciativa toda autoridade repousa na soberania do consu¬midor, que opera através do mecanismo impessoal do mercado. Oculta-se, desta maneira, o poder público da organização – do Pentágono, da indústria bélica, de outras empresas e dos grupos de pressão sobre o legislativo (os lobbyists). Dissimu¬lado de maneira similar pela mística do mercado e da sobera¬nia do consumidor é o poder das grandes empresas para deter¬minarem ou influenciarem os preços e os custos, subornarem ou subjugarem políticos e manipularem as reações do consu¬midor. Mas, ao final, torna-se visível que as organizações realmente influenciam o governo, dobram-no, e com ele o povo, à sua vontade e aspirações. E também que essas grandes empresas não estão subordinadas ao mercado; pelo contrário, o mercado que supostamente as controlaria torna-se, em parte, um instrumento em suas mãos para fixarem seus preços e receitas. Como tudo isto conflita com o condicionamento social, gera indignação. O poder, assim dissimulado pelo condicionamento social e então revelado, parece profundamente ilegítimo.

No entanto, o poder, por si, não é um assunto merecedor de indignação. O exercício do poder, a submissão de alguns à vontade de outros, é inevitável na sociedade moderna; nada se realiza sem ele. É um assunto para ser abordado com espírito cético, mas não com a idéia fixa do mal. O poder pode ser socialmente maligno; mas é também socialmente imprescindível. É preciso julgá-lo, mas certamente não será possível aplicar um julgamento geral para todo poder.

Poder Condigno e Poder Compensatório

A CARACTERÍSTICA MAIS MARCANTE tanto do poder condigno como do poder compensatório é sua objetividade – ou visibilidade. Aqueles que aceitam a vontade de outros estão conscientes de fazê-lo; agem em consequência de um cálculo razoavelmente deliberado de que esse é o melhor procedimento. Ou melhor, por causa da oferta de algum específico toma-lá-dá-cá para sua submissão. E aqueles que exercem o poder também o fazem intencionalmente.

A diferença entre o poder condigno e o poder compensatório é a diferença entre a recompensa negativa e a positiva. O poder condigno esmaga o indivíduo com algo suficientemente doloroso, física ou emocionalmente para fazê-lo renunciar à sua própria vontade ou preferência a fim de evitar o sofrimento. O poder compensatório oferece ao indivíduo uma recompensa ou um pagamento suficientemente vantajoso ou agradável para que renuncie à sua própria preferência e, em troca, busque a recompensa. Em linguagem menos abstrata, o poder condigno obtém submissão pela promessa ou realidade de uma punição; o poder compen¬satório, pela promessa ou realidade de um benefício.

O poder condigno tem uma relação antiga e bem estabe¬lecida com a punição física – prisão sob diversas condições de desconforto ou inflição de dor, mutilação, qualquer outra tortura imaginativa, ou morte. Esta impressão não é errônea; todas as sociedades reconhecem o caráter desagradável da maioria das punições condignas, a sua fácil tendência à cruel¬dade, e estabelecem regras para controlar, ou tentar contro¬lar, o seu uso. Nada condena tanto um país ou um sistema de governo quanto o recurso indiscriminado ao seu emprego. Entretanto, a expressão poder condigno, como usada aqui, tem uma conotação mais ampla: estende-se ao poder exercido por qualquer forma ou ameaça de ação adversa, inclusive mul¬tas, expropriação, repreensão verbal e condenação ostensiva por outros indivíduos ou pela comunidade.

O exercício tanto do poder condigno como do compensatório é graduado conforme a urgência, amplitude, importância e dificuldade da submissão pretendida. Assim, a maioria das sociedades considera imperioso impedir o assassinato, o estu¬pro e outras formas de agressão física, e que um eventual assassino ou violentador seja firmemente submetido à decisão da comunidade. Esses atos, portanto, estão sujeitos à ameaça de punição maior do que pequenos furtos ou roubos, infrações de trânsito ou violações do sossego público. Da mesma forma, com relação ao poder compensatório, admite-se que o bom trabalhador ou aquele que trabalha muitas horas tenha uma recompensa pecuniária maior do que outro de desempenho inferior. “Eu o pago bem e espero que dê o máximo de si no trabalho”, vale dizer, uma submissão total às ordens ou aos propósitos do pagador. Presume-se que os que desenvolvem esforço mental e não físico, ou que arcam com as responsabili¬dades da administração, exijam por sua submissão aos propó¬sitos da organização um pagamento maior do que os que pres¬tam somente serviço físico ou manual, por mais capazes ou talentosos que estes possam ser.

A graduação adequada da punição condigna e retribuição compensatória figura entre as questões mais discutidas na so¬ciedade moderna, gerando abundantes comentários e contro¬vérsias. A punição do assassino já mencionado é compatível com os resultados almejados? E a dos acusados de traição? E suficiente a penalidade para aqueles que não se submetem à norma pública sobre o uso de maconha, cocaína ou heroína? São excessivos os salários que curvam os executivos aos pro¬pósitos das empresas? Existe alguma harmonia entre sua remu¬neração e os salários daqueles que trabalham no meio do ruído e sujeira da linha de produção? Os que servem à organização pública – que se submetem aos propósitos do Estado – estão sendo pagos adequada ou excessivamente face aos seus colegas em posições equivalentes na empresa privada? Que dizer dos soldados, cuja submissão é obtida em parte por meio do seu soldo, em parte pela expectativa de medidas condignas se de¬monstrarem insuficiente entusiasmo na presença do inimigo, e em parte por um poderoso condicionamento social ainda a ser examinado? A fascinação pelo tema do poder reside no número de janelas que ele abre sobre a vida cotidiana. A preocupação em todas as sociedades pelo que é justo ou apropriado na punição ou recompensa é uma janela através da qual iremos olhar diversas vezes mais adiante.

Em todas as atividades sociais modernas, uma linha bem nítida é traçada entre o poder compensatório e o poder condigno. A coerção compensatória é tida como muito mais civilizada e compatível com a liberdade e a dignidade do indivíduo do que a coerção condigna. A situação do trabalhador livre, que tra¬balha em troca do salário, é tida sob todos os aspectos como superior à do escravo, cuja submissão à vontade e aos propó¬sitos do senhor é estimulada pela ameaça sanguinária do cas¬tigo físico.

A diferença é grande, em verdade, mas deve ser atribuída mais ao desenvolvimento econômico do que a um maior escla¬recimento social. Na sociedade pobre, a diferença entre a coer¬ção condigna e compensatória é pequena: só na sociedade rica é que surge uma grande distinção. Quando a pobreza era geral, os trabalhadores livres labutavam sob o medo da fome e de outras privações que eram a alternativa à remuneração. O escravo exauria-se de medo do açoite. Preferir a fome à fla¬gelação era, talvez, uma questão de gosto. Assim, antes da Guerra Civil no Sul dos Estados Unidos, o trabalhador livre desfrutava de posição social superior à do negro na lavoura.

Não obstante, ele trabalhava sob a ameaça da privação econô¬mica que, por vezes, não deve ter sido menos compulsiva que os temores do escravo. Algo poderia mesmo ser dito, e, de fato, outros já o disseram, em favor da maior segurança e esta¬bilidade de emprego do escravo. Ele podia ser espancado, mas não despedido. Foi com o desenvolvimento econômico que as duas formas de coerção divergiram nitidamente. O trabalhador livre passou então a amealhar recursos pessoais que o susten¬tariam, pelo menos temporariamente, se ficasse sem trabalho. As oportunidades alternativas de emprego tornaram-se mais numerosas. E finalmente surgiram as organizações sindicais. O salário-desemprego implicou uma notável libertação das do¬lorosas alternativas que nivelavam a coerção compensatória e a condigna. Assim, o trabalho passou a ser realizado cada vez mais em troca da retribuição pecuniária e cada vez menos em razão dos temores associados à perda do emprego.

Vale notar que nos Estados Unidos esta divergência entre a situação do escravo e a do trabalhador livre, aliada à cres¬cente facilidade de comunicação entre os Estados livres e o Sul, teria no final tornado a escravidão economicamente impra¬ticável, por mais que continuasse a ser carinhosamente defen¬dida pelos proprietários agrícolas sobre fundamentos morais, sociais ou tradicionais. Sendo grandes e visíveis as vantagens do trabalhador livre e fácil o transporte em trens de carga, a deserção para o Norte teria aumentado e se tornado endêmica. Os escravocratas convictos, engolindo seus princípios, teriam oferecido suplementos salariais aos seus escravos ou, mais pro¬vavelmente, uma participação na safra para que permaneces¬sem fiéis. A submissão do escravo à vontade do senhor seria então cada vez mais em função da recompensa pecuniária e não da punição condigna. Esse é o efeito do desenvolvimento econômico sobre os instrumentos do poder. É possível – embora não seja prudente diante de um evento tão celebrado do passado – argumentar que, dada a taxa de crescimento econômico na segunda metade do século passado, a Guerra Civil teria sido desnecessária se houvesse sido adiada por cerca de duas décadas.

Tenhamos agora uma visão rápida, porém útil, da relação entre o poder condigno ou compensatório e o que é chamado de ética do trabalho. O trabalho tem sido sempre considerado peculiar¬mente ético para os trabalhadores menos bem pagos em empre¬gos repetitivos; nas camadas superiores da ordem social, uma concepção bem imaginativa do lazer atribui uma tendência civilizada aos que dele usufruem. Pagamentos de previdência social, salário-desemprego e outras formas de seguridade social são considerados especialmente prejudiciais à ética do trabalho e por conseguinte, aos pobres. Como tal, são uma fonte de grave indignação por parte dos conservadores.

O instinto conservador não está equivocado. Renda mais elevada e benefícios previdenciários de fato enfraquecem a compulsão como força motivadora. À medida em que aumenta a distância entre a submissão condigna e a compensatória, aumenta também a preocupação com os hábitos de trabalho. Multiplicam-se as queixas contra a dedicação dos operários. Talvez, concluirão alguns, uma certa privação ou sua ameaça seja necessária para manter a disciplina e a ética do trabalho. Este foi um princípio endossado pela política do governo Reagan nos Estados Unidos quando assumiu o poder em 1981. Entretanto, é mister perguntar se um hiato crescente entre o exercício do poder condigno e do poder compensatório em as-suntos econômicos deve ser deplorado. Um sistema econômi¬co no qual as pessoas trabalham – submetem-se à vontade e aos objetivos de outros – por causa de uma recompensa geralmente positiva e não por uma compulsão negativa cau¬sada pelo medo do sofrimento tem algo (bastante, dirão mui¬tos) em seu favor.

A abolição da escravatura significou a eliminação do direito de punição condigna para impor o trabalho, isto é, para obter submissão à vontade do proprietário do escravo, e a sua subs¬tituição por uma recompensa pecuniária, ainda que pequena. Os proprietários de fábricas e minas tinham outrora o direito de recorrer à violência física ou à sua ameaça para acabar com greves ou dobrar operários recalcitrantes à sua vontade. Este direito também foi quase totalmente eliminado e sua aplica¬ção, quando ainda ocorre, é tida como um retrocesso. O gover¬no polonês, no final do outono de 1981, recorreu à lei marcial para impedir greves e obter a submissão dos trabalhadores e estudantes aos propósitos do Estado e do partido comunista. Na realidade, o poder condigno substituiu o poder compensa¬tório que já estava muito enfraquecido pela falta de uma com¬pensação possível sob a forma de alimentos e outras necessi¬dades básicas. Desnecessário dizer que esta regressão ao poder condigno foi muito deplorada.

Em um nível mais trivial, os maridos originalmente obti¬nham a submissão ou obediência das mulheres pela ameaça ou prática freqüente de agressão condigna. Isto já não é bem visto; a proteção às mulheres espancadas tornou-se um ideal social. A vontade do mestre-escola era tradicionalmente imposta me¬diante punição condigna; hoje poupar a palmatória já não significa estragar a criança. Antigamente os pregadores granjeavam a submissão de sua congregação à fé que esposavam mediante a promessa de uma punição extremamente desagra¬dável no mundo do além aos dissidentes. Hoje, pregar o fogo do inferno e a eterna maldição é geralmente considerado totalmente arcaico.

Paralelamente ao declínio da reputação do exercício do poder condigno verificou-se um esforço para minimizar a sua severidade onde ele ainda sobrevive. Tempos atrás, os solda¬dos que desertassem em face do inimigo estavam sujeitos à execução sumária. Na Primeira Guerra Mundial, muitos foram assim eliminados. Na Segunda Guerra, isto já não era consi¬derado muito apropriado; apenas um único soldado norteamericano foi executado por recusar-se a enfrentar o fogo inimigo e sua história tornou-se uma pequena cause célèbre. A pena capital, na maioria das sociedades modernas, embora não em todas, vem sendo condenada, juntamente, é claro, com a tor¬tura, a morte à fome e a flagelação.

Com o declínio da reputação do poder condigno surgiu também um amplo e vigoroso esforço para aumentar a eficácia do poder compensatório, notadamente para aqueles propósitos considerados socialmente desejáveis – em particular, um maior empenho e investimento econômico. Uma palavra chave aqui é incentivo; um incentivo é algo que torna mais eficiente e com¬pulsiva a retribuição compensatória pela submissão socialmen¬te desejável. Poucos temas são mais discutidos pelos governos modernos. A política fiscal, a política monetária, a política agrícola, as diretrizes salariais e trabalhistas estão todas preo¬cupadas, direta ou indiretamente, com os efeitos de uma dada medida sobre os incentivos – sobre o poder compensatório. A relação entre remuneração e esforço também é uma preo¬cupação das grandes empresas e figura com destaque em todas as discussões econômicas formais. Esse é o papel atual do poder compensatório.

Embora o prestígio e o uso do poder condigno tenha de¬clinado muito nas sociedades modernas, principalmente em relação ao poder compensatório, sua antiga aura sobrevive. Para aqueles que outrora possuíam o direito de usá-lo, permanece como um fator para a conquista da submissão. O marido, pai, mestre-escola, policial, membro da Guarda Nacional, leão-de-chácara, todos desfrutam hoje de autoridade em conse¬qüência de sua associação com o poder condigno no passado.

Vemos aqui também o fundamento das aspirações conser¬vadoras em prol da pena capital, dos castigos corporais nas escolas, domínio dos homens sobre as mulheres, poderes mais sanguinários para a polícia, direitos mais amplos de busca e captura, direito à posse sem restrições e, como necessário, o uso de armas letais. Argumenta-se que estas relíquias de um passado geralmente mais violento são imprescindíveis para a defesa da lei e da ordem, ou para lograr uma conduta social aceitável. O que mais importa notar é que todas são manifes¬tações do poder condigno. Tal poder foi consideravelmente mais importante no passado do que hoje; e a função natural dos conservadores é conservar ou recuperar o passado.

Fundamental para o poder condigno e para o poder compen¬satório é a relação entre a recompensa oferecida ou a punição acenada e a submissão obtida. O operário da linha de montagem não permaneceria muito tempo no serviço sem pagamento, nem se submeteria a fazer horas extras sem uma remuneração suplementar. O criminoso em potencial é dissuadido pela amea¬ça de uma punição a que estará sujeito. O motorista respeita o limite de velocidade por causa da multa que pode sofrer.

Mas em todos estes casos e em outros, está presente um outro incentivo para a submissão: é que essa submissão reflete uma forma de comportamento adequada, prestigiosa, aceita ou decente. Os adultos trabalham em parte porque é o que se deve fazer. A vida não deve ser desperdiçada, nem o tempo ser gasto em ociosidade. No sagrado recôndito dos gabinetes dos executivos, espera-se que os homens (e as raras mulheres) dediquem a totalidade de suas energias aos negócios da empre¬sa; a menos que se refira ao aumento salarial ou à redução dos impostos, seria insuportável que qualquer um deles insinuasse que seus esforços são regulados pelo dinheiro que recebem, isto é, que os dirigentes de uma empresa não dão o máximo de si por razões salariais. E o mesmo é válido no setor público. Não se deve pensar que um político ou alto funcionário público esteja moldando seus esforços de acordo com o seu pagamento. As crianças obedecem aos pais – submetem-se à sua vontade – porque é isso que as crianças fazem. Algumas mulheres também se submetem aos maridos. E a maior parte das pessoas obedecem à autoridade pública não por medo de punição con¬digna ou por esperança de recompensa, mas porque são cida¬dãos obedientes à lei.

A dificuldade para se compreender o poder é, como sem¬pre, a ausência de casos puros. Em mistura íntima com a impo¬sição condigna ou compensatória do poder está a submissão que advém porque o indivíduo acredita ou foi persuadido de que esse é, de algum modo, o melhor caminho para ele. É uma submissão proveniente da convicção, da crença. E tal submissão é de grande e crescente importância. Da mesma forma que o desenvolvimento sócio-econômico impeliu a sociedade da imposição física condigna do poder para a retribuição pecuniária compensatória, agora a está levando a confiar cada vez mais no uso do poder condicionado.

…Os negócios do mundo… têm consistido quase que apenas de uma perpétua disputa por honra, riquezas e autoridade… Estas são, de fato, grandes dificuldades, mas não impossibilidades; pois pela educação e disci¬plina podem ser, e às vezes são, conciliadas. THOMAS HOBBES Leviathan

O conteúdo deste manual promoverá a cida¬dania e a compreensão do sistema de livre iniciativa, enfatizará o patriotismo e o res¬peito à autoridade constituída… Não esti¬mulará os estilos de vida estranhos aos pa¬drões geralmente aceitos na sociedade. PROCLAMAÇÃO DO TEXAS Conselho Estadual de Educação, 1982

Poder Condicionado

Enquanto o poder condigno e o compen¬satório são visíveis e objeti¬vos, o poder condicionado, em contraste, é subjetivo; nem os que o exercem, nem os que se sujeitam a ele estão necessaria¬mente sempre cientes de que ele está sendo exercido. A aceitação da autoridade, a submissão à vontade alheia, torna-se a pre¬ferência mais alta daqueles que se submetem. Esta preferência pode ser deliberadamente culti¬vada – pela persuasão ou pela educação. Este é o condiciona¬mento explícito. Ou pode ser di¬tada pela própria cultura; a sub¬missão é considerada normal, apropriada ou tradicionalmente correta. Este é o condicionamento implícito. Nenhuma linha ní¬tida separa um do outro; o condicionamento explícito transmuda-se gradualmente em implícito. Para dar substância a essas abstrações, recorrerei aos meios pelos quais os homens no passado, e consideravelmente também no presente, têm exercido poder sobre as mulheres e as curvado à sua vontade.

Uma parcela do exercício da autoridade masculina deve ser atribuída ao maior acesso do homem ao poder condigno – à maior força física do marido e sua utilização para impor a vontade sobre uma esposa fisicamente mais fraca e insufi¬cientemente dócil. E ninguém pode duvidar da costumeira eficiência do poder compensatório, da recompensa sob a forma de roupas, jóias, moradia, divertimentos e participação na vida social. Estas recompensas vêm demonstrando há muito, e ade¬quadamente, sua utilidade em assegurar a aquiescência femi¬nina à vontade masculina.

Entretanto, uma breve reflexão tornará evidente que o poder masculino e a submissão feminina têm dependido, desde os tempos antigos, muito mais da crença de que tal submissão é a ordem natural das coisas. Os homens podiam amar, honrar e prover; durante longo tempo aceitou-se que as mulheres deveriam amar, honrar e obedecer. Parte disto foi o produto de uma educação específica – da instrução no lar, nas esco¬las e pela Igreja, de que este era o papel adequado das mulhe¬res na ordem social e em relação à família. Até recentemente os cursos universitários ensinavam às mulheres, mas não aos homens, as artes do lar – economia doméstica e trabalhos manuais – com a implicação evidente de que isto era impor¬tante para uma submissão normal à vontade masculina. Tal im¬plicação nesta forma de ensino ainda não desapareceu por completo.

Mas apenas uma parte da subordinação das mulheres era obtida pela instrução explícita – pelo condicionamento explícito. Outra parte, quase certamente a maior, era (e ainda é) obtida pela simples aceitação daquilo que a comunidade e a cultura têm considerado há tempos como correto e virtuoso ou, na expressão de Max Weber, daquilo que é uma relação patrimonial estabelecida entre o governante e o governado. Este é o condicionamento implícito, uma força poderosa.

Acima de tudo, esta submissão condicionada das mulhe¬res procedia de uma crença, a crença feminina de que a von¬tade masculina era preferível à afirmação indevida da sua própria vontade e, em contrapartida, a crença masculina de que os homens tinham o direito de dominar em virtude de seu sexo ou das qualidades físicas e mentais a ele associadas. Uma literatura vasta e altamente repetitiva celebrava não só esta submissão das mulheres, mas também a eventual mulher notável ou excêntrica que, por sua personalidade, astúcia, ou utilização precisa ou extravagante de sua competência sexual, procurava impor sua vontade à comunidade, ao governo, aos amantes ou aos maridos.

Uma prova deste poder da crença está na natureza do atual esforço de emancipação – o movimento feminista. Diversas formas do poder condigno masculino têm sido atacadas, inclusive o direito de os maridos infligirem castigo físico ou mental. Tem-se procurado reduzir o poder compensatório exercido pelos homens, mediante o incremento de oportuni¬dades de emprego fora do lar para mulheres e as denúncias de discriminações que mantêm as mulheres em cargos inferio¬res. Mas o ponto focal deste empenho tem sido o questiona¬mento e o desafio à crença de que a submissão e a subserviência são normais, virtuosas e corretas. Por sua vez, a reiteração desta crença – a insistência sobre os chamados valores tradi¬cionais do lar, da família e da religião – tem sido fundamental para os esforços e clamores daqueles (talvez mais mulheres do que homens) que têm resistido ao movimento de emancipação.

O que se afirmou a respeito do domínio masculino também se aplica às outras manifestações do poder. O poder da Igreja, como foi observado, era outrora mantido pelo seu acesso à punição condigna, tanto neste como no outro mundo. E nin¬guém poria em dúvida a atração compensatória dos benefícios conferidos pela Igreja. Mas, preponderantemente, seu poder dependia, e ainda depende hoje, da crença. É para o objetivo de instilar e consolidar essa crença que a Igreja sempre, e sabiamente, dirigiu seus maiores esforços. Tão generalizado é este empenho que as afirmações de fé têm sido identificadas com a própria religião.

O mesmo acontece com os militares, como também já mencionado. Os soldados são, e devem ser, pagos pelos seus serviços. E uma alternativa condigna também se torna fre¬qüentemente necessária para aqueles que relutam em servir ou em enfrentar as conseqüências possivelmente fatais da ba¬talha. Todavia, há muito que se aceita que os bons soldados têm um compromisso com a causa pela qual lutam – essa disposição para aceitar a morte e a mutilação exige o moral elevado que provém da crença. Os mercenários, motivados apenas pelo poder compensatório, ou os recrutas desprepara¬dos, motivados só pelo poder condigno, sempre foram consi¬derados guerreiros de segunda categoria.

Infelizmente, em muitos lugares do mundo atual, líderes políticos ainda mantêm o cargo graças ao seu acesso ao poder condigno – à capacidade de ameaçar de confinamento, tortu¬ra ou morte sumária àqueles que não aceitam sua vontade. Também fazem considerável uso do poder compensatório, da habilidade de comprar o apoio, isto é, a subserviência, de in¬divíduos que de outra forma não se submeteriam à autori¬dade. A compra direta de votos era comum em várias partes dos Estados Unidos até recentemente. O mesmo ocorria em outras democracias. E o poder compensatório ainda persiste sob várias formas – distribuição de cargos, convites para cerimônias sociais, outorga de honrarias e, notadamente, a concessão de contratos públicos. Novamente, contudo, a exem¬plo do que ocorre com a religião e as forças armadas, o poder condicionado é muito mais importante. A grande maioria dos políticos modernos devota-se ao cultivo da crença. Nas demo¬cracias do século XX, o poder político consiste basicamente em poder condicionado. Este é outro assunto ao qual voltarei.

Há um aspecto muito prático nessa questão. Costuma-se argumentar, de modo nem um pouco desinteressado, que é necessário propiciar maior receita líquida (após as deduções) para estimular maior esforço e obter maior produtividade. Mas, como vemos aqui, é o condicionamento, e não a compensação, que basicamente induz a subordi¬nação do executivo aos propósitos da empresa. Assim sendo, haveria pouco ou nenhum esforço adicional em decorrência de uma remuneração maior, como se pode constatar na prática.

O poder condicionado também é de grande significação na vida econômica. O trabalhador médio só reage ao poder compensatório; na ausência deste não trabalharia. Entretanto, em quase todas as tarefas, exceto as mais entediantes e esta¬fantes, o trabalhador se orgulha do seu trabalho e reflete em sua realização aquilo que Thorstein Veblen chamou de instin¬to para a arte no trabalho. Este instinto torna-se cada vez mais importante e reconhecido à medida em que o indivíduo ascende na hierarquia da grande empresa. O diretor–presidente (ou o aspirante ao cargo) orgulha-se de realmente acreditar naquilo que está fazendo. A remuneração do executivo ainda é uma grande motivação; mas os propósitos da empresa estão pro¬fundamente incorporados à sua crença e têm uma força inde¬pendente. Crê que tais objetivos são bons e corretos, e essa crença é uma manifestação altamente eficaz do poder con¬dicionado. .

Em todas as alusões habituais ao poder, seja familiar, religioso, militar, político ou econômico – alusões que, deve-se notar, ocultam tanto quanto revelam –, o papel do poder condicionado é bem amplo. E ganha maior dimensão como um aspecto inerente a todo desenvolvimento social.

O poder condicionado é o produto de um continuum que parte da persuasão objetiva, visível, até o ponto em que aquilo que o indivíduo no contexto social fora levado a acreditar seja in-trinsecamente correto. Como vimos, tal poder pode ser explí¬cito, o resultado de uma tentativa direta e clara para conquistar a crença que, por sua vez, reflete os propósitos do indivíduo ou grupo que busca ou exerce o poder. Ou então a crença pode estar implícita na condição social ou cultural; a submissão à autoridade de outros reflete a idéia aceita sobre o que o indi¬víduo deve fazer. Quando se passa do condicionamento explí¬cito para o implícito, passa-se de um esforço importuno e osten¬sivo de conquistar a crença para uma subordinação imposta que é despercebida – aceita como tal sem questionamento. E, o que é importante, a aceitação social do poder condicio¬nado aumenta constantemente quando se caminha do condicio¬namento explícito para o implícito.

Assim, uma das formas mais explícitas de poder condi¬cionado nas sociedades industriais modernas é exercida através da publicidade. Pela arte e reiteração as pessoas são persuadidas a crer na jovialidade peculiar a certa marca de cerveja, nas qualidades protetoras da saúde específicas de uma deter¬minada marca de cigarros, na elevada aceitação social da bran¬cura dos colarinhos, no singular estilo moral de um determina¬do político, na conveniência ou insensatez de uma dada iniciativa política. Em todos os casos o efeito é o mesmo: o compra¬dor é levado a crer nos propósitos do vendedor. Ele ou ela rende-se à vontade do fornecedor de cerveja, cigarros, deter¬gente ou objetivo político. Não importa que isto nem sempre seja percebido como um exercício de poder. O fato de que sua crença talvez seja superficial e a subordinação resultante não seja duradoura nem substancial não altera o caráter essencial da tentativa. Nos tempos atuais, poucas manifestações de po¬der despendem uma energia tão custosa e devotada como o cultivo da crença e o resultante exercício do poder através da publicidade.

Entretanto, em parte por ser uma tentativa totalmente ostensiva de conquistar uma crença, a publicidade não é uma maneira inteiramente respeitável para tal. Comumente ela induz à sua própria resistência e desaprovação. Conseqüentemente, se uma grande empresa que procura subordinar os consumi¬dores a comprar seus produtos lança uma campanha publicitária, ela lançará uma campanha educativa se desejar subor¬dinar os cidadãos aos seus propósitos políticos – por exemplo, uma fuga à onerosa regulamentação ou a alguma taxação alega¬damente injusta. O mesmo vale para qualquer outro grupo que busque submissão à sua vontade manifesta. Na conquista de uma crença ou convicção, a educação goza de melhor repu¬tação social que a publicidade.

Todavia, há problemas com a educação. Por vezes, ela também pode ser muito notória. Um político pode falar em informar seus eleitores, mas não pode, sem humilhar a inteli¬gência destes, dizer que precisam de educação. Um Presidente pode dizer em particular que o povo precisa ser instruído a respeito deste ou daquele assunto. Mas quando vai à televisão é para dizer que eles, como cidadãos, precisam ficar cientes disso ou daquilo. Admite-se que a imprensa, a televisão, o rádio – os meios de comunicação de massa em geral – têm uma grande função educativa. Mas eles normalmente não de¬claram isso; seu propósito tático é simplesmente informar seus leitores, espectadores ou ouvintes.

O fato de que o poder está envolvido – de que se almeja a submissão de alguns aos propósitos de outros – é suficien¬temente indicado pela tensão que cerca o acesso aos meios de comunicação de massa. Todos os últimos Presidentes dos Esta¬dos Unidos entraram repetidas vezes em desavença com a televisão, a imprensa e o rádio. Em parte, é porque os meios de comunicação de massa detêm um certo grau de controle sobre o acesso do Presidente ao poder condicionado. E ainda porque o condicionamento que esses meios pretendem pode conflitar com o pretendido pelo Presidente. Daí o atrito. Daí, também, os contínuos esforços presidenciais, de forma alguma infrutí¬feros, para seduzir a imprensa mediante atenção pessoal, apa¬rentes confidências, bajulações fastidiosamente enunciadas, re¬cepções sociais, solenes deferências, e outros artifícios. E daí, finalmente, o tão alardeado e não insignificante freio imposto ao poder presidencial pelos meios de comunicação de massa. Uma das conseqüências disso é a visão substancialmente exage¬rada do poder da imprensa, do rádio e da televisão, assunto ao qual voltarei em capítulo posterior.

Dificilmente alguém questionará a importância do condicio¬namento explícito dos meios de comunicação de massa como instrumento para conquistar a submissão e exercer o poder. Aqueles engajados na mídia estão solenemente cientes do seu papel. Menos divulgado é o condicionamento através da educação formal – pela família, pelas escolas e universidades. Todos cultivam intensamente as crenças que permitem o exercício do poder. As crianças, em qualquer escola com um mínimo de competência, são ensinadas desde os mais tenros dias que a autoridade dos pais e dos mestres deve ser respeitada; que as leis devem ser obedecidas; que há uma presunção de sabe¬doria naquilo que um governo democrático decide; que há um código a ser cumprido em relação a asseio, trajes e higiene pessoal; que a aceitação da liderança – a submissão prazerosa à vontade de outros – é uma coisa normal e louvável. Parte do valor que todas as instituições educacionais conferem aos esportes coletivos reside no treinamento que proporcionam e que implica numa substituição quase automática dos objetivos individuais pelos do grupo ou da equipe, das preferências ou idéias individuais pela autoridade do técnico ou do capitão.

O condicionamento educacional também leva à aceitação de formas muito específicas de poder. As escolas em todos os países inculcam os princípios de patriotismo através de ritos populares tradicionais, como o juramento de lealdade à ban¬deira, da ênfase nos feitos heróicos do passado e do ensino direto do valor que hoje tem o preparo e a ação militar. Isto, por sua vez, é de alta importância para obter aceitação dos propósitos correlatos do Estado. O condicionamento que exige a reunião de todos em torno da bandeira é de particular impor¬tância para conseguir a subordinação à política militar e exter¬na. O resultado é no sentido de se colocarem as questões de segurança e defesa nacional acima das objeções partidárias ou outras menores.

O condicionamento educacional estende-se também ao sistema econômico e social. Nos países comunistas as crianças ouvem falar incansavelmente das virtudes do socialismo, da necessidade da submissão ampla e entusiástica aos seus pro¬pósitos. Mas, exceto quanto à intensidade, tal empenho não é peculiar à educação comunista. Nos Estados Unidos, as crian¬ças também ouvem falar das virtudes da livre iniciativa; as empresas e conglomerados reclamam continuamente que o exemplo socialista seja rivalizado e que haja mais instrução desse tipo nas escolas e universidades, bem como para o públi¬co em geral. Na medida em que tal instrução tenha êxito, aqueles assim educados são levados a aceitar os ideais do mun¬do dos negócios como expressões válidas do bem público e do seu próprio. A seriedade com que se encara esse condiciona¬mento nas escolas é atestada pela cólera que ainda pode irrom¬per se os adolescentes tiverem acesso nas bibliotecas escolares a livros críticos ou de alguma forma contrários aos pontos de vista socialmente aceitos sobre a ordem econômica e social vigente.

A importância do condicionamento educacional direto é indicada também pela permanente controvérsia sobre o ensino religioso nas escolas públicas norte–americanas. O objetivo fundamental confesso deste ensino é desenvolver, numa idade precoce, a crença que conduz à aceitação da autoridade reli¬giosa. Dúvidas sobre a conveniência de tal condicionamento e do conseqüente exercício do poder, somadas às diferenças inconciliáveis de pontos de vista sobre a autoridade religiosa a ser aceita, levaram à interdição constitucional de toda instru¬ção dessa natureza. Aqueles que buscam o poder resultante jamais aceitaram essa proibição. Continuam a incentivar o condicionamento implícito que advém até mesmo de ritos reli¬giosos humildes, como a oração voluntária e silenciosa. Estes ritos, por sua vez, são vistos pelos seus opositores como fonte de uma eventual crença religiosa e conseqüente submissão à autoridade religiosa. Outras controvérsias – a da educação sexual é um exemplo proeminente – refletem a importância atribuída ao condicionamento social nas escolas e a resultante submissão (ou não submissão) à autoridade, que advém (ou se acredita que advenha) das crenças que por esse meio são instiladas. O caráter muitas vezes feroz da controvérsia sobre a educação religiosa ou a sexual só pode ser compreendido quando se está plenamente ciente de que o poder está envol¬vido na questão.

É tentador pensar que a maior parte do condicionamento (e a submissão e o exercício de poder conseqüentes) é algo que se conquista através de métodos claros, por exemplo, pela educa¬ção ou pelos meios de comunicação. Há uma forte tendência a se atribuir maior importância ao que pode ser visto ou ouvido. Entretanto, todas as sociedades dispõem de uma forma ainda mais abrangente de condicionamento social. De tão sutil e penetrante, chega a ser tida como parte natural e integrante da própria vida; dela não transparece nenhum esforço visível ou específico para conquistar a pretendida crença e submissão. Assim é a autoridade dos pais, que na maioria dos casos não precisa ser expressa; é aparentemente normal e todas as crian¬ças aceitam-na por natureza. Assim é também a autoridade do professor e do padre. E dos líderes da comunidade. E das autoridades públicas devidamente eleitas e dos que arrecadam os impostos e fazem cumprir as leis. Em parte por ser uma tendência ou um instinto comunal, presta-se serviço a um empregador e adota-se o comportamento biblicamente pres¬crito do servo bom e fiel. Uma educação específica contra o assassinato, o estupro e mesmo o roubo é geralmente vista como desnecessária. Tal condicionamento implícito age abran¬gente, mas subjetiva e invisivelmente, sobre o indivíduo, desde o nascimento. Não podemos avaliar sua importância em rela¬ção ao condicionamento ostensivo, mas nem podemos duvidar de que é importante.

Uma vez conquistada a crença, através do condicionamento explícito ou implícito, a decorrente subordinação à vontade de outros é considerada como produto do senso moral ou social do próprio indivíduo – da sua intuição quanto ao que é correto ou bom. Num caso puro, ela é totalmente desvinculada de qualquer retribuição compensatória ou punição condigna. Do mesmo modo que as crianças obedecem aos pais, assim os adultos tomam banho, usam desodorante, vão à igreja ou rendem-se às idéias de um líder político; essas são as coisas corretas ou pessoalmente gratificantes a ser feitas; punição ou recompensa não estão envolvidas. Entretanto, na prática os três instrumentos de imposição estão combinados. As crianças entregam-se à autoridade dos pais como coisa natural. Mas pode também estar presente a promessa de uma retribuição compensatória pela submissão e a possibilidade de uma punição condigna pela resistência. Analogamente aos resultados do condicionamento familiar e social, muitos indivíduos se submetem à autoridade religiosa; alguns, todavia, consideram além disso o tratamento presumivelmente desagradável que aguarda no final os insubmissos. Para muitos adultos é sufi-ciente que sejam bons cidadãos e assim submetem-se ao seu governo. Mas há também compensações tangíveis sob a forma de posição social, emprego e status para aqueles que assim agem. E para quem rejeita o padrão condicionado de conduta aceitável, a punição pela comunidade, ou mais diretamente pela autoridade, pode ser severa. Na análise do poder, jamais podemos admitir que haja somente uma fonte ou um instru¬mento de poder em ação.

Um dividendo importante da separação do poder em seus com¬ponentes anatômicos é vermos que as diferenças normalmente tidas como de espécie são, na realidade, diferenças de grau. E os elementos constituintes são de força diferente em cada instância. Assim, o exercício do poder pelos regimes totalitários combina o uso particularmente intenso (e preventivo) da coer¬ção condicionada – pelas escolas, imprensa, televisão, rádio, oratória – com uma generosa retribuição compensatória para aqueles que se submetem, e com uma punição condigna, muitas vezes de caráter perpétuo, para os que não aderem. Nas déca¬das de 1930 e 1940, a propaganda maciça de Joseph Paul Goebbels na Alemanha foi uma característica marcante do nacional-socialismo, uma aplicação em grande escala do poder condicionado ostensivo. A ela foi associada, no entanto, uma poderosa atração compensatória de empregos e contratos de suprimentos bélicos. E havia a punição condigna dos campos de concentração para aqueles que ainda resistissem à subor-dinação. Da mesma forma, na Rússia stalinista também foram intensamente utilizadas a retribuição compensatória, a punição condigna e o condicionamento ostensivo. Em outros casos, a mistura foi, ou é, mais seletiva. Os ditadores latino-america¬nos Rafael Trujillo e Anastasio Somoza granjearam uma repu¬tação especial de crueldade porque, tendo pouca habilidade no manejo do poder condicionado (com raras medidas benéficas para proclamarem) e poucos recursos para aplicarem o poder compensatório, foram forçados a contar quase que somente com o poder condigno. Isto levou a uma distinção entre o poder autoritário, com sua dependência mais ou menos exclusiva da coerção condigna, e o poder totalitário, caracterizado pelo uso mais abrangente do poder condigno, compensatório e con¬dicionado. Os ditadores da América do Sul, África ou Ásia são autoritários; os países comunistas são totalitários. E tem-se afirmado que o exercício autoritário do poder, sendo limitado, é moralmente superior ao exercício mais abrangente do poder totalitário. Esta não é uma distinção de mérito especial para aqueles que vivem sob um regime autoritário. A maior neces¬sidade que tem este regime de apoiar-se no poder condigno e a crueldade e extermínio decorrentes podem facilmente torná-lo o mais insuportável ou ultrajante dos dois.

Os governos democráticos não renunciam ao poder con¬digno, compensatório ou condicionado; todos estes são exer¬cidos. A diferença, uma vez mais, está na combinação envol¬vida, nas restrições a que estão sujeitos os instrumentos e, ponto importante, no grau em que o Estado reserva para si o uso exclusivo do poder condicionado.

Ao examinar o exercício do poder, devemos ser sempre sensíveis às diversas combinações das partes componentes. Estas variadas combinações e suas permutações irão ocupar-nos extensamente nas próximas páginas. E veremos a reali¬dade que está em grande parte oculta nas alusões ao poder econômico, político, religioso e qualquer outro. Nenhum deles, entretanto, pode ser entendido sem conhecermos os elementos que os compõem. Por isso, devemos examinar primeiro as fontes do poder.

NOTAS

1. Livraria Pioneira Editora, 2a. edição, 1983.
2. “Dos infinitos desejos do homem, os princi¬pais são os desejos de poder e de gloria.” Power: A New Social Analysis (N. York: W.W. Norton, 1938), p. 11.
3. Max Weber on Law in Economy and Society (Cambridge: Harvard University Press, 1954), p. 323. Ver Reinhardt Bendix, Max Weber: An Intellectual Portrait (Garden City, N. Y.: Doubleday, 1960), pp. 294-300. Em outra passagem, Weber disse que o poder é a capacidade de uma ou mais pessoas “realizarem sua própria vontade num alo, comunal contra a vontade HP outros que, participam do mesmo ato”.
4. Tomei algumas liberdades na seleção e no uso deste termo. No uso léxico estrito, condigno tem uma relação adjetiva com punição. De um modo geral, uma punição condigna é uma punição apropriada, adequada. Se fôssemos escrupulosamente pe¬dantes, usaríamos aqui e no resto do livro a expressão punição condigna. Omito a palavra punição com a idéia, primeiro enunciada por Lewis Carrol, de que uma palavra pode ter o sentido que se quer que ela tenha – “nem mais nem menos”. Uma alternativa tentadora teria sido poder “coercivo”, como é usado por Dennis H. Wrong em Power: Its Forms, Bases and Uses (N. York: Harper Colophon Books, 1980). Sua argumentação sobre autoridade coerciva (pp. 41-4) corre em paralelo, de modo geral, com meu uso de poder condigno. No entanto, “coercivo” tem uma cono¬tação menos específica de instrumento ao qual o indivíduo ou grupo se rende, de algo que traz consigo a submissão.
N. do S. – Cabe um esclarecimento na tradução. Em inglês, a conotação positiva de condign (= proporcional ao mérito) tornou-se obsoleta em 1800. Persiste hoje a cono¬tação neutra (= merecido, adequado) e a negativa, surgida por volta de 1700 (= me¬recido por causa de um crime). Em português, inversamente, “condigno” é uma palavra mais positiva e neutra do que negativa. Mas, para conformar-se mais ao original, este é o termo utilizado.
5. Como outros já disseram, “Talvez nenhum assunto, em toda a área das ciências sociais, seja tão importante, e ao mesmo tempo tão seriamente negligenciado, quanto o papel do poder na vida econômica”. Melville J. Ulmer, “Economic Power and Vested Interests”, em Power in Economics, organizado por K.W.Rotschild (Harmonds-worth, Eng.: Penguim Books, 1971), p. 245.
6. “O indivíduo sadio que conquista o poder ama-o” (Dr. Harvey Rich, psicanalista de Washington, D.C., citado no New York Times, 9 de novembro de 1982). Ber¬trand de Jouvenel coloca a questão de maneira mais vigorosa: “O líder de qualquer grupo de homens … sente, em vista disso, quase uma ampliação física de si mesmo … O comando é um pico de montanha. O ar que ali se respira é diferente e as perspectivas dali são diferentes daquelas do vale da obediência”. (On Power: Its Nature and the History of Its Growth, N. York: Viking Press, 1949, p. 116.)
7. John F. Kennedy, homem de certa franqueza ao expressar-se em público, assim o fez. “Candidato-me à presidência”, disse ele, “porque é lá que está a ação”. Por ação, esteve próximo de significar poder.
8. “O poder tem dois aspectos… É uma necessidade social… É também uma ameaça social”. De Jouvenel, On Power, p. 283.
9. Isso ocorre porque há uma profunda diferença na natureza e amplitude dessa submis¬são. O operário, ou seu equivalente em outros ramos, despende esforço físico mais ou menos diligente e ágil durante determinado número de horas por dia. Além disso, nada mais se espera dele, em princípio – nem seus pensamentos, nem certamente conformidade de linguagem ou de comportamento. Mas do alto executivo de uma empresa geralmente se exige uma submissão mais completa aos propósitos da orga¬nização. Ele ou ela não deve falar nem pensar nada que seja contrário aos objetivos da empresa. Não deve jamais em público_ – e, se for prudente, nem mesmo em particular – suscitar dúvidas sobre a profundidade e sinceridade do seu compromisso. Muitos fatores determinam sua grande, às vezes enorme, remuneração, inclusive a necessidade de ser compensado pelos anos de preparação, pela considerável inteligência exigida, pela responsabilidade que carrega e pelos supostos riscos de alta posição. Em termos práticos, o nível de salário de um executivo também é influenciado pelo papel significativo e altamente conveniente que ele desempenha na sua fixação; grande parte do que cabe aos diretores de uma grande empresa deve-se à sua própria inspirada generosidade. Mas há também pagamento pela abrangente submissão da sua perso¬nalidade individual à personalidade da empresa. Não é nada irrelevante abdicar o próprio eu e sua auto-expressão em favor da personalidade coletiva do. empregador. Daí a alta recompensa. (Daí, também^ o incomparável tédio de tantas declarações ofi¬ciais das empresas.) Este é um assunto ao qual voltarei.
10. Estes são temas de debates particularmente apreciados entre os historiadores. Meu antigo colega na Harvard, Robert W. Fogel, tem sido duramente criticado por sustentar que a situação do trabalhador escravo não era muito inferior à do trabalhador livre nos anos anteriores à guerra. (Time on the Cross, com Stanley L. Engerman. Boston: Little, Brown, 1974) Contento-me em reconhecer que há uma diferença econômica e moral entre as condições de ambos, e em argumentar apenas que essa diferença aumenta, pari passu, com o próprio desenvolvimento econômico.
11. “Toleram-se empregadores ineptos, estúpidos ou desagradáveis quando se precisa comer.” Richard Sennett, Authority (Nova York: Knopf, 1980), p. 107. Sobre este tópico geral, ver a extensa argumentação de Sennett no mesmo livro, pp. 104 e seguintes.
12. O termo também passou a sugerir que alguém está buscando maiores rendas e usa a função social como disfarce.
13. Para um estudo esclarecedor do que chamo aqui poder condicionado, ver Charles E. Lindblom, Politics and Markets: The World´s Political-Economic Systems (Nova York: Basic Books, 1977), especialmente pp. 52-62.
14. Bertrand Russell, numa passagem notável, apoia este ponto de vista: “É fácil defen¬der que a opinião é onipotente e que todas as outras formas de poder derivam dela. Os exércitos são inúteis se os soldados não acreditarem na causa pela qual estão lutando ou, no caso de mercenários, não tiverem confiança na capacidade de seus comandantes para levá-los à vitória. A lei é impotente se não gozar de respeito geral. As instituições econômicas dependem do respeito à lei; consideremos, por exemplo, o que aconteceria com o sistema bancário se o cidadão comum não fizesse objeção à falsificação”. Power: A New Social Analysis (Nova York: W. W. Norton, 1938), p. 136. Russell prossegue insistindo na importância de se examinar as fontes da opinião assim enfatizada.
15. Ver p. 62.
16. Há um aspecto muito prático nessa questão. Costuma-se argumentar, de modo nem um pouco desinteressado, que é necessário propiciar maior receita líquida (após as deduções) para estimular maior esforço e obter maior produtividade. Mas, como vemos aqui, é o condicionamento, e não a compensação, que basicamente induz a subordinação do executivo aos propósitos da empresa. Assim sendo, haveria pouco ou nenhum esforço adicional em decorrência de uma remuneração maior, como se pode constatar na prática.
17. Para uma exposição bastante enfática desta tendência, ver C. Wright Mills, The Power Elite (Nova York: Oxford University Press, 1956), PP. 319-20.
18. Embora devamos ter sempre em mente que diferenças de grau podem ser extremamente diferentes.
19. Principalmente pela administração do Presidente Reagan e, em particular, por sua embaixatriz nas Nações Unidas, Jeane Kirkpatrick.
20. A franquia do presente excerto da obra Anatomia do Poder, de John Kenneth Galbraith, não visa violar direitos autorais e sim usar a obra para estudo acadêmico do Grupo Cidadania, para uma perfeita compreensão das estruturas de Poder. O excerto compreende as páginas 1/38, com definição dos conceitos de Poder Condigno, Poder Compensatório e Poder Condicionado. Na sequência estudaremos As Fontes de Poder. JC.

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Uma resposta

  1. O governo do partido dos trabalhadores está escravizando trabalhadores, funcionários e aposentados para manter o poder a qualquer preço.

    ATENÇÃO PARA A REVOLUÇÃO QUE ESTÁ EM CURSO.
    ROLA NA NET:

    POLÍTICO SÓ TEM MEDO DE URNA: DE MAIS NADA!!!

    PENSANDO NISSO OS APOSENTADOS, COM MUITA PROPRIEDADE, DESENVOLVERAM DE FORMA SIMPLES, EFICIENTE E DEMOCRÁTICA UMA MANEIRA DE LUTAR PELAS SUAS CAUSAS E, AO MESMO TEMPO, RESOLVER GRAVES PROBLEMAS NACIONAIS.

    LUTE HOJE PARA VIVER BEM O AMANHÃ.
    APOSENTADOS TÊM DIREITO, MAS NÃO PODEM CURTIR A APOSENTADORIA: SÃO ESCRAVOS DE POLÍTICOS NO BRASIL.

    ROLA NA NET.

    POVO SEM PARTIDO POLÍTICO NÃO PERDE ELEIÇÃO PARA PESQUISA, RÁDIO OU TELEVISÃO.
    A esperança do povo brasileiro está na ponta dos dedos dos aposentados, idosos e cidadãos que têm a consciência de que: POVO QUE NÃO TEM PARTIDO É PATRÃO NAS URNAS.
    “A REVOLTA DAS BENGALAS E DAS CADEIRAS DE RODAS” vai deixar muitos políticos mal intencionados sem sono.
    ITÁLIA: O governo criou os juízes sem rosto que acabaram com a máfia.
    BRASIL: A Revolta das Bengalas e das Cadeiras de Rodas, movimento sem partido e sem nome, vai acabar com a escravidão dos aposentados, idosos, trabalhadores, anarquia e corrupção instaladas no país pelos últimos governos, inclusive estaduais e municipais.
    O PT E SEUS COLIGADOS ESTÃO QUEIMADOS COM OS IDOSOS, APOSENTADOS, PROFESSORES, MÉDICOS, MILITARES (INCLUSIVE DA POLÍCIA MILITAR E DO CORPO DE BOMBEIROS – PEC 300), FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS E COM TRABALHADORES – FUTUROS APOSENTADOS.
    FERNANDO HENRIQUE PREPAROU A FORCA DOS POSENTADOS, LULA COLOCOU A CORDA E A DILMA, RELEMBRANDO O SEU PASSADO, ESTÁ PUXANDO A CORDA EM VOLTA DO PESCOÇO DOS IDOSOS COM A FRIEZA DE UMA TERRORISTA.
    MAIS DE 20 MILHÕES DE IDOSOS E APOSENTADOS VÃO ÀS URNAS PARA DERRUBAR OS SEUS CARRASCOS. APÓS 12 ANOS, NÃO HÁ MAIS ESPAÇO PARA ENTENDIMENTO.
    A OPOSIÇÃO VAI ASSUMIR E RESPEITAR OS TRABALHADORES E APOSENTADOS PORQUE NÓS, NOVAMENTE DEPOIS DE QUATRO ANOS, SEREMOS A VERDADE NAS URNAS.
    EXISTEM VÁRIAS CLASSES ENGAJADAS NOS INTERESSES DOS APOSENTADOS PARA ACABAR COM A ESCRAVIDÃO DOS TRABALHADORES E APOSENTADOS NO BRASIL.

    O texto:

    ““A REVOLTA DAS BENGALAS E CADEIRAS DE RODAS.””

    DE UM LADO APOSENTADOS E OS IDOSOS QUE CONTRIBUÍRAM, POR DÉCADAS, PARA TER UMA VELHICE DIGNA, MAS ESTÃO ESCRAVIZADOS E PASSANDO PRIVAÇÕES HÁ 12 ANOS PELOS GOVERNOS DO PT. (LULA E DILMA)
    X
    DO OUTRO LADO, POLÍTICOS CORRUPTOS E MENTIROSOS QUE NA PLATAFORMA DE GOVERNO PROMETEM RESOLVER O PROBLEMA DA APOSENTADORIA.
    CAMPO DE BATALHA: AS URNAS.

    OS IDOSOS VÃO SE “ARRASTAR” ATÉ AS URNAS PARA TIRAR DO PODER CORRUPTOS E MENTIROSOS QUE PROMETERAM RESOLVER O PROBLEMA DO APOSENTADO E NADA FIZERAM PORQUE SABEM QUE IDOSOS NÃO GOSTAM DE VOTAR, MAS OS CARRASCOS VÃO “CAIR DO CAVALO”.

    ESTA CAUSA É DE TODOS, INCLUSIVE MILITARES E CIVIS DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. TODOS ESTÃO CAMINHANDO PARA GANHAREM SOMENTE UM SALÁRIO MÍNIMO: É O OBJETIVO DOS CARRASCOS QUE ESTÃO NO PODER.

    APESAR DA ECRAVIDÃO E ESTADO DE MISÉRIA IMPOSTO PELO PARTIDO DOS TRABALHADORES, NÃO É RARO O APOIO QUE OS IDOSOS DÃO AOS SEUS FILHOS E/OU NETOS SEM EMPREGO OU POR OUTROS MOTIVOS.
    SOMOS MAIS DE 20 MILÕES DE APOSENTADOS. NÃO HÁ ELEIÇÃO VENCIDA COM ESTA DIFERENÇA DE VOTOS.
    NÓS TEMOS O PODER DE TIRAR OU COLOCAR: PODEMOS MUDAR TUDO,

    JOVEM, LEVE O SEU IDOSO ATÉ AS URNAS. A SUA VIDA CERTAMENTE VAI MELHORAR.

    REPASSEM ESTAS MENSAGENS PARA TODOS, INCLUSIVE VIA: FACEBOOK, ORKUT, TWEETER, MSN, SITES RELATIVOS A FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, APOSENTADOS ETC.
    Obs.: Expressão retirada de textos do movimento: “A REVOLTA DAS BENGALAS E DAS CADEIRAS DE RODAS” que gira na net.

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